Mostrando postagens com marcador Movimentos Sociais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Movimentos Sociais. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O camburão, por Érika Estérika.



Texto de AmÉrika EstÉrika publicado no Fcaebook logo após a demedida repressão polícial contra as manifestações #foraTemer #diretasJÁ.


O camburão

Em instantes voltei há séculos atrás, vários capitães do mato para conter uma jovem de menos de 50k e um metro e meio da altura... Lá dentro é o navio negreiro do século XXI, eu, que reagi de forma pacífica, em nenhum momento alterei a voz, e eu tinha muitos motivos pra altera-la, tentei dialogar, e praticamente fui arrastada pelo choque até a viatura... Fui humilhada e agredida verbalmente, naquele cubículo, onde eu nem podia sentar direito, sendo jogada de um lado a outro no andar daquela “carruagem”.
Os caras fardados:
É pela sua farda, não é exatamente por você...
Eu fazendo a diplomata com um cara que queria “ordem” e mais o batalhão dele que queria quebrar vagabundo... a frase mais recorrentes entre eles “bando de vagabundo” “eles merecem uns tapas valendo” “não vai adiantar otários, ela não vai voltar”
Tudo que eu tive que ouvir daqueles pol, tudo que eu tive que ver deles, armando táticas de repressão...
Agradeçamos por estarmos no centro da cidade! Na quebrada não é bem assim que eles agem, na quebrada só o que vemos e o sangue preto, já derramado! Na perifa não podemos contar ate dez...
Um sonrisal, dois sonrisal, e pronto. Um novo pol. De fato, os pol tem família, amigos e inimigos, eles não são monstros, são gente como a gente! Mas uma farda muda tudo! Um batalhão muda tudo, o militarismo muda tudo, e o machismo, os macho querendo bater. Saibam todos o alvo da PM nas manifestações é as preta! Somos nós manas.
No meio do barulho, bala de borracha, a acidez do espray de pimenta, um silêncio me invadia, um silêncio que muitas mulheres negras entenderam, o silêncio da minha solidão, o vazio, o enjoo no estomago de estar em um carro, cujo referencia que tenho desde pequena e de medo, terror... Toda PRETA já foi ou viu um parente, amigo, vizinho entrar num veiculo desses... Os que voltaram tiveram sorte! Tenham certeza que tinham milhões naquele carro comigo, muitos, muitos... Aquele camburão prefere levar preto, preta!
A força veio da COR, veio do Útero, do cú. As manas trocando msg, e tentando me proteger, todas as que estavam la fisicamente, e as que estavam espiritualmente! Aí eu entendi o que eles tanto temem, eles temem as pretas na rua, eles temem xs guerreirxs em combate, eles temem a nossa força! Eles temem!
Não é pela Dilma, não é elo PT, é por nós! É PELA REALIDADE da minha família, dos meus amigos, a minha realidade! sem heroísmos! Somos um povo de luta, e todos somos capazes! Sem heroísmos!
Não esquecerei o AMOR, não esquecerei de AMAR, mas NUNCA deixarei de guerrear pelo que acredito! O vomito não é so meu, o vomito e de tantas dores que me constroem. Uma preta não é apenas uma preta, ela é as varais caras de mucamas,ela é cada mulher preta escravizada, abusada, humilhada. Essa força que contagia o meu ser é ancestral, é matriarcal, e a força da minha COR!
Novos dias virão, difíceis, pesados, mas como eu aprendi, JAMAIS TEMEREI!
Gratidão a todos xs amigxs. Os de perto, os de longe. Muito amor nessa guerra!
Acho que ainda chego aos 25 anos...
#Foratemer!
#Foratodos!

#desmilitarizaçãojá

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Luiza Helena Bairros presente!.

Rendo homenagens à Luiza Helena de Bairros, (ex)ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que faleceu em Porto Alegre nesta terça-feira (12 de julho de 2016) em virtude de um câncer de pulmão. Ela foi ministra do governo de Dilma Rousseff entre os anos de 2011 e 2014. Durante sua passagem pelo governo federal, foi responsável por criar o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), cujo objetivo é implementar políticas públicas voltadas a proporcionar à população negra igualdade de oportunidades e instâncias de combate à discriminação e à intolerância. A principal forma de atuação do Sinapir, conforme defendia Luiza Bairros, é por meio da articulação com municípios e governo estaduais, através da criação de órgão regionais para a promoção da igualdade racial.
Uma das principais personalidades brasileiras da luta contra o racismo, Luiza passou os últimos anos em viagens pelo país realizando palestras e trabalhando intensamente na articulação do movimento negro, atividade que desempenhava há mais de 40 anos. Gaúcha de Porto Alegre (RS), Luiza Bairros se mudou para a Bahia em agosto de 1979, após ter contato com o Movimento Negro Unificado durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, meses antes, em Fortaleza. Luiza Bairros era mestre em ciências sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutora em sociologia pela Michigan State University. Ela se graduou em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e era especialista em Planejamento Regional pela Universidade Federal do Ceará.

"Hoje é um dia triste para todos do movimento negro e daqueles que lutam pela igualdade racial no Brasil. A morte da querida Luiza Bairros, ex-ministra da Promoção da Igualdade Racial em meu primeiro governo, deixa a todos nós muito consternados. Luiza foi uma incansável militante da causa negra e da democracia brasileira. Sua obra permanece viva e continua sendo um símbolo da luta contra o preconceito e em favor das melhores causas da vida política nacional" - Dilma Rousseff

"Perdi uma mãe, uma amiga, uma companheira, uma referência para toda vida, a mais ousada e primorosa combinação de inteligência, disciplina, generosidade e coerência que o movimento negro produziu nos últimos 40 anos" - Felipe Freitas

“Faleceu na manhã de hoje, 12 de Julho de 2016, minha grande amiga, companheira de muitas lutas, Luiza Bairros. Meu coração está contrito de dor com a perda, mas certa de que esta grande mulher cumpriu seu papel na história da luta dos oprimidos, especialmente da população negra, neste país e no mundo. Que descanse em paz!” - Silvany Euclenio

“Acordei assustada hoje. Tinha tanta coisa dentro de mim, mas tinha um aperto. A gente sempre pensa nos mais proximos. Em seguida soube Luiza Bairros arrumara as malas e com a autonomia das preta acreditou que podia e foi para a grande viagem no grande rio. Que mulher atrevida achou mesmo que este rebanho enorme está pronto para não ouvir mais aquela voz meio rouca baixa. Centrada ponderada. Meu Nzambi . Matamba receba ai esta rainha. Vai cansada das batalhas com a luta incessante ao racismo. A gente se encontra na luta porque você está presente.” - Kota Mulanji/ Regina Nogueira

“LUTO na LUTA! Compromisso com a LUTA PRETA! Valeu Luísa! Valeu Ministra!” - Vilma Piedade

“Perdemos uma grande aliada na luta contra o racismo é no combate ao racismo contra as tradições de Matriz Africana.” - Mãe Nalva de Oxum

“Acho que é a 1a vez que o falecimento de uma (ex) ministra me abalou emocionalmente, estou muito triste com a morte de Luiza Helena Bairros” Táta Kinamboji/ Arthur Leandro

“A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que fizeram parte de minha vida terrena, sem tirá-las do meu coração, sorrir às pessoas que não gostam de mim, para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam calar-me para ouvir, aprender com meus erros, afinal, eu posso ser sempre melhor! Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar, a abrir minhas janelas para o mundo. E não temer o futuro... A lutar contra as injustiças, sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo. Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar. Vá companheira LUIZA BARRIOS, tenho certeza que DEUS já acolheu a sua ALMA e esta confortando os seus familiares, amigos e todo o povo negro que você tão bem defendeu e representou. Vá em PAZ missão cumprida!” - Mestre Pernambuco


“Muito obrigada por sua luta pela igualdade racial no Brasil. Mulher negra, intelectual, militante honesta, vibrante. Obrigado. O OLODUM deseja luz para você neste novo plano“ João Jorge

“Minha amiga e amada Luiza Bairros, que o Olorum a receba com as honras que ela merece” - Leonor Araújo

“Sentimos todos pois saudou em muitas construções e fez a diferença em suas falas e atitudes no movimento social. Lamentável. Só nos resta dar prosseguimento à sua luta que é nossa também” Mãe Ligia Borges, de Exu.

“Luiza era um.exemplo de quadro politico do movimento negro. Tinha grandes divergencias com.ela principalmente qdo ela comandava a Seppir. A sua inteligencia e respeito, coisa rara no universo da politica, eram demonstrados com os frequentes convites feitos a mim para seminarios e outras discussoes na secretaria. Isto sem contar com as suas colaborações com a minha coluna Quilombo na Revista Forum. Participei de varios debates com a ministra. Sorriso constante, personalidade forte e inteligencia ímpar. Certa vez comentei com ela que o racismo institucional era expresso no fato dela ser a pessoa que, no ministerio da Dilma, tinha o melhor curriculo (inclusive mais que a própria presidenta). E apesar disso ocupar o ministerio com menor orçamento. Ela me respondeu laconicamente: "pois é". Saudades muitas da querida Luiza. Pessoa cujas discussoes me faziam crescer politica e intelectualmente” - Dennis Oliveira

“Lamentável acordar com essa triste notícia. LUIZA BAIRROS que OLORUN te receba com todas as honras e muita festa no Orun minha querida”- Jorge Cruz

“Muito triste. Uma grande perda para todos/as nós!” - Cristian Ribas



























sábado, 29 de junho de 2013

Colegiado Setorial de Culturas Afro-brasileiras solicitou cinco cadeiras de conselheiros da sociedade no CNPC/MinC.

Socxiedade civil se reuniu pra definir estratégias.
Nos dias 19 e 20 de junho o Colegiado Setorial de Culturas Afro-brasileiras se reuniu em Brasília na sala de reuniões do 12º andar do Edifício Parque Cidade Corporate, a pauta foi a construção do plano setorial de culturas afro-brasileiras, mas os conselheiros da sociedade civil também querem aumentar a participação numeerica de seus representantes no pleno do Conselho Nacional de Políticas Culturais.
Após a abertura dos trabalhos, os conselheiros representantes da sociedade se reuniram na parte externa do prédio para discutir os conceitos e traçar estratégias de atuação no colegiado, e quando retornaram para o salão de reunião a defesa era das culturas de matrizes africanas como suporte para uma política culturalm de combate ao racismo, mas também sentimos a necessidade de exigir do MinC ações concretas de mobilização e garantias de presença e participação dos agentes das culturas afro-brasileiras como delegados estaduais na III Conferência Nacional de Cultura e também no Conselho Nacional de Políticas Culturais.
Táta Kinamboji fez uma avaliação de que o regimento aprovado na reunião do CNPC é prejudicial à participação dos agentes das culturas afro-brasileiras, ele explicou que apresentou e defendeu, junto com Edna Marajoara, conselheira pelo Patrimônio Imaterial, e Isaac Loureiro, Conselheiro pelas Culturas Populares, uma proposta de cota de participação de agentes de culturas tradicionais em todas as etapas da conferiencia, mas que a proposta foi rejeitada tanto pela maioria dos consleheiros do governo quanto pelos conselheiros da sociedade que ainda se faziam presentes no plenário, e que como a única forma de participação na conferência é ser delegado desde a etapