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sábado, 16 de setembro de 2017

Ngomba d'Aruanda de 24 de maio - #foraTemer e toda a corja de golpistas.


Programa Ngomba d'Aruanda de 24 de maio - #foraTemer e toda a corja de golpistas. Abertura da expsoição do Projeto Nós de Aruanda, artistas de terreiro. Entrevista com Edmilson Rodrigues. Continuamos a debater como eliminar o racismo.

Programa Ngomba d’Aruanda na Rádio Exu. Apresentação Tata Kinamboji a partir da Casa do Tempo.
para ouvir a radio Exu pelo facebook

Programa realizado com apoio e parceria de diversas organizações e projetos institucionais –

  1. REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana,
  2. CEN – Coletivo de Entidades Negras (Coordenação Pará), 
  3. FONSANPOTMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, 
  4. Ile Axe Alagbede (Maranhão), 
  5. AFAIA Associação dos Filhos e Amigos do Ilé Asé Iyá Omi Ofá Karé, 
  6. Grupo de Estudos Afro‐Amazônico GEAM/ IFCH-UFPA, 
  7. GEP Roda de Axé/ CNPq, 
  8. Faculdade de Artes Visuais/ FAV – ICA - UFPA, através dos Projetos: a) Ngomba d’Aruanda; b) Eu vou navegar na casa da mãe das águas (Ile Axe Iyaba Omi) e c) Valorização do Patrimônio Artístico e Cultural Afro-Amazônico, projetos de extensão PIBEX, Eixo Transversal e Navega Saberes da PROEX/UFPA

Programa Ngomba d'Aruanda de 5 de abril de 2017 - Ações de promoção da cidadania do povo negro.

Programa com informações das ações de promoção de cidadania para o povo negro, conversa Ekedy Adrieny Batista falando da mulher negra de matriz africana na sociedade brasileira, conversa com Nazaré Cruz e Zélia Amador de Deus sobre a violência e genocídio que incide sobre o povo negro, e, ainda, veiculação de músicas afro-­‐venezuelanas que a Rádio Exu recebeu de Alonso Pacheco, Consul da Venezuela no Pará.

Programa Ngomba d’Aruanda na Rádio Exu. Apresentação Tata Kinamboji a partir da Casa do Tempo.
para ouvir a radio Exu pelo facebook

Programa realizado com apoio e parceria de diversas organizações e projetos institucionais –

  1. REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana,
  2. CEN – Coletivo de Entidades Negras (Coordenação Pará), 
  3. FONSANPOTMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, 
  4. Ile Axe Alagbede (Maranhão), 
  5. AFAIA Associação dos Filhos e Amigos do Ilé Asé Iyá Omi Ofá Karé, 
  6. Grupo de Estudos Afro‐Amazônico GEAM/ IFCH-UFPA, 
  7. GEP Roda de Axé/ CNPq, 
  8. Faculdade de Artes Visuais/ FAV – ICA - UFPA, através dos Projetos: a) Ngomba d’Aruanda; b) Eu vou navegar na casa da mãe das águas (Ile Axe Iyaba Omi) e c) Valorização do Patrimônio Artístico e Cultural Afro-Amazônico, projetos de extensão PIBEX, Eixo Transversal e Navega Saberes da PROEX/UFPA

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Ngomba d'Aruanda, mídia livre que combate ao racismo.

Projeto Ngomba d'Aruanda na Rádio Beco da Cota, é um projeto de mídia étnica e racial que difunde os valores civilizatórios da matriz africana na diáspora brasileira, e prima pelo combate ao racismo e pelo fortalecimento de redes solidárias das lutas sociais e das lutas pela valorização das culturas negras, com protagonismo negro, de povo tradicional de matriz africana (terreiro) e de juventude de terreiro.
Participação de Mãe Nalva de Oxum e Babá Tayando no programa Ngomba d'Aruanda na radio Beco da Cota em 15 de setembro de 2016

Funciona a partir da "Casa do Tempo", uma organização de base comunitária para a preservação das tradições de matriz africana que funciona provisoriamente no bairro da Cremação, em Belém do Pará, articulada com a REATA - Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, com terreiros e organizações do Movimento Negro no Estado do Pará, e também articulada com organizações de outros estados brasileiros, como o Centro de Referência Pan-africanista Beco da Cota Cultural, de São Luís do Maranhão (mantenedor da rádio Beco da Cota), e com a Kizomba Nacional: Articulação pela vida das juventudes dos povos tradicionais de matriz africana e terreiro.
O programa que fazemos na webRádio BECO DA COTA transmite conteúdos de lutas sociais, difunde e divulga tanto os agentes, quanto as culturas negras amazônidas e brasileiras,  e esses programas são registrados em transmissões audiovisuais pelas redes sociais (Facebook, Instagram, Whatsapp e Twitter) que permitem a interatividade e a participação ativa na programação.
As entrevistas com autoridades e lideranças de matriz africana e do movimento negro,  buscam a reflexão da participação social na luta por direitos de cidadania e, em especial, investe em conteúdos para a implementação da Lei 10.639/03 . Todo o projeto de mídia do Ngomba d’Aruanda é utilizado como mecanismo de educação tradicional e pode ser utilizado no ensino formal, já que todo esse arquivo se constitui como um acervo de experiências do patrimônio cultural afro-amazônico que pode e deve ser utilizado pelas escolas.





Projeto Ngomba d'Aruanda - Comunicação social comunitária de povos tradicionais de matriz africana
Centro de Referência Pan-africanista Beco da Cota Cultural

Rádio Beco da Cota - https://ewe.branchable.com/

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Pai Marcelo de Averekete, sobre a violência contra as tradições de matriz africana.

Abordar a questão da Intolerância em sua múltiplas facetas requer, dentre outras coisas um conhecimento tanto de nosso passado como de nossa própria história, que ao longo desses mais de quatrocentos anos tratou a figura do negro de forma descontextualizada, em seu processo histórico e o mais grave que é o continuo estágio de desumanização de sua condição humana.
Vive-se em um país que trás em sua Carta Mágna de forma pontual em seu artigo quinto, um posicionamento neutro com relação ao campo religioso, instituindo desta forma o. Estado Laico, no qual deveria haver espaço para a discriminação de qualquer forma.
No entanto, próprio processo histórico de construção de nossa Nação nos diz e comprova o contrário, uma vez que o componente cultural negro ainda é tratado à margem deste processo como uma verdadeira mácula; como algo de menor valor, negligenciando sua contribuição inconteste para a formação de cultura.
Diante deste estado de contradições, pode-se dizer seguramente que o Brasil é um país intolerante, principalmente no tocante ao ao aspecto religioso. E o mais nocivo ao desenvolvimento de uma Nação é quando constata-se que tais questões ainda são tratadas de maneira subterrânea, tentando escamotear os fatos, negando às pessoas o livre arbítrio por suas escolhas, crenças e tradições. Neste momento é pertinente lembrarmos da reflexão do poeta italiano Giácomo Leopardi: " Nenhuma qualidade humana é mais intolerável do que a intolerância". Não importa a denominação que tenha o seu credo religioso: Budismo, Cristianismo, Candomblé, Espiritismo, Hinduísmo, Islamismo, Umbanda. Não é mais cabivel usar o julgamento de superioridade para justificar e disseminar atitudes segregados e individualistas.
A intolerância já é considerada por muitos estudiosos do comportamento humano um dos fatores determinantes para o crescimento de diversas formas de violência em todo o Brasil. Agressões verbais, invasão e depredação de espaços religiosos, espancamentos, linchamentos e assassinatos estão se tornado lugar comum. É estarrecedor, mas estamos voltando ao estado da mais completa barbárie. Resultado de uma aguda eneficiência e omissão do Estado, da população em geral por cultivar atitudes racistas e preconceituosas, perpetuando uma tradição de desrespeito aos direitos humanos.

AXÉ MATINJALÔ AYÊ




quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Racismo policial em Tucuruí.

Foto: Ernandes Costa.
Denúncia dos Sacerdotes e Sacerdotisas da Religião de Matriz Africana do Município de Tucuruí/PA, proposta pela Conselheira Profª Maria Luiza- CEDENPA. Assim convidou o Sr. Arthur Leandro liderança de comunidade de povos tradicionais de matriz africana, que se identificou como Arthur Leandro – Tata Kinamboji uá Nzambi, Kisikar’Ngomga do Mansu Nangetu, e que veio apresentar denúncia de Racismo Institucional, que ocorre  em Tucuruí, onde a Policia Civil tem  cobrado dos terreiros a taxa para realização das atividades religiosas das casas e terreiros de santos daquele município. Disse que as autoridades do município de Tucuruí, no Pará, desrespeitam a Constituição e o Estatuto da Igualdade Racial e obrigam que os terreiros paguem taxa de realização de shows para as cerimônias da religiosidade afro-amazônica. Disse que nessas atividades, que são denominadas como festas, seja para feitura de filhos e filhas de santos, ou até mesmo aniversário das divindades, não vendem entradas e nem há  venda cervejas ou outro tipo de bebida, tampouco se pratica venda de comidas, e que todos que participam das cerimônias da ritualística afro-brasileira comem e bebem a vontade celebrando a comunhão com as divindades, que nos rituais se canta e dança aos som dos atabaques, que não usam equipamentos eletrônicos ou tratamento acústicos em suas atividades,  que entende que  essas taxas não cabem ser cobradas dos terreiros. Disse que toda vez que os terreiros estão sem a taxa paga, a Policia Militar é acionada e, simplesmente, na falta de apresentação do comprovante de recolhimento da taxa, a atividade religiosa é interrompida. Que ele considera  racismo institucional tanto da policia militar e da delegacia administrativa, assim como da delegacia de meio ambiente. Para ele é repressão à religiosidade afro-brasileira e que é fruto de uma conjuntura onde o Estado criminaliza as tradições de terreiro. Fez apresentação de um vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=OGYC3e2KrBA), com depoimentos de dois sacerdotes de matriz Africana desse município que foram vitima dessa intolerância religiosa. A final da apresentação lembrou que próximo as esses dois terreiros, há dois templos de igrejas pentencostais que não receberem o mesmo tratamento, pois usam som eletrônico com amplificação direta para rua, nem  assim a DEMA ou a Policia Civil e a Polícia Militar os impede do livre exercício do culto religioso. O Conselheiro Presidente Luiz Fernandes Rocha, lembrou que  essa  luta é uma luta  antiga e todos devem ter mo mesmo tratamento. O Conselheiro DPC Rilmar Firmino/PCPA, disse que com relação as isenções as taxas todas a instituições sem fins lucrativos estão isentos. Quanto a questão de perturbação de sossego público, independente de religião a policia vai lá e faz autuação. Se houve cobrança indevida isso não é recomendação da Policia Civil. Disse que já orientou a Conselheira Maria Luiza para que toda vez faça requerimento a autoridade policial, evitando assim esse tipo de constrangimento ou desrespeito a Constituição e ao Estatuto da Igualdade Racial. O Conselheiro Presidente Luiz Fernandes Rocha, lembrou que quando há denuncia feita por qualquer cidadão, a policia tem de agir, mas sem truculência e usando o bom senso. O Sacerdote  Arthur Leandro – Táta Kinamboji, lembrou que as autoridades tanto da policia Civil e Militar já foram orientadas pelo Sacerdote Edson Catendê que é advogado da Federação Espírita, Umbandista e dos Cultos Afros Brasileiros,(FEUCABEP) que esteve há poucos meses em Tucuruí e reclamou dos interditos a rituais por suposta perturbação do sossego sem que se fizesse a aferição dos decibéis produzidos pelos rituais de terreiros. Disse que os policiais que vão as esses templos religiosos, não fazem a medição de decibéis para constatar a altura do som, mas que mesmo sem a comprovação de infração ambiental eles interrompem as cerimômias religiosas sem nenhuma outra justificativa. Lembra que historicamente há uma cultura de perseguição aos terreiros ao longo da história, e que embora hoje as liturgias afro-brasileiras estejam amparadas na Constituição e no Estatuto da Igualdade Racial, o mesmo Estado que deveria proteger os locais de culto, continua com essa prática de violações. Informou que uma das diretrizes do plano nacional de igualdade Racial e uma das ações da Secretaria Especial de Promoção  da Igualdade Racial é o combate ao racismo institucional,  e sugeriu que a secretaria de segurança pública do estado do Pará promovesse a capacitação de seus gestores e de seus agentes para que eles pudessem, ao menos, identificar o que é racismo para poder combate-lo. O Conselheiro Presidente Luiz Fernandes Rocha, disse que o Estado tem a obrigação de corrigir isso, que  tem de fazer, como ocorre nas audiências públicas, essas discussões para difundir e esclarecer a população, não se pode viver nesse clima de desarmonia, se todos são iguais perante a lei. Destacou como já bem disse o Delegado Geral que já ao orientou a Conselheira Maria Luiza, líder do segmento que sempre que for ocorrer essas comemorações, que façam o requerimento junto a autoridade local, que certamente irá isentá-los da cobrança dessas taxas. Quanto a abusividade, se houve, a Policia Civil vai dar respostas. Se  comprometeu a fazer uma reunião do SIEDS no  município de Tucuuri para discutir essa questão  com os órgãos do poder público estadual e do município, e os sacerdotes de matrizes africanas, evitando assim essas situações. Agradeceu a presença do Sr. Arthur Leandro,   colocando o CONSEP e o SIEDS a disposição dos integrantes da religiões  de matriz africana, que sempre que sentirem seus direitos violados, que  façam a denúncia para que se possa apurá-la. O Sr. Arthur Leandro, agradeceu a oportunidade de ser ouvido no CONSEP de mais essa demanda de seu segmento.

domingo, 30 de março de 2014

Vereadora Sandra Batista solicitou à Câmara de Belém uma manifestação de solidariedade ao povo de terreiro.

Damos através deste ciência do Requerimento de autoria da VEREADORA SANDRA BATISTA, solicitando que a Câmara Municipal envie VOTOS DE SOLIDARIEDADE AO POVO DE TERREIRO PELA DESTRUIÇÃO DO MONUMENTO EM HOMENAGEM A MÃE DOCA ERGUIDO NO DIA 06 DE MARÇO DO CORRENTE, NA ESQUINA DA HUMAITA COM A DUQUE DE CAXIAS, NO BAIRRO DO MARCO.

A destruição do monumento erguido em homenagem a Mãe Doca significa um atentado contra a democracia e a liberdade religiosa e que traz no seu bojo uma clara manifestação do racismo mais despudorado, revelando um contexto ainda marcado pelas chagas do preconceito e da intolerância cega que impede parcela considerável da sociedade de conviver com as diferenças e reconhecer o outro como um ser humano portador de direitos. Mandela nos lembrava de que “o preconceito constitui uma das faces mais cruéis da violência”, pois significa uma desconstrução do outro como humano e uma subtração da espécie mais importante de liberdade – aquela que nos assegura o direito de ser o que realmente somos. O monumento destruído em menos de 24 horas após sua inauguração se configura como uma verdadeira violência contra o Povo de Terreiro e as religiões de matrizes africanas e motivo de grande indignação aos que lutam em defesa dos direitos humanos. A trajetória de resistência de Mãe Doca a transformou num símbolo de luta pela liberdade religiosa da população negra. Mãe Doca foi presa várias vezes por cultuar as divindades e preservar a religiosidade afro-amazônica, porém não desistiu de manter seu templo afro-religioso aberto. Seu terreiro se manteve aberto de 1891 até meados da década de 1960, mesmo após várias tentativas da polícia de tentar neutraliza-la. Enfrentando toda sorte de perseguições, sua perseverança altaneira, abnegação e luta explica a reverência do movimento afro-religioso à Mãe Doca, assim como a tristeza misturada à profunda indignação frente à destruição do monumento. Neste sentido, nos solidarizamos com todos os movimentos afro-religiosos. Temos a firme convicção da urgência no que se refere à políticas públicas que garantam a liberdade religiosa, reprima o preconceito e o racismo, além da implementação de políticas na área da educação em direitos humanos, que enraíze valores e princípios imprescindíveis ás relações humanas. Nesta conjuntura, o Estado não pode ser omisso. O amadurecimento de nossa ainda muito jovem democracia perpassa inexoravelmente pela priorização das políticas educacionais, não apenas do ponto de vista da preparação para o mercado de trabalho, mas também na formação da cidadania, na formação para a vida em sociedade. É importante ressaltar quanta falta nos faz em Belém uma Secretaria Municipal de Direitos Humanos, que articule políticas direcionadas aos seguimentos cujos direitos são sistematicamente violados. À cultura da violência, o poder público precisa responder com políticas que fomentem o espírito de comunhão, fraternidade, colaboração, respeito mútuo e tolerância. Mahatma Gandhi ressaltava que “a lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos” e completava lembrando: “Não existe um caminho para a PAZ. A paz é o caminho!”.
VEREADORA SANDRA BATISTA

sábado, 8 de março de 2014

Pelo direito à memória de Mãe Doca, pelo direito à existências das tradições negras.

Um memorial para Mãe Doca, um memorial para todos nós.


Em 2003 e 2004 a Câmara de Vereadores do Município de Belém e a Assembléia Legislativa do Estado do Pará reconheceram a luta de Nochê Navakoly (Rosa Viveiros, ou Mãe Doca) como um importante foco de resistência para a manutenção das tradições de terreiros afro-amazônicos, e é em nome da luta de Mãe Doca que o dia 18 de março foi dedicado aos umbandistas e aos afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14 de outubro de 2003 (autoria do vereador Ildo Terra/PT) e da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (autoria da deputada Araceli Lemos/ PSoL), e em 2009 a ALEPA ampliou a homenagem através do Decreto Legislativo nº 05/2009 (proposição da Deputada Bernadete Tem Caten/ PT) que instituiu na Assembleia Legislativa do Estado do Pará a Comenda "Mãe Doca" de mérito afro-religioso.
Mas ao mesmo tempo em que Município e Estado reconhecem a importância da luta dos povos tradicionais de terreiros de matriz aricana, e até nos instituem duas leis, o racismo institucional faz com que os gestores nada façam para promover o 18 de março e a memória das lutas contra o racismo, esse mesmo racismo que ataca o sagrado das tradições africanas presentes na diáspora amazônica.
Mas já que o poder público não faz, na manhã do dia 6 de março de 2014 nós instalamos um memorial para Mãe Doca na esquina da Av. Duque de Caxias com a Tv. Humaitá, um memorial que resgatou a história de seu terreiro e a sua presença naquela territorialidade dos bairros do Marco e Pedreira. Uma  base de mármore com uma placa de vidro com fotografias e textos explicando à população a importância de Mãe Doca, e através dela  a importância de toda a luta das mulheres negras amazônidas por uma vida digna com direitos de cidadão.

Menos de 10 horas para a memória de Mãe Doca.

O memorial para uma mulher negra, a história da sacerdotisa das tradições negras amazônidas que enfrentou o racismo e a polícia paraense, não durou nem 10 horas, e antes de anoitecer a placa estava em pedacinhos na encruzilhada mais próxima do lugar onde por aproximadamente 80 anos se manteve o terreiros de nagô Cacheu de Nochê Navakoly.
O monumento foi quebrado durante a forte chuva que caiu na tarde desse mesmo dia da inauguração. Uma das especulações foi de que o vento haveria quebrado o vidro, mas colocamos essa hipótese em dúvida por um detalhe, a base de mármore foi arrancada!

Uma chuva que não destelhou casas naquela área, nem tampouco derrubou as árvores do canteiro teria força suficiente para virar uma base de mármore fixada com cimento? Se apenas o vidro tivesse sido quebrado seria possível acreditar na hipótese de foi causado pelas intempéries de Tempo, mas como vento não vira pedra.... A hipótese que acreditamos é que foi ação humana motivada por racismo religioso.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Convite - Inauguração do monumento à Mãe Doca.


Convidamos a todos que lutam contra o racismo e pela valorização da cidadania e dos direitos humanos a comparecer na inauguração do Monumento em Memória de Mãe Doca (Noche Navakoly) no amanhecer do dia 6 de março de 2014 na esquina da Tv. Humaitá com a Av. Duque de Caxias, Belém/PA. Noche Navakoly (Mãe Doca) é o símbolo da resistência dos Povos de Tereiros de Belém. Mãe Doca era natural de Codó/MA, filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo, seu Vodum é Nana e Toy Jotin, mas também recebia Seu Inambé. Ela foi presa várias vezes e ainda assim não desititu da luta pelo direito à consciencia relgiosa. Manteve até 1969 o seu Terreiro de Nagô Cacheu fundado em 18 de março de 1891 na Tv. Humaitá próximo à Duque de Caxias, o terreiro enfrentou a polícia e todos os tipos de preconceito em nome do direito ao culto religioso. Este ano de 2014, lhe rendemos a homenagem lhe presenteando um monumento público.
Período: das 7:30 as 10:30. Mais informações com Tata Kinamboji - 91-80353377, 99333077

domingo, 26 de janeiro de 2014

A Barbárie institucionalizada e os Bandidos de farda. Relatos de uma noite chuvosa.

Na noite de 24 de janeiro de 2014 um grupo de jovens, na maioria mulheres, foram brutalmente agredidos pela Polícia Militar do Estado do Pará na Praça do Carmo em Belém. É preciso tomar atitudes  para coibir os abusos dos militares na Amazônia brasileira, segue um relato reproduzido da postagem original do blog Minha Aruanda
"O que eu vi foi o soldado Luigi Barbosa da Policia militar de Belém levando um jovem (Daniel) aos empurrões acusando-o de desacato, e na tentativa de obter explicações seus amigos e sua namorada foram respondidos com socos pontapés e armas em punho, daí em diante as ilegalidades não pararam, espancaram uma mulher com mata leões, prenderam pessoas arbitrariamente e pra finalizar, solicitaram mais cinco viaturas para o local, o que resultava em dez viaturas e uns 25 soldados no total que desceram da viatura enlouquecidos espancando quem aparecia pela frente, batendo na cara das pessoas, encurralando-as e dando tiros para frente."

 

A Barbárie institucionalizada e os Bandidos de farda. Relatos de uma noite chuvosa. 


Na noite de 24 de janeiro a policia militar de Belém do Pará deu mais um exemplo do seu despreparo e falta de respeito para com quem paga seu salário. Nesta noite de sexta-feira, jovens artistas e estudantes promoveram mais uma feira libertária, ocupando a praça do Carmo com exposição de artesanato, performances artísticas, troca de produtos, audição de vinis, jam musicais e principalmente troca de afeto e valorização do ser humano. A feira que já vinha acontecendo algum tempo, caminha na contramão da política de cultural, se é, que se pode chamar de cultura, as festas que são realizadas nas casas de show aos arredores da Praça do Carmo, espaço que deveria ser preservado e, no entanto, as casas de shows atraem centenas de jovens de classe média alta que transitam no espaço sem informação alguma sobre a historia daquele lugar, consumindo além de muito álcool, música com o volume acima do permitido para uma área de patrimônio histórico. A criminalidade no bairro da cidade velha tem crescido na mesma velocidade em que cresce a conta bancária dos nossos governantes. É claro! É um bairro cercado por varias baixadas onde a população se multiplica sem acesso a informação de qualidade, educação, saneamento, saúde, e o mínimo de respeito. Você queria o que? Uma população de jovens bem vestidos e educados?
Agora, o que vi nesta noite de sexta feira, foi medieval! Primeiro vi um artista ser agredido por está expondo seu corpo numa performance artística. Um grupo de seguranças vestidos de preto e com cassetetes na mão o agrediam com palavras homofônicas e ameaças, quando as pessoas em volta tentaram explicar do que se tratava, também foram agredidas com palavras e ameaças. Estes seguranças ( até agora me pergunto porque são chamados de seguranças se só causam desordem?) ficam vigiando carros no local e exigindo cinco reais adiantado para os frequentadores das festas. Este tipo de cobrança é ilegal, é uma extorsão. Com a possibilidades de agressão por parte dos seguranças, os jovens então resolveram chamar a polícia.

Eis o que aconteceu segundo meus olhos. 

O que eu vi foi o soldado Luigi Barbosa da Policia militar de Belém levando um jovem (Daniel) aos empurrões acusando-o de desacato, e na tentativa de obter explicações seus amigos e sua namorada foram respondidos com socos pontapés e armas em punho, daí em diante as ilegalidades não pararam, espancaram uma mulher com mata leões, prenderam pessoas arbitrariamente e pra finalizar, solicitaram mais cinco viaturas para o local, o que resultava em dez viaturas e uns 25 soldados no total que desceram da viatura enlouquecidos espancando quem aparecia pela frente, batendo na cara das pessoas, encurralando-as e dando tiros para frente. Isso mesmo!!!!, Não para o auto, para frente, rifando vidas, do jeitinho que ele aprendeu na academia. Foi uma cena dantesca. Em meio às agressões, a tortura e a chuva intensa não tivemos como anotar nomes, filmar a grande parte, mas mesmo assim, todos nos encaminhamos para a delegacia naquela madrugada chuvosa, para além de registrar a violência sofrida, termos que assistir o cabo Luigi Barbosa ter que assinar o TCO como vítima. Realmente, compreendemos que todos que estão na polícia militar, são vitima de um sistema excludente que precisa de cães de guarda para proteger quem tem dinheiro. Mas no caso deste aspirante, o melhor termo é incapacidade mesmo, já que ele além de ser de família “bem sucedida”, estudou em colégio marista, o melhor centro de cooptação de uma cultura cristã/eurocêntrica, (tudo isso pode se substituir por cultura racista e discriminatória), mesmo assim, hoje em dia o que ele é? Um pau mandado que agride mulheres e pessoas inocentes para tentar ter autoestima, ou reconhecimento do restante da sua quadrilha. Agora me digam, é esta a policia que pagamos para manter a ordem? Para reprimir jovens em shoopings, praças e manifestações? Policias que na sua maioria, são corruptos, violentos e aproveitadores?
Também não consigo parar de pensar sobre o que é um corpo nu numa praça pública. Sobre como o corpo nu, livre e feliz causa medo, incomodo, ao ponto de transtornar um ser humano. Pura balela! Até isso querem nos dizer como usufruir, só permitido ver corpos nus, entre quatro paredes, na televisão, no big brother, que subjuga a mulher e a coloca como um prato de carne na prateleira de um supermercado. Isso é imposição do colonizador, que tinham vergonha dos seus corpos fétidos e deformados pelas doenças do além mar. Mulheres. Não posso deixar de falar aqui, sobre como a cada dia que passa me encanta mais este SER. Que é beleza! Que gera a vida! Que mata e morre por amor! Que é leal aos amigos e seus verdadeiros amores e convicções. Arrepio-me e me encho de orgulho das mulheres que estavam no corpo a corpo com o dragão da maldade, guerreiras Icamiabas, morrerei contando a todos nossos descendentes o tamanho de vossa coragem, não preciso citar nomes pois nos sabemos os olhares que se cruzaram durante a batalha!!

Amo Vocês e continuemos a luta!

Rodrigo Ethnos