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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Consciência Negra é celebrada na Praça da República.

A concentração foi domingo, dia 19 de novembro, no Quilombo da República -  a barraca do CEDENPA, Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará - na praça da República.
Mulheres Negras da Amazônia: Pará, Amapá, Maranhão e Tocantins, comandaram a celebração com apoio do Bento Maravilha, do Ben Som.
A celebração foi conduzida pela Rede Fulanas, que é composta por mulheres autodeclaradas negras que manifestam sentimento de pertencimento e semelhança ao biótipo das negras africanas que foram escravizadas nas Américas. As Fulanas, nome aqui vinculado à etnia africana Fula, de significativa representatividade na Amazônia, nasce por constatar que o racismo, preconceito e discriminação racial continua atingindo, com mais força, as mulheres negras e que diante disso, tornam-se necessárias ações mais articuladas, visando contribuir na superação das desigualdades raciais e de gênero na Amazônia e no Brasil como um todo. Com o apoio do Ben Som, do Bento Maravilha, fizeram leitura comentada de manifestos de consciência negra.





Povo Tradicional de Matriz Africana pede paz!


“Essa é uma ação religiosa, mas, também, uma ação política. Todas as vezes que os povos de terreiros saem às ruas para professar a nossa fé, estamos fazendo a ação politica de existir em uma estrutura social que insiste em nos ser hostil. Ao ocuparmos simbolicamente, o espaço público, resistimos às invisibilidades e preterimentos que cotidianamente nos atingem”, afirma o ogã André Santos, membro da comissão dos Terreiros Tombados e professor-doutor da Ufba.


Para denunciar as violências e exigir respeito, que comunidades do Povo Tradicional de Matriz Africana, Afro-religiosos de Belém do Pará, enfeitaram as Mangueiras da Praça da República com Ojás brancos (ação nacional promovida pelo Coletivo de Entidades Negras - CEN) e plantaram árvores sagradas no Espaço de Resistência Quilombo da República. A ação religiosa, política e poética exige respeito, e faz parte da campanha “Não toquem em nossos terreiros”, em referência a alarmantes casos de racismo religioso, que resultaram até na destruição de templos. O cenário, preocupante, pode ser expresso em dados. Conforme levantamento do Ministério dos Direitos Humanos. Entre janeiro de 2015 e o primeiro semestre deste ano, o Brasil registrou uma denúncia de ataque a terreiros a cada 15 horas. No período, ainda segundo o órgão, o Disque 100, canal que reúne denúncias, recebeu 1.486 relatos de discriminação religiosa, sendo que, a maioria das violências, atingem as tradições do sagrado de matrizes africanas.




E no mesmo ato demarcaram a presença negra na Amazônia com o plantio de árvores sagradas ao redor da barraca do CEDENPA, que se localiza na parte da praça que no passado foi usada como o cemitério dos homens pretos. O plantio das árvores também é uma celebração à ancestralidade africana na cidade de Belém.
Babá  Edson Catendê e Mãe Patrícia de Iemanjá conduziram o ritual poético-político-sagrado de plantio de árvores no Quilombo da República.

São folhas e ervas utilizadas pelas diversas tradições de origem na África Negra presentes na Amazônia, e o plantio em espaços públicos reforça o registro de 1.082 terreiros na zona metropolitana de Belém, pesquisa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome -  MDS, em 2012.





Prefeitura tentou retirar o Tabuleiro de Acarajé da Jucilene de Oyá. 



E o racismo institucional se fez presente com a ação da 'Ordem Pública' tentando retirar o Tabuleiro de Acarajé e a Feira Preta - jovens empreendedores negros que se reunem ao redor do Quilombo da República - da festa na praça. Mas a mobilização de resistência garantiu a presença do nosso povo, em festa, comemorando  o Dia Nacional da Consciência Negra.

"Axe Zumbi Pará, Axé Dandara Pará - SÃO VIDAS NEGRAS QUE IMPORTAM"





sábado, 18 de novembro de 2017

Toda nudez será castigada? Atravessamentos em um debate sobre o corpo...

Era um debate para o curso de Educaão Física da UEPA, falávamos de corpo+mídia+política pública...




No início eu quase vomito com a fala do secretario municipal de esporte e lazer, com aquele discurso de zenaldolândia (a cidade perfeita onde tudo funciona) e das diretrizes municipais para a descoberta de talentos esportivos com corpos buRRocráticos... E aí quis falar de corpo social+corpo cultural e luta por cidadania do povo negro, falar da força criadora cultural da corporeidade negra e relacionar isso com as políticas publicas de repressão ao corpo negro, como as da Zenaldolandia, que são ancoradas em pressupostos eurocentrados e negam o protagonismo da criação cultural de lazer do povo negro.

Aí veio uma pergunta na covardia do anonimato, me perguntaram: "você concorda com os recentes casos de pornografia na arte?"
Ao que eu respondo: - Que casos? Eu desconheço esses casos, mas se a platéia me informar de algum caso de pornografia na arte eu posso comentar.
Demorou um certo tempo, mas o perguntador apareceu...
Ele vei com aquela conversinha moralista de questionar poéticas que envolvem questões de NUDEZ, GÊNERO e SEXUALIDADES, falando em pornografia, pedofilia e perguntando se isso é arte e se eu concordava com isso.
Aí eu pedi para ele me contar passo a passo o que foi que ele viu acontecer em cada um dos casos apresentados e depois apresentar os conceitos para: a) o que é arte; b) o que é pornografia; e c) o que é pedofilia, e a partir desses concentos, pedia pra ele me dizer o por quê que os acontecimentos descritos nos casos, poderiam ser enquadrados como crime.
Resposta rasa e rápida.... 1) não sabe o que é arte; 2) não consegue conceituar pornografia; e 3) pedofilia é crime.
Eu recorri à Nota Técnica da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) do Ministério Público Federal (MPF), publicada na segunda-feira, 6 de novembro de 2017, que traz uma análise jurídico-constitucional sobre a liberdade artística e a exigência de proteção de crianças e adolescentes contra a violência sexual e contra conteúdos inapropriados às suas faixas etárias. 
A nota técnica traz um amplo conjunto de argumentos jurídicos na defesa tanto dos direitos de crianças e adolescentes quanto da liberdade de expressão em suas múltiplas formas - tendo em vista os recentes episódios de cerceamento a obras e performances artísticas classificadas como "imorais" ou de natureza "pedófila". 
O documento esclarece que o direito brasileiro não criminaliza a pedofilia (entendida como um transtorno mental), mas sim a violência sexual contra crianças e adolescentes.
Dentre os argumentos jurídicos:
1.Os crimes estão previstos no Código Penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA e envolvem a prática de atos lascivos com ou na presença de crianças, ou ainda a produção, comercialização, distribuição e posse de fotografias e imagens de crianças e adolescentes reais em uma cena de sexo explícito ou pornográfica.
2.porém, que nem toda nudez, adulta ou infantil, envolve a prática de ato lascivo ou tem por fim a confecção de cena ou imagem sexual. "Não apenas em culturas indígenas, como também em muitas práticas comuns no Brasil e em outros países, a nudez está desprovida de qualquer conteúdo lascivo. É o que ocorre, por exemplo, com o naturismo".
3.no âmbito da artes, a nudez e sua representação fazem parte do registro de todas as civilizações, e que apresentações envolvendo a nudez do artista ocorrem com frequência em museus de arte contemporânea e moderna do mundo. 
4. segundo a Constituição e o ECA, a classificação etária possui natureza meramente indicativa, pois está voltada a garantir às pessoas e às famílias conhecimento prévio para escolher diversões e espetáculos públicos que julguem adequados. Por ser "indicativa", a classificação efetuada pelo poder público não possui força vinculante; assim, não cabe ao Estado (nem aos promotores do espetáculo ou diversão) impedir o acesso de crianças ou adolescentes a eventos classificados como "inadequados" à sua faixa etária, especialmente quando estejam elas acompanhadas por seus pais ou responsáveis. Compete exclusivamente a estes decidir sobre o acesso de seus filhos menores a conteúdos televisivos e a diversões e espetáculos em geral, conforme decidido pelo STF no julgamento da ADI 2.404/DF, referente à classificação indicativa da TV.
5.segundo o critério adotado pelo próprio órgão do Ministério da Justiça encarregado de fazer a classificação indicativa para a TV, a nudez não-erótica (isto é, exposta sem apelo sexual, tal como em contexto científico, artístico ou cultural) não torna o conteúdo impróprio para crianças, mesmo as menores de 10 anos
6.O documento da PFDC aponta a jurisprudência do STF referente a "posição de preferência" da liberdade de expressão em relação a outros direitos fundamentais, inclusive para abranger manifestações "desagradáveis, atrevidas, insuportáveis, chocantes, audaciosas ou impopulares" (ADPF 187/DF).
7.Com relação à liberdade artística, a Nota Técnica registra que, segundo jurisprudência de outros tribunais constitucionais, as manifestações artísticas estão sujeitas a um trabalho de interpretação, e uma visão geral do trabalho do artista constitui um elemento indispensável dessa interpretação. Portanto, não é permitido remover partes individuais de uma obra de arte do seu contexto e sujeitá-los a um exame independente para se determinar se devem ou não ser considerados como delitos.
8.Em favor de uma maior tolerância social com relação à liberdade artística, a Nota Técnica cita obras hoje consagradas que, à época em que foram apresentadas, causaram forte reação social contrária, e mesmo ações penais por parte do Ministério Público, como ocorreu com o aclamado romance de Gustave Flaubert, Madame Bovary.

E com esses argumentos eu perguntei se ele considerava “lasciva” a nudez do artista.

Disse que esse assunto envolvia censura à liberdade de expressão artística e que o combate à censura fazia parte da vida do artista, faz parte da minha vida.

Terminei com uma pergunta, e disse que eu não tinha conhecimento,mas que eu gostaria de saber como é que aquele curso de formação em educação física e os profissionais da área debatiam e combatiam o assédio sexual à jovens atletas que tentavam carreira profissional no futebol, ou casos de assédio à atletas mulheres, como o relatado pela nadadora Joana Maranhão.

E aí? A Educação Física debate essas coisas ou seus profissionais (e estudantes) só querem ser críticos da 'arte da desinformação'?

Táta Kinamboji/ Arthur Leandro



Fontes:
NOTA TÉCNICA NO 11/2017/PFDC/MPF Assunto: Liberdade de expressão artística em face da proteção de crianças e adolescentes. Ver em http://pfdc.pgr.mpf.mp.br/temas-de-atuacao/direitos-sexuais-e-reprodutivos/nota-tecnica-liberdade-artistica-e-protecao-de-criancas-e-adolescentes

Aos 9, foi abusada sexualmente. Aos 12 estava em um Pan-Americano. Aos 17, em uma Olimpíada. Aos 19, tentou se matar. Aos 27, voltou a competir e encontrou a liberdade https://revistatrip.uol.com.br/tpm/joanna-maranhao-fala-do-abuso-na-infancia-da-vez-que-tentou-se-matar-e-da-volta-as-piscinas



“Muitos jogadores de futebol consagrados já foram vítimas de abuso sexual” https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/27/deportes/1506468596_517639.html?id_externo_rsoc=TW_CC

Crianças vulneráveis a abusos sexuais em escolinhas de futebol no Brasil https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/21/deportes/1505949724_452491.html?id_externo_rsoc=TW_CC



quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Ancestre em Manifesto, de Tata Kinamboji e Michel Amorim.













"Ancestre em manifesto" é um manifesto político, artístico, estético... Corpo ancestral/ corpo social no cotidiano da cidade que nega a nossa existência. Ação poética de Táta Kinamboji e Michel Amorim com participação de Socorro Patello e Diogo Monteiro, como parte da exposição "Nós de Aruanda, artistas de terreiro 2017". Trajeto, da Praça da República até a GTB - Galeria Theodoro Braga - CENTUR, realizado em 22 de junho de 2017.

Programa Ngomba d'Aruanda de 01 de novembro de 2017.



01 de novembro de 2017, quarta-feira, 22h (23h de Brasília), Programa Ngomba d’Aruanda na Rádio Exu.
Apresentação Tata Kinamboji (Arthur Leandro) a partir da Casa do Tempo
http://radioexu.com/- , 
para ouvir a radio Exu pelo facebookhttps://www.facebook.com/radioEXU/app/1039043586147312/
se preferir, escute pelo blog http://etetuba.blogspot.com/2017/01/radio-exu.html

Destaques
1. Alô prefeitura, por quê não pode Acarajé em Belém? Relato de Jucilene de Oyá, baiana do acarajé, e os problemas criados pela prefeitura de Belém...
2. Marilu de Yemonjá fala sobre a sacralização do alimento e a relação com a magia. Mas afinal, por quê querem proibir o abate tradicional de matriz africana? Agora em novembro o STF vai julgar o recurso foi interposto pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul contra decisão do Tribunal de Justiça estadual (TJ-RS) que validou a Lei gaúcha 12.131/2004, que permite o sacrifício de animais destinados à alimentação nos cultos das religiões africanas.
3. Mãe Nalva de Oxum fala da tradição que alimenta...

Apoio – REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, CEN – Coletivo de Entidades Negras (Coordenação Pará), FONSANPOTMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, Ile Axe Alagbede (Maranhão), AFAIA Associação dos Filhos e Amigos do Ilé Asé Iyá Omi Ofá Karé, Grupo de Estudos Afro‐Amazônico GEAM/ IFCH-UFPA, GEP Roda de Axé/ CNPq, Faculdade de Artes Visuais/ FAV – ICA - UFPA, Projetos Ngomba d’Aruanda e Eu vou navegar na casa da mãe das águas (Ile Axe Iyaba Omi) e Valorização do Patrimônio Artístico e Cultural Afro-Amazônico, projetos de extensão PIBEX, Eixo Transversal e Navega Saberes da PROEX/UFPA

 

Programa Ngomba d'Aruanda de 25 de outubro de 2017.



25 de outubro de 2017, quarta-feira, 22h, Programa Ngomba d’Aruanda na Rádio Exu.
Apresentação Tata Kinamboji (Arthur Leandro) a partir da Casa do Tempo.
http://radioexu.com/- , 
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Destaques
1.Avaliação da reunião do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial;
2. Entrevista com Mestre Amaral, do Tambor de Crioula de São Luís do Maranhão
3. Relato de artista de Zélia Amador de Deus.


Apoio – REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, CEN – Coletivo de Entidades Negras (Coordenação Pará), FONSANPOTMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, Ile Axe Alagbede (Maranhão), AFAIA Associação dos Filhos e Amigos do Ilé Asé Iyá Omi Ofá Karé, Grupo de Estudos Afro‐Amazônico GEAM/ IFCH-UFPA, GEP Roda de Axé/ CNPq, Faculdade de Artes Visuais/ FAV – ICA - UFPA, Projetos Ngomba d’Aruanda e Eu vou navegar na casa da mãe das águas (Ile Axe Iyaba Omi) e Valorização do Patrimônio Artístico e Cultural Afro-Amazônico, projetos de extensão PIBEX, Eixo Transversal e Navega Saberes da PROEX/UFPA

Programa Ngomba d'Aruanda de 18 de outubro de 2017.



18 de outubro de 2017, quarta-feira, 22h, Programa Ngomba d’Aruanda na Rádio Exu.
Apresentação Tata Kinamboji (Arthur Leandro) a partir da Casa do Tempo
http://radioexu.com/- , 
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Destaques
1. Encontro de redes culturais colaborativas da região norte;
2. Relato de artistas negr@s com o Grupo Vozes de Fulô.


Apoio – REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, CEN – Coletivo de Entidades Negras (Coordenação Pará), FONSANPOTMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, Ile Axe Alagbede (Maranhão), AFAIA Associação dos Filhos e Amigos do Ilé Asé Iyá Omi Ofá Karé, Grupo de Estudos Afro‐Amazônico GEAM/ IFCH-UFPA, GEP Roda de Axé/ CNPq, Faculdade de Artes Visuais/ FAV – ICA - UFPA, Projetos Ngomba d’Aruanda e Eu vou navegar na casa da mãe das águas (Ile Axe Iyaba Omi) e Valorização do Patrimônio Artístico e Cultural Afro-Amazônico, projetos de extensão PIBEX, Eixo Transversal e Navega Saberes da PROEX/UFPA

Programa Ngomba d'Aruanda de 11 de outubro de 2017.



11 de outubro de 2017, quarta-feira, 22h, Programa Ngomba d’Aruanda na Rádio Exu.
Apresentação Tata Kinamboji (Arthur Leandro) a partir da Casa do Tempo
http://radioexu.com/- , 
para ouvir a radio Exu pelo facebookhttps://www.facebook.com/radioEXU/app/1039043586147312/
Destaques 
1. Seminário nacional debate o respeito à diversidade religiosa;
2. Relato de artista com Eliana do Amor Divino, a Li Divino..

Apoio – REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, CEN – Coletivo de Entidades Negras (Coordenação Pará), FONSANPOTMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, Ile Axe Alagbede (Maranhão), AFAIA Associação dos Filhos e Amigos do Ilé Asé Iyá Omi Ofá Karé, Grupo de Estudos Afro‐Amazônico GEAM/ IFCH-UFPA, GEP Roda de Axé/ CNPq, Faculdade de Artes Visuais/ FAV – ICA - UFPA, Projetos Ngomba d’Aruanda e Eu vou navegar na casa da mãe das águas (Ile Axe Iyaba Omi) e Valorização do Patrimônio Artístico e Cultural Afro-Amazônico, projetos de extensão PIBEX, Eixo Transversal e Navega Saberes da PROEX/UFPA

 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Tecnologia do tambor: resgatando e salvaguardando conhecimentos ancestrais e tecnológicos



Tambores como avançadas tecnologias de comunicação resgatando e salvaguardado conhecimentos ancestrais.

Podemos entender o “Tambor” como a primeira internet do mundo, quando os pretos africanos usavam seus instrumentos para se comunicarem entre si e entre vilarejos diferentes, o tambor realizava o papel de rede comunicacional, sendo comparado aos que temos hoje como (wan, lan e man) conhecidos tipos de comunicação das redes de computadores. Os toques podem ser entendidos com as mensagens mandadas de tambores para tambores, que por sua vez são criptografadas com a possibilidade de um "decodificador", neste caso um mestre ancião ou griot que traduz os códigos musicais em linguagens humanas.

As informações que ficavam ocultas na mensagem e o povo consegue entender depois de descriptografadas pelos mestres portadores desses conhecimentos, possuem uma usabilidade de todos os meios humanos que os tambores nos proporcionam. Dessa forma, encontramos uma rede de comunicação sem fio, com capacidade de conectar a comunidade, além de tocar a alma do povo que faz parte dessa rede, mesmo que só como receptor de todos os dados finais do processo de decodificação.

É importante entender esse processo de comunicação cultural como uma importante tecnologia social, justamente porque as suas expressões acontecem sem se desprender das riquezas ancestrais, além de atribuir valores reais, compreendendo que nossas práticas merecem ser entendidas como algo altamente tecnológico e parte importante de um território digital que precisa ser ocupado pelo povo preto, uma vez que nossas comunidades e nossos saberes estão sendo roubados, principalmente por conta do processo de embranquecimento cultural que pode ser observado nas vivências maranhenses, motivo de alerta para o nosso povo. O Maranhão carregara riquezas culturais marcadas pela ancestralidade, repleta de significados e variedades, mantidas através do repasse da tradição oral, esses bens ultrapassam o valor simbólico no nível do imaterial para os povos e seus meios sociais ditando suas formas de convivência e valor político.

Nesse sentido o nosso projeto pretende realizar o resgate de memórias tradicionais dos povos pretos através da instrumentalização e criação de acervos de audiovisual, buscando alcançar a otimização da memória ancestral ligada com a digital, de forma que se mantenha os valores tradicionais das comunidades sem deturpar as práticas sociais dos participantes. De acordo com estudos comunicacionais “ ter cultura é estar conectado ” os bens culturais de um povo são mantidos pelo modelo de repasse de informações e conhecimentos através da tradição oral, corre em linha tênue entre uma segurança quase que criptografada e ao mesmo tempo com chances de cair no esquecimento, como por exemplo: a morte de um guardião desses conhecimentos tradicionais e ancestrais. Quando as comunidades necessitam criar uma documentação de seus conhecimentos e informações internas sempre tem que contar com o bem externo, quase sempre antropólogos ou pesquisadores, que ao realizar uma captura de vídeos, o executa com “o olhar do outro” um “olhar cientifico”, dessa forma corremos o risco de ter nossas informações construídas e sistematizadas com modelos desiguais aos da comunidade. Agora imaginemos esses dados sendo capturados e guardados com o olhar comunitário de quem vive aquela realidade, partes de uma cultura que carrega significados e que estão se perdendo com o passar do tempo nos acervos internos pela falha na comunicação ? Em cada localidade será apresentado duas palestras, tendo como objetivo duas oficinas com temáticas envolvendo apropriação tecnológica e conhecimentos tradicionais, nas áreas de confecções de instrumentos próprios, pautados nos valores civilizatórios africanos reconhecendo os tambores como tecnologias sociais e meios de comunicação usados nas comunidades. Repassar as práticas de confecção de instrumentos comunicacionais focando o bem de nossas comunidades, valorizando e fortalecendo a ancestralidade dos povos e comunidades tradicionais e de matriz africana. Realizar o reavivamento cultural valorizando as relações sociais das comunidades pretas, acreditando nesses bens culturais como mecanismos de aperfeiçoamento da conexões digitais e ancestrais sociais das comunidades tradicionais. Esses materiais serão repassados, aprendidos e acumulados, juntamente com o discurso da ancestralidade e em conjunto com diálogos de apropriação tecnológica. Atividades como essas exercem um papel fundamental e de extrema importância para exercícios culturais de um povo, uma vez que suas organizações sociais e políticas estão diretamente ligadas a memória que é repassada de forma oral, em sua maioria de pais para filhos e/ou de anciões para comunidades, sendo um agregador de valores identitários sociais, pois o conjunto que os forma é o esperado mundo mais do nosso jeito!

Mil Oniletó 
São Luís – Maranhão
Telefone: 098 989065584/ 098 988567520 / E-mail: onileto@riseup.net; milson.santos42@gmail.com

Oficinas de construção de instrumentos:



Originalmente publicado na Rádio Beco da Cota.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Corpo memoria, Ana Valéria.





Corpo e Memória é uma série com sete performances fotográficas em espaços da natureza, teve como cenário o Quilombo do Curiaú, em Macapá. Para Ana Valéria o trabalho busca uma memória perdida, visível processo de retorno à ancestralidade africana e valorização das tradições afro-amazônicas.. Em seus trabalhos é visível a intensão de dar visibilidade a arte afro-brasileira e desconstruir a idéia de uma arte branca e elitista, pois a arte afro existe, porém esta arte não está nos grandes circuitos de museus e galerias e com essa preocupação a jovem artista busca quebrar barreiras. 

Fonte de informação: Ana Valéria - 21.09.2016 | Amanda Brasil, Andreza Rodrigues, Elany de Fátima

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Racismo que com ferro fere, será ferido...


Nós de Aruanda artistas de terreiro 2017, parte 1: exposição no Centro Cultural da Justiça Eleitoral - Rua João Diogo 254, Campina, Belém/PA (referência: Pça da Bandeira)

Título: Racismo que com ferro fere, será ferido...

Categoria artística: ritual poético de resistência negra.

Artistas propositores: Táta Kinamboji e Babá Kysudan
Realização: coletiva - povo tradicional de matriz africana.

Argumento: Ritual de Combate e eliminação do racismo que resulta em violência letal contra autoridades de matriz africana. A família de Nkôsi tem uma grande ligação com assuntos correspondente a justiça. Na tradição dos povos de Cabinda, as pessoas colocam pregos, parafusos e outros objetos cortantes em uma estátua ou uma árvore, Cada prego deste é um contrato, um pedido, uma luta a ser lutada, que só serão retirados quando a demanda for vencida. A ação ressalta a violência letal contra autoridades tradicionais de matriz africana, que tem acontecido em Belém desde 2015 - período em que temos observado uma franca e extrema violência letal contra pais e mães de santo. É muito grave a violência que se acentua por ódio religioso . A conclusão óbvia é que o alvo dos assassinos são as práticas tradicionais de matriz (origem) africana, e que é o racismo que move a violência contra os terreiros.... colocamos um prego no coração de cada assassino de pais e mães de Santo.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Crônica da morte anunciada.



#CronicaDaMorteAnunciada
#RacismoReligioso
#genocidionegro
#ecossistematropical
#LutarÉUmDireito

Crônica da morte anunciada, ação Ecossistema Tropical 2.0



Projeto Ecossistema Tropical 2.0, edição Belém PA.
A ação ressalta a violência letal contra autoridades tradicionais de matriz africana, que tem acontecido desde final de 2015 - período em que temos observado uma franca e extrema violência contra autoridades tradicionais de matriz africana. Conforme notícias originadas da imprensa paraense. Consideramos muito grave a violência que se acentua por ódio religioso contra as tradições de matriz africana no Brasil, seus lugares de culto, seus símbolos e suas autoridades.
A conclusão óbvia é que o alvo dos assassinos dos pais de santo são as práticas tradicionais de matriz (origem) africana, e que é o racismo que move a violência contra os terreiros

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O ECOSSISTEMA TROPICAL 2.0 é uma cartografia coletiva, que será desenvolvida ao longo de 4 encontros promovendo através de laboratórios públicos um circuito em mixagem com seminários descentralizados, apresentações orais, transmissões ao vivo e ações urbanas. Seu resultado final sera a elaboração de uma cartografia sobre uma nova abordagem da apropriação e ocupação do espaço público desenvolvida por grupos que trabalham em formato coletivo e em rede em diferentes capitais do país. Essa nova abordagem está relacionada à lógica de trabalho e organização de artistas que trabalham com a apropriação do espaço público na transição para a última década, passam de sistema “fechado” de coletivo para uma atuação amplificada em rede. Os encontros, que serão realizados nas cidades de Belém - PA, Salvador - BA, Rio de Janeiro - RJ e São Paulo - SP; contarão com a presença de 9 coletivos que trabalham com intervenções urbanas advindos de 4 regiões brasileiras distintas.
Será publicada uma cartografia impressa do conteúdo gerado nestes encontros.
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Este projeto foi contemplado pelo "Programa Funarte Rede Nacional de Artes Visuais 12ª edição".


sábado, 10 de setembro de 2016

Arte é lugar de protesto? Alguns dados para fomentar o debate.


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Textos meus, Arthur Leandro  em postagens diferentes: 
Naufrágio parece ser uma referencia ao acidente com 5 mil cabeças de gado no porto de Barcarena. intervenção artística na obra de arte, talvez a melhor reação de público... essa aí reagiu e deixou de ser espectadora passiva. MARAVILHA DE INTERVENÇÃO!!!! viva o Pixo!!!
e
ela escreveu "Naufrágio", referência ao desastre ambiental em Barcarena/PA.... intervenção artística na obra de arte, talvez a melhor reação de público... essa aí reagiu e deixou de ser espectadora passiva.



Texto da  Bianca Levy
ANTES QUE A VACA VÁ PRO BREJO
Em resposta aos ataques de desconhecidos na minha postagem, segue a minha posição em relação ao caso das vacas. Pixo é arte sim, arte de rua. Questiona e releva questões sociais por meio da intervenção urbana. A prática de "desenhar" o cotidiano em paredes é milenar, diga-se de passagem, e super importante para entender o contexto histórico e social de um povo. O pixo é a expressão artística que as classes desfavorecidas criaram para gritar o silenciamento imposto a elas historicamente pela elite. Mesmo o grafite, que é mais "palatável", surgiu dessa premissa. Penso que a proposta da Cow Parade dialoga em um ponto com a arte de rua que é a intervenção urbana. E dentro desse contexto, as próprias intervenções urbanas estão sujeitas a outras intervenções também. E foi isso o que ocorreu com a obra em exposição. Eu ainda não ouvi pronunciamento do artista que fez a obra original e sinceramente, gostaria de saber qual o posicionamento dele. Mas posso dizer que como cidadã eu me sinto sim representada por essa intervenção e vou mais além; pra mim essa nova obra (aniquilada pela organização asséptica do evento) tem mais potência do que todas as outras juntas, pois revela um desastre ocorrido aqui do nosso lado há pouco tempo. Como jornalista eu acompanhei a situação do naufrágio de Barcarena e reconheço a tamanha violência e sofrimento a qual foram submetidos esses cinco mil animais, assim como o descaso com que os moradores do entorno são tratados. E nenhuma das cinquenta vacas de presépio da Cow Parade lembraram disso, portanto, sacada genial da artista (lembrando também nesse ponto que, além de questionar, arte é isso, é chocar, seja pro bem o pro mal. É despertar sensações, e com certeza essa artista conseguiu realizar isso com êxito). Não quero nem entrar no mérito da curadoria desse concurso, das corporações por trás disso, da origem da verba, do processo e critérios de seleção, invariavelmente excludentes em grandes projetos como esse. O fato é que jamais um jovem artista (principalmente de rua) com portfólio reduzido, sem prêmio de edital nas costas vai ter preferência numa hora dessas. Esses são os artistas que mantém a sua arte na resistência, na guerrilha. E pra eles o meu salva sempre. E pra quem acha que isso é mania de perseguição com a ordem ou implicância com o evento, me limito apenas a citar uma vaca que foi "doada" pela organização do Cow Parede ao Curro Velho, por debaixo dos panos, alheia ao processo de seleção. Eu estive lá como jornalista e vi/ soube, e inclusive a minha matéria foi vetada por isso. No mais, o único recado que eu posso dar para a organização do evento é: Quem não sabe brincar, não desce pro play. Quem vai trabalhar com arte de rua deve estar preparado para todas as intervenções externas. Um bom artista sabe disso.
Publicado no Facebook


Texto da Byxa Do Matto (em dois posts diferentes)
O q esperar das estruturas de poder hegemônico além desse cinismo castrador disfarçado de susto e preocupação com a depredação de sinalizadores ditos arte, disposto nas vacas cowparade belem? Aff, afff, o pixo #naufragio reintera a discussão dos paradoxos e das coisas invisibilizadas nesse lugar, tão vivo de reexistências quanto de números de mortes no qual a direita tenta na base do sangue derramado fazer seu rancho. Dizer amem?
As vacas estão todas por ae, no mapa do dinheiro e da paisagem supostament cosmopolita estão com a marca de seus donos, tatuadas no corpo, longe só um pokinho dos mais d 2 mil bois q morreram afogados no porto de vila do conde com o #naufragio do navio, deixando a população d barcarena numa situ q nem sei o q dizer sobre, mas minimamente, sem condições de fazer self...
As vacas estão longe do mapa onde o carro que passa matando nas perifas faz seu show de horror, e não me admiro que os jornais, alguns intelectuais e umas pessoas alienadas, tanto por escolherem a idiotice e o facismo, quanto por estaram com um fardo gigante, dêem mais atenção a “”depredação’’ de uma obra d arte na rua do q vidas q somem com tiros e mais tiros e com a fumaça de um carro preto , q ninguem sabe, ninguém viu, ,, aaaaaaaaafffffffff, o q mais me deixa loca, é ver a gente repetir discursos, modos de olhar as coisas, e quanto isso uma serie de atrocidades vão passando como se fossem carros alegóricos,

Não vou dar a volta no trio,
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outra coisa me deixa nervosa é a comoção por de repente legitimarem o pixo #naufragio na vaca do #cowpared como uma intervenção d arte ou como uma intervenção politizada e assim, engolida pois entra nos tramites de uma discussão mais ampla do que é arte ou não..., supostamente,,,, axo curioso termos a superficie de discussão ainda pautada no >>> aah o artista gostou,,, e tudo bem,,,O q me incomoda profundamente é a voz dizendo como são as coisas ou devem de ser, , implicita nas entre linhas de muitos, inclusive eu



Texto de Glauce Santos
"Manifestações artísticas em espaço público"
Podemos considerar que as gravuras e pinturas rupestres da pré-história foram os primeiros grafismos do mundo, e sabemos também da prática dos pixos entre os antigos romanos, que escreviam mensagens de protesto nas paredes das construções da cidade, e ambos são encontrados até hoje em seus respectivos sítios arqueológicos. Vários estudiosos afirmam isso !!!!
A Pichação pode ser definida como escritas, rabiscos em muros, edifícios, ruas e monumentos urbanos com tinta em spray aerossol, estêncil ou rolo de tinta, a pichação normalmente é associada como ato de vandalismo e não a arte urbana, mas alguns consideram como arte de protesto !!! O grafite como conhecemos hoje, tem seu início na década de 60, na contracultura, nas minorias excluídas, nos jovens da periferia, como forma também de protesto, de gritar suas dores.
A arte urbana, pública nos apresenta formas do fazer artístico, que vai abrangendo várias modalidades de grafismos, que vão do grafite, estêncil, passando por cartazes lambe-lambe, intervenções, instalações, e entre outras. São formas de pessoas sozinhas ou em grupo, expressarem os seus sentimentos através de desenhos e escritas.
Fiz toda essa introdução didática para dizer que considero Pixo como arte de protesto, sim estou falando da intervenção-protesto que a garota fez na tal vaca !!!!!
Algumas pessoas não entendem que nós artistas queremos políticas públicas para as artes em nosso Estado, e não apenas editais excludentes, elitistas, que só beneficiam poucos artistas, acabamos de perder um museu de arte, assim como muitos bois e vacas morreram naquele naufrágio em Barcarena, onde imperava a estupidez humana, causando danos ao meio ambiente, e ainda temos que aguentar uma "mídia burguesa" chamando de vandalismo a intervenção que a garota fez na vaca, quanta hipocrisia !!!!!!
A arte pública é assim mesmo, o próprio nome já diz, pública !!!!!!

Para os artistas elitizados e higienizados de museu, para uma população desinformada e adestrada, o pixo é um crime. haha Faça-me um favor, não ponha a tua arte na rua, caso vc não queira que ela venha sofrer intervenções pungentes. Todo o "artista" deveria saber, que qualquer "arte" que caia na boca da rua, deixa de ser sua. Torna-se rua! Muito cansativo lidar com a ignorância alheia. Viva o pixo!

Texto da Angélica Lopes Arcasi
A rua sempre aponta o caminho!
#NAUFÁGIO me representa! Intervenção crítica e acertada que aproveita oportunamente o suporte e retoma o naufrágio do navio Haidar que afundou em 2015 com cinco mil bois vivos no porto de Vila do Conde, em Barcarena/Pa.
O que teve de mais interessante e potente na exposição foi também o mais efêmero. Aprendam: Pixo é denúncia, é grito, é arte.

E vandalismo é exclusivamente o que o Estado faz. #ForaTemer!  

Arte é atividade ideológica, 

como todas as ações humanos.... logo...

É arte sim!


SOBRE VACAS EM BARCARENA/PA.



Em 6 de outubro de 2015 um navio que transportava carga de cinco mil bois vivos afundou na no cais do porto de Vila do Conde, em Barcarena, nordeste do Pará. O naufrágio aconteceu duas horas depois da embarcação ter tombado. Imagens mostram os animais saindo de dentro da embarcação e subindo na lateral do navio, parcialmente submerso. Um vídeo feito pelo estivador Renato Pereira registrou a correria no porto logo no início da manhã.
Em 12 de outubro de 2015 a imprensa noticiou que “Praia do PA é tomada por bois mortos após naufrágio; moradores protestam” - Bois mortos em naufrágio em Barcarena acumulam-se na orla de praias tomadas pelo óleo diesel que vazou de embarcação no último dia 6. Moradores de Vila do Conde realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (12) em frente ao principal portão de acesso da Companhia Docas do Pará (CDP), em Barcarena, no nordeste do Pará. Eles cobraram providências imediatas para os problemas decorrentes do naufrágio de uma embarcação que transportava cinco mil bois, em Barcarena, no último dia 6.

Distância entre o porto de Belém – PA e o Porto de Vila do Conde – PA é de 31 31 Km ou 17 Milhas Náuticas, para se deslocar nadando nesse percurso leva-se aproximadamente 7h e 45 minutos, se for num navio, desses mesmo e igualzinho ao que naufragou em Barcarena, leva-se de 48 minutos a 1h e 15 minutos, e de lancha, cerca de 30 minutos

REFERENCIAS NA HISTÓRIA DA ARTE
"Inserções em circuitos ideológicos" – de Cildo Meireles (1975), é uma operação provocadora da ordem pública ao interferir nas estruturas que simbolizam e garantem o poder estabelecido.

Nós somos mais pretensiosos: se a nossa civilização está apodrecida, voltemos à barbárie. Somos os bárbaros de uma nova raça. Os imperadores da velha ordem que se guardem. Nosso material não é o acrílico, bem comportado. (...) Nosso instrumento é o próprio corpo – contra os computers. Nosso artesanato é mental - ver em BITTENCOURT, Francisco. A geração tranca-ruas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Caderno B, p.2, 9 mai.1970

“O artista hoje é uma espécie de guerrilheiro. A arte uma forma de emboscada. Atuando imprevistamente, onde e quando é menos esperado, de maneira inusitada, o artista cria um estado permanente de tensão, uma espectativa constante. Tudo pode transformar-se em arte, mesmo o mais banal evento cotidiano. Vitima constante da guerrilha artistica, o espectador vê-se obrigado a aguçar e ativar seus sentidos (o olho, o ouvido, o tato, o olfato, agora também mobilizados pelos artistas plásticos), sobretudo necessita tomar iniciativas. A tarefa do artista-guerrilheiro é criar para o espectador (que pode ser qualquer um e nao somente quem frequenta exposições) situações nebulosas, incomuns, indefinidas, provocando nele, mais do que o estranhamento ou a repulsa, o medo. E so diante do medo, quando todos os sentidos são mobilizados, ha iniciativa, isto é, criação.” MORAIS, Frederico Contra a arte afluente: o corpo é o motor da obra. Revista VOZES “Vanguarda brasileira: caminhos e situações. Jan./Fev.: 1970.


Artur Barrio lançou em 1969 seu "manifesto contra as categorias de arte, contra os salões, contra as premiações, contra os júris, contra a crítica de arte (Manifesto Estética do Terceiro Mundo)", contra, portanto, o sistema de arte e suas categorias, considerando-as uma imposição aos artistas latino-americanos. Para ele a utilização de materiais caros e convencionais em trabalhos artísticos representava a continuidade dos "serviços" da arte ao gosto das elites, e em contraponto propõe materiais baratos e perecíveis para problematizar a questão econômica na arte. Fernando Cochiarale explica que "a partir da crítica a essa realidade socioeconômica, étnico-política e estética Barrio deduz, com uma clareza rara na arte brasileira, o eixo fundamental de sua singular poética: conspirar contra o gosto das classes dominantes - no campo em que essas exercem seu poder cultural e operatório (poder assentado na crença da existência de um campo verdadeiro e puro da arte) - pela utilização de materiais precários e perecíveis, colhidos nos rejeitos de nossos trânsito no fluxo da vida". Para sua conspiração, Barrio vai às ruas e intervém no cotidiano das cidades sem perguntar às pessoas se é isso que queriam. E usando os rejeitos da sociedade de consumo faz seu trabalho de forma direta com o espectador e para a sua percepção da realidade, inclusive a econômica, Paulo Herkenhoff diz que a atitude de Barrio sustentou dois debates: o primeiro pela liberdade de expressão na ditadura e o segundo contra a desigualdade de expressão no capitalismo. As relações de poder, a partir da consciência dos efeitos da economia mundial na economia latino-americana, é força motriz de seus trabalhos.

Richard Huelsenbeck, no manifesto Dada de 1918, apontava para uma prática cultural de caráter libertária no seio da sociedade, ao afirmar que “a arte, para sua execução e desenvolvimento, depende do tempo no qual vive”, e que a arte maior será aquela que apresentar conteúdos conscientes dos múltiplos problemas de seu tempo, “aquela que se fará sentir como sendo sacudida pelas explosões da semana precedente, aquela que tenta se recompor depois das vacilações da noite anterior”, pois pra ele os artistas são um produto de sua época, e “os melhores e mais insólitos artistas são aqueles que a qualquer momento arrancam pedaços do próprio corpo, do caos da catarata da vida e os recompõe”;

No item 4 do “Esquema geral da Nova Objetividade”, (texo de 1967) Hélio Oiticica diz que: há atualmente no Brasil a necessidade de tomada de posição em relação a problemas políticos, sociais e éticos (...) sendo o ponto crucial da propria abordagem no campo criativo: artes ditas plasticas, literatura etc. (publicado por Cecília Cotrim & Glória Ferreira em “Escritos de artistas: anos 60/70” Rio de Janeiro: Jorge Zahar: 2006)




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O QUE É A COWPARADE?
É O MAIOR E MAIS BEM SUCEDIDO EVENTO DE ARTE PÚBLICA NO MUNDO.
As esculturas de vacas em fibra de vidro são decoradas por artistas locais e distribuídas pelas cidades, em locais públicos como estações de metrô, avenidas e parques. Após a exposição, as vacas são leiloadas e o dinheiro é arrecado e revertido para instituições beneficentes.
O evento tem 17 anos, e acontece desde 1999, já já passou pelo menos por 84 cidades de 36 países em todo o mundo, incluindo Chicago (1999), New York City (2000), Londres (2002), Tóquio (2003) e Bruxelas (2003). Dublin (2003), Praga (2004) e Estocolmo (2004), Cidade do México (2005), São Paulo (2005 e 2010), Curitiba (2006), Belo Horizonte, (2006), Boston(2006) Paris (2006), Rio de Janeiro (2007 e 2011), Milão (2007) e Istambul ( 2007), Madrid (2008), Taipei (2009); com a participação de 10000 artistas, arrecadando aproximadamente U$ 35 milhões que foram doados para entidades beneficentes
POR QUE VACAS?
Há algo de mágico com a vaca. Ela representa coisas diferentes para pessoas diferentes ao redor do mundo: é sagrada, é histórica, mas o sentimento comum é de carinho. Ela simplesmente faz todos sorrirem.
A escultura de vaca da CowParade forma uma tela tri dimensional que agrada a todos os artistas e não existe nenhum outro animal ou objeto que fornece uma forma com a mesma flexibilidade e amplitude.
QUEM SÃO OS ARTISTAS?
As vacas são pintadas por artistas locais. Pintores, escultores, artesãos, arquitetos, designers e outras pessoas criativas e artísticas são bem-vindas para apresentarem um projeto para a seleção, desde amadores e desconhecidos até profissionais e famosos.
PARA ONDE AS VACAS VÃO APÓS O EVENTO?
As vacas são leiloadas e a renda é revertida para entidades beneficentes. Os leilões da CowParade são realizados como leilões de arte tradicional com os lances ao vivo e através da internet.
QUEM ESCOLHEU OS ARTISTAS
Juri formado por Paulo Chaves Fernandes, Secretário de Estado da Cultura; Dina Oliveira, Presidente da Fundação Cultural do Pará; Jussara Derenji, Diretora do Museu da UFPA; Eduardo Klautau, Coordenador do Comitê Belém 400 anos; Rodrigo Pizzinatto, Diretor Comercial e Marketing da Extra-Farma, e Alan Rodrigues, Diretor Executivo da Agência Inova. E Fafá de Belém foi escolhida madrinha do evento.

Na imprensa:

“A CowParade contempla as comemorações pelos quatro séculos de Belém, além de ser uma iniciativa de responsabilidade social, pois as peças serão leiloadas após as exposições e o dinheiro arrecadado será doado para a Associação Voluntariado de Apoio à Oncologia (Avao), para a Associação de Pia União do Pão de Santo Antônio e para as Obras Sociais da Paróquia de Nazaré.” De acordo com o coordenador do Comitê Belém 400 Anos, Eduardo Klautau, “o que mais nos entusiasmou para receber esse evento e inseri-lo na agenda do aniversario da cidade foi esse caráter artístico e inclusivo de solidariedade. Motivos regionais para inspirar os mais de 300 projetos que recebemos não faltaram, até chegarmos à escolha final, que agora vai embelezar nossa cidade”, disse Klautau”.

“Para a sócia-diretora da TopTrends, o desejo de trazer a mostra para o Norte do Brasil já era grande e coincidiu de chegar a Belém neste período. “Conseguimos trazer as nossas ‘vacas do bem’ para Belém em um momento histórico para a cidade, além disso, por meio dessas obras conseguimos sentir o regionalismo por meio das artes, retratando o açaí, as mangas, a própria cultura indígena. Isso está sendo maravilhoso”, explicou a responsável pelo evento”.