quarta-feira, 13 de julho de 2016

Luiza Helena Bairros presente!.

Rendo homenagens à Luiza Helena de Bairros, (ex)ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que faleceu em Porto Alegre nesta terça-feira (12 de julho de 2016) em virtude de um câncer de pulmão. Ela foi ministra do governo de Dilma Rousseff entre os anos de 2011 e 2014. Durante sua passagem pelo governo federal, foi responsável por criar o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), cujo objetivo é implementar políticas públicas voltadas a proporcionar à população negra igualdade de oportunidades e instâncias de combate à discriminação e à intolerância. A principal forma de atuação do Sinapir, conforme defendia Luiza Bairros, é por meio da articulação com municípios e governo estaduais, através da criação de órgão regionais para a promoção da igualdade racial.
Uma das principais personalidades brasileiras da luta contra o racismo, Luiza passou os últimos anos em viagens pelo país realizando palestras e trabalhando intensamente na articulação do movimento negro, atividade que desempenhava há mais de 40 anos. Gaúcha de Porto Alegre (RS), Luiza Bairros se mudou para a Bahia em agosto de 1979, após ter contato com o Movimento Negro Unificado durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, meses antes, em Fortaleza. Luiza Bairros era mestre em ciências sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutora em sociologia pela Michigan State University. Ela se graduou em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e era especialista em Planejamento Regional pela Universidade Federal do Ceará.

"Hoje é um dia triste para todos do movimento negro e daqueles que lutam pela igualdade racial no Brasil. A morte da querida Luiza Bairros, ex-ministra da Promoção da Igualdade Racial em meu primeiro governo, deixa a todos nós muito consternados. Luiza foi uma incansável militante da causa negra e da democracia brasileira. Sua obra permanece viva e continua sendo um símbolo da luta contra o preconceito e em favor das melhores causas da vida política nacional" - Dilma Rousseff

"Perdi uma mãe, uma amiga, uma companheira, uma referência para toda vida, a mais ousada e primorosa combinação de inteligência, disciplina, generosidade e coerência que o movimento negro produziu nos últimos 40 anos" - Felipe Freitas

“Faleceu na manhã de hoje, 12 de Julho de 2016, minha grande amiga, companheira de muitas lutas, Luiza Bairros. Meu coração está contrito de dor com a perda, mas certa de que esta grande mulher cumpriu seu papel na história da luta dos oprimidos, especialmente da população negra, neste país e no mundo. Que descanse em paz!” - Silvany Euclenio

“Acordei assustada hoje. Tinha tanta coisa dentro de mim, mas tinha um aperto. A gente sempre pensa nos mais proximos. Em seguida soube Luiza Bairros arrumara as malas e com a autonomia das preta acreditou que podia e foi para a grande viagem no grande rio. Que mulher atrevida achou mesmo que este rebanho enorme está pronto para não ouvir mais aquela voz meio rouca baixa. Centrada ponderada. Meu Nzambi . Matamba receba ai esta rainha. Vai cansada das batalhas com a luta incessante ao racismo. A gente se encontra na luta porque você está presente.” - Kota Mulanji/ Regina Nogueira

“LUTO na LUTA! Compromisso com a LUTA PRETA! Valeu Luísa! Valeu Ministra!” - Vilma Piedade

“Perdemos uma grande aliada na luta contra o racismo é no combate ao racismo contra as tradições de Matriz Africana.” - Mãe Nalva de Oxum

“Acho que é a 1a vez que o falecimento de uma (ex) ministra me abalou emocionalmente, estou muito triste com a morte de Luiza Helena Bairros” Táta Kinamboji/ Arthur Leandro

“A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que fizeram parte de minha vida terrena, sem tirá-las do meu coração, sorrir às pessoas que não gostam de mim, para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam calar-me para ouvir, aprender com meus erros, afinal, eu posso ser sempre melhor! Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar, a abrir minhas janelas para o mundo. E não temer o futuro... A lutar contra as injustiças, sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo. Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar. Vá companheira LUIZA BARRIOS, tenho certeza que DEUS já acolheu a sua ALMA e esta confortando os seus familiares, amigos e todo o povo negro que você tão bem defendeu e representou. Vá em PAZ missão cumprida!” - Mestre Pernambuco


“Muito obrigada por sua luta pela igualdade racial no Brasil. Mulher negra, intelectual, militante honesta, vibrante. Obrigado. O OLODUM deseja luz para você neste novo plano“ João Jorge

“Minha amiga e amada Luiza Bairros, que o Olorum a receba com as honras que ela merece” - Leonor Araújo

“Sentimos todos pois saudou em muitas construções e fez a diferença em suas falas e atitudes no movimento social. Lamentável. Só nos resta dar prosseguimento à sua luta que é nossa também” Mãe Ligia Borges, de Exu.

“Luiza era um.exemplo de quadro politico do movimento negro. Tinha grandes divergencias com.ela principalmente qdo ela comandava a Seppir. A sua inteligencia e respeito, coisa rara no universo da politica, eram demonstrados com os frequentes convites feitos a mim para seminarios e outras discussoes na secretaria. Isto sem contar com as suas colaborações com a minha coluna Quilombo na Revista Forum. Participei de varios debates com a ministra. Sorriso constante, personalidade forte e inteligencia ímpar. Certa vez comentei com ela que o racismo institucional era expresso no fato dela ser a pessoa que, no ministerio da Dilma, tinha o melhor curriculo (inclusive mais que a própria presidenta). E apesar disso ocupar o ministerio com menor orçamento. Ela me respondeu laconicamente: "pois é". Saudades muitas da querida Luiza. Pessoa cujas discussoes me faziam crescer politica e intelectualmente” - Dennis Oliveira

“Lamentável acordar com essa triste notícia. LUIZA BAIRROS que OLORUN te receba com todas as honras e muita festa no Orun minha querida”- Jorge Cruz

“Muito triste. Uma grande perda para todos/as nós!” - Cristian Ribas



























quarta-feira, 25 de maio de 2016

Roda de Conversa, as poéticas de Matrizes Africanas na Amazônia.

Mais informações no blog da  COPIR: Programação com temática étnico-racial na Feira do...


Roda de Conversa: poéticas de Matrizes Africanas na Amazônia.
Apresentação: Táta Kinamboji (Profº Arthur Leandro), equipe do Projeto Azuelar.

Serviço:
Local: Estander da SEDUC
Dia: 28 de Maio
Horário: 13:30 às 15:30

1º Bloco de Entrevista
Projeto Educativo “Afro-amazônicos e seus símbolos”
Convidada: Tainah Jorge.
Tainah Jorge é filha de santo de Mãe Esther de Jarina, Terreiro Seara da Oxossi, da nação Tambor de Mina. É estudante de ciências sociais na UNAMA e cumpre estágio no serviço educativo do Museu Paraense Emílio Goeldi, e foi trabalhando no serviço educativo do museu que ela propôs a construção do circuito “Afro-amazônicos e seus símbolos”, que faz parte do seu projeto de pesquisa. Ela explica que a meta desse projeto é estimular o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, de acordo com a Lei Federal 10.369/03, e é um circuito para mostrar a estudantes do ensino médio as relações entre culturas afro religiosas e espécies de plantas do acervo do Parque Zoobotânico. O projeto do Serviço de Educação foi construído em parceria com comunidades de terreiro de matriz africana em Belém.

2º Bloco de Entrevista
Projeto “Nós de Aruanda-Artistas de Terreiro”
Convidados: Mãe Nalva de Oxum, Mametu Muagile, Mametu Nangetu, Professora Dra Marilu Campelo, e Weverton Ruan Rodrigues.
Nós de Aruanda, artistas de terreiro, é um projeto do Grupo de Estudos Afro-Amazônico (NEAB)/ UFPA, e do Grupo de Estudos e Pesquisa Roda de Axé/ CNPq. Em 2016 se realizou a 4a exposição com poéticas de matriz africana na Amazônia, e é sobre essa experiência de arte fundada na matriz cultural oriunda da África negra. que vamos colocar em debate.

3º Bloco de Entrevista
Projeto “BLOCK PRINT – Estamparia Afro”
Convidado: Glauce Santos e Jean Ribeiro.
A estamparia por carimbos de madeira, ou blocos de madeira, conhecida como Wood Block Printing, foi o processo precursor da produção industrial em grande escala. O método de gravação da matriz de madeira é o mesmo da xilogravura, com algumas particularidades relacionadas aos materiais, como corantes e têxteis a serem utilizados. Tornou-se possível a reprodução de um desenho mais elaborado e com bons resultados formais, favorecendo a gravação de matrizes voltadas, exclusivamente, para a estamparia corrida. A técnica é utilizada na estamparia africana, e difundida em projeto de pesquisa e oficinas educativas de Glauce Santos e Jean Ribeiro.

4º Bloco de Entrevista
O desafio da educação afrocentrada em arte,
Convidada: Isabela do Lago.
Muito se têm pensado sobre a importância do conhecimento em história e cultura africana e afro-brasileira nas salas de aula, sobretudo na educação básica, com o intuito de fundamentar origens da cultura negra e sua afirmação identitária para a superação do racismo e reparação dos problemas sociais ocasionados pelo mesmo. Isabela traz uma proposta afrocentrada para o ensino-aprendizagem da arte em formato didático, para fácil aplicabilidade na sala de aula, onde encontraremos suporte poético na leitura de obras que compõem o acervo do projeto “Nós de Aruanda- artistas de terreiro fazer um glossário explicando os termos” entre as edições de 2013 a 2015 da mostra em Belém do Pará.

“Eu nunca vi machado cego fazer casa pra morar”, por Pedro Neto.

“Eu nunca vi machado cego fazer casa pra morar”
Nossa cultura transversal e dialógica - povos tradicionais de matriz africana – nos ensinam alguns princípios fundamentais que dizem respeito ao bom convívio entre nós e os outros. O mundo apressado, capitalista com esse Estado burocrata que insiste em nos criminalizar, não entendeu e pelo jeito não vai entender tão cedo que estão nestes princípios elementos vitais para nossa manutenção e existência. Perder ou deixar de ganhar políticas que contenham minimamente estes princípios nos matam, nos fazem apodrecer por dentro.
Olhamos isso, construímos estratégias de enfrentamento e combate ao racismo. Nos olhamos, nos reconhecemos uns nos outros. A estratégia adotada por nós que culminou na apresentação, aprovação no Colegiado Setorial de Cultura Afro-Brasileira e no Pleno do CNPC/Minc sobre o Plano Nacional para Culturas Afro-Brasileiras nos dias 09, 10 e 11/05/2016 foi vitoriosa. Até que ponto?
Nos últimos cinco anos, num pacto nacional lideranças tradicionais de matriz africana de todo Brasil pautou o debate acerca do racismo institucional; ampliou as representações da cultura negra no Conselho Nacional de Políticas Culturais para a capoeira, para o hip hop, para a cultura alimentar, para os povos tradicionais de matriz africana, para os quilombos; ampliou a participação de lideranças negras em diversos colegiados setoriais; construiu um plano exequível para as culturas negras.
Para isso pagamos um alto preço, não financeiro, mas sim no enfraquecimento de nossos princípios. Uma névoa, anunciada, cobriu nossos olhos. Arthur Leandro, como é que deixei você ser alijado da decisão que você mesmo ajudou a construir o caminho? Não sei! Disse que faria, e não fiz. Por enquanto ficarei com uma frase sua: “Tempo é Rei de Angola”.
Não farei ata, não farei artigo, não farei moção ou recomendação. Continuemos a fazer o que nunca deixamos de ser, em nossas bases estão nossas trincheiras.
‪#‎MincResite‬ Não ao Minc da arte branca, eurocêntrica e machista. Nos cuidemos para não cair na armadilha da cultura de elite versus cultura popular.
Como nos ensina Mãe Beth de Osun: “Tá na hora do pau comer”.‪#‎nadaatemer‬

Texto publicado no Facebook pot Pedro Neto

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O que são poéticas de matriz africana, como pensam e agem os artistas de terreiro?

O que são poéticas de matriz africana, como pensam e agem os artistas de terreiro?

“Para nós, arte é campo de batalha na guerra simbólica”, Táta Kafungeji (Rodrigo Ethnos) –Rundembo Ngunzo ti Bamburucema.

Quem quer saber um pouco mais sobre a produção poética de resistência negra dos terreiros da zona metropolitana de Belém,  deve aproveitar a oportunidade que o projeto “Nós de Aruanda, artistas de terreiros”, oferece, e participar da Roda de conversa com os artistas nesta sexta-feira, dia 29 de abril, a partir das 17h na Galeria Theodoro Braga, no CENTUR.
“Nós de Aruanda – artistas de terreiro” dá título para um projeto e uma exposição que brinca com os sentidos que essa expressão pode ter: de quem, ou de quais de nós, nós estamos falando, quem somos nós? Talvez o desejo seja mesmo o de nos debruçar sobre esses enlaces emaranhados desses nós que, ao fim, é um desejo que se traduz na busca por conhecer esse rico universo numa perspectiva diferenciada: a produção poética e os estudos universitários como ferramentas para conhecer, descobrir, divulgar e defender a riqueza das culturas tradicionais de matrizes africana e suas correlações com as muitas Áfricas que (re)inventamos no Brasil.
A conversa circula em vários focos de percepção e interesse artístico, desde o contexto, e a  consequência, do racismo que resulta em violência cotidiana contra povos tradicionais de matriz africana, até as práticas poéticas que mantém viva na Amazônia, a cosmologia e os valores civilizatórios que vieram da África negra.



Roda de conversa com os artistas participantes
IV Exposição Nós de Aruanda - Artistas de Terreiro
Sexta-feira, 29/4, a partir das 17h

Galeria Theodoro Braga – subsolo do Centur,  av, Gentil Bittencourt, 650 - Belém.

Realização:
GEAM - Grupo de Estudos Afro-Amazônico (NEAB) UFPA
Grupo de Estudo e Pesquisa Roda de Axé CNPq.

FOTOS: ©Lucivaldo Sena / Projeto Griot Amazônida 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Oficina: Estamparias com grafismos africanos em Block Printing.

Nesta quarta feira, 27 de abril, a partir das 14h, tem oficina de estamparia com grafismos africanos ministrada pelo artista e gravurista Jean Ribeiro na Galeria Theodoro Braga (CENTUR). A oficina faz parte das ações educativas do Projeto Nós de Aruanda, artistas de terreiro, em cartaz na galeria até a sexta, 29 de abril.

A proposta é compartilhar a experiência que Jean acumulou na produção de grafismos em Block Printing, uma técnica de manufatura que precedeu a produção de estamparia industrial. A oficina é uma ação de colaboração para a implantação da Lei 10.639/03, e atende professores e estudantes da rede de ensino básico e todos os interessados em conhecimentos sobre a visualidade africana na diáspora amazônica.


Block Printing
A estamparia por carimbos de madeira, ou blocos de madeira, conhecida como Wood Block Printing, foi o processo precursor da produção industrial em grande escala. O método de gravação da matriz de madeira é o mesmo da xilogravura, com algumas particularidades relacionadas aos materiais, como corantes e têxteis a serem utilizados. Tornou-se possível a reprodução de um desenho mais elaborado e com bons resultados formais, favorecendo a gravação de matrizes voltadas, exclusivamente, para a estamparia corrida.
A partir do século XVIII, no Ocidente, importantes empresas motivadas pelo ponto de vista econômico se interessaram na produção mais acelerada de estamparia dos tecidos. Com esse interesse, novos processos foram surgindo para o aprimoramento de desenhos cada vez mais detalhados.
Sendo assim, o desenvolvimento das técnicas das artes gráficas, as matrizes passaram a ser feitas com placas de metal, nas quais um instrumento de ponta afiada proporcionava a impressão de desenhos muito finos e delicados, uma vez que a tinta ficava depositada em menor quantidade nas incisões da placa de metal.
Este método de gravação, aliado à utilização de chapas flexíveis adaptadas a um cilindro impressor (prensa ou maquinário), representou a maneira mais prática e econômica da estamparia contínua em grandes metragens de tecidos.
O processo de impressão com cilindros rotativos, desde a 
gravação em madeira até os mais modernos processos fotoquímicos de gravação dessas matrizes, com o desenvolvimento da indústria química e têxtil, foi a invenção que acompanhou o enorme crescimento do mercado de estampados.

Oficina: Estamparias com grafismos africanos em Block Printing
Instrutor: Jean Ribeiro
Quarta-feira, dia 27 de abril, a partir das 14h.
IV Exposição NÓS DE ARUANDA – ARTISTAS DE TERREIRO.

Galeria Theodoro Braga, a galeria fica no subsolo do CENTUR - Av. Gentil Bittencourt, nº 650, Nazaré - Belém – PA.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Exposição reúne obras de artistas de terreiros.

Fluxo de benção, de Tainah Jorge (Foto: Lucivaldo Sena)

Exposição reúne obras de artistas de terreiros

Quinta-Feira, 07/04/2016, 10:47:37 - Atualizado em 07/04/2016, 10:47:37

Em 1891, apenas três anos após a abolição da escravatura no Brasil, dona Rosa Viveiros, também conhecida como Mãe Doca, inaugurou em Belém o primeiro terreiro de tambor de mina. À época, a prática de religiões africanas era proibida e a mãe de santo natural de Codó, no interior do Maranhão, foi presa por diversas vezes por cultuar as divindades afros. Símbolo da resistência negra e da luta pelo direito à manifestação religiosa, ela recebe homenagem na exposição “Nós de Aruanda”, que abre hoje, às 19h, na Galeria Theodoro Braga, do Centur, em Belém. A entrada é gratuita. Antes, às 17h, haverá bate-papo com a pesquisadora Zélia Amador, da Universidade Federal do Pará (UFPA) uma das fundadoras do Centro de Estudos de Defesa do Negro no Pará (Cedenpa).

A mostra reúne artistas de diversos terreiros e apresenta fotografia, videoarte, instalações, xilogravuras, entre outras linguagens. Entre elas, Mãe Nalva, representada com um livro-objeto em que ela conta, bordada em pano, a história dos iorubás. Também a artista Tainah Jorge e sua interferências urbanas do “Fluxo de Bênção”, registradas em fotografias.

Tainah espalhou estênceis por vias movimentadas de Belém e de Ananindeua, com desejos de saúde, justiça, amor e caminhos de sucesso a partir das bênçãos trocadas por mães e pais de santos, agentes culturais e membros de movimentos sociais em um grupo de mensagens instantâneas criado por ela.

De acordo com o curador Jean Ribeiro, assim como Nalva e Tainah, há muitos artistas nesses espaços, que mesclam a competência técnica à temática religiosa e produzem arte de forma diversa. A intenção é abrir as portas dos espaços expositivos para eles. “A arte, de uma forma geral, é dominada por uma minoria. Essa é a oportunidade de mostrar como cada um desenvolve sua pesquisa de acordo com a sua casa, como por exemplo as bonecas de pano feitas de nó, sem costura”, explica Jean.

O livro-objeto criado por Mãe Nalva. (Foto: Lucivaldo Sena)


O curador destaca ainda que apresentar as religiões africanas por meio da arte busca sensibilizar o público em geral que ainda carece de informações e desmistificar visões equivocadas sobre a religião. Nos dias de hoje, a Constituição Brasileira garante que os adeptos da umbanda possam realizar seus rituais de forma livre, mas o preconceito persiste. “Algumas pessoas ainda acham que as casas afro são para fazer algum ritual de maldade. É só uma religião como outra qualquer, com seus símbolos e rituais. Queremos discutir sobre intolerância por meio da arte, que não está só nos lugares conhecidos, mas nos terreiros também”, lamenta o curador.

A exposição é um desdobramento das pesquisas acadêmicas do grupo Grupo de Estudos Afro-amazônicos (Geam-UFPA), e do Grupo de Estudos e Pesquisa Roda de Axé/CNPq, que articula pesquisadores e comunidades tradicionais de matriz africana. Ela comemora também o dia 18 de março, dedicado aos umbandistas e aos afro-religiosos, através da Lei Municipal nº 8272, de 2003 e da Lei Estadual nº 6.639, de 2004, e foi selecionada no edital Pauta Livre do Programa Seiva, da Fundação Cultural do Pará.

VISITE

Exposição Nós de Aruanda
Onde: Galeria Theodoro Braga (subsolo do Centur)
Abertura: hoje, com bate-papo com Zélia Amador, às 17h, e coquetel às 19h
Visitação: 08 a 29/04, de segunda a sábado, das 9h às 19h
Informações: (91) 3202-4313
Quanto: entrada franca


(Publicação original no Diário do Pará)

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Processos Artísticos em Nós de Aruanda. Por Glauce Santos.

Processos Artísticos em Nós de Aruanda

O convite para integrar o projeto Nós de Aruanda, veio a três anos atrás, em 2013, para participar com meu trabalho artístico, enquanto artista confesso que fiquei um pouco apreensiva e atraída pela proposta, por perceber o grande desafio, eloquência e beleza do projeto, no entanto só aceitei o convite em 2015, ano em que participei como artista e também na organização, curadoria, e montagem da exposição.
O desafio contido nesta tarefa mesmo para uma pessoa do culto Afro-brasileiro, é algo realmente inovador e envolvente, e solicitou-me uma disponibilidade interior bem diferente dos trabalhos em grupo já realizados anteriormente.
Mas existe um detalhe muito importante no projeto Nós de Aruanda, é o fato de existir uma mostra coletiva, uma exposição de arte específica de artistas de terreiros na cidade de Belém do Pará, chegando a sua 4ª versão, realmente é algo determinante para que tudo aconteça. Iniciativa essa muito sensível por parte de seus criadores, que originou-se de muita pesquisa e discursões em grupo, a qual traz a missão de expor a arte dos artistas de terreiro, fomentar diálogos, trazer ações didáticas que vão interagir com o público visitante da exposição.
São intervenções urbanas, instalações de objetos, de paramentos, bonecas, esculturas, fotografias, pinturas, gravuras, performance, vídeos, bate-papo, contação de histórias, oficinas, vivências que se estendem durante todo o período de permanência da exposição, oferecendo uma programação intensa e educativa, a qual é fruto de muita dedicação de todos os envolvidos no projeto.
O processo artístico, o amadurecimento dos artistas desde a 1ª versão, é algo essencial, que cativa e dá motivação para os curadores continuarem este trabalho.
Pois o trabalho de um curador é buscar artistas, mostrar suas obras, articular diálogos, pensamentos, propostas, servir de intermediário entre pessoas ou grupos, mediando e intervindo.
Os artistas aqui lançam-se na pesquisa sem medo!!! mergulham fundo em suas vivencias artístico-religiosas, revelando a importância de suas obras, desafiando pontos de vista, convenções já estabelecidas, enfrentando os cânones da arte, os valores dominantes, e seguem em frente, para que juntos possam trilhar um caminho que marca um estilo próprio, de uma identidade artística Afro-Amazônica.
Texto e fotos: Glauce Santos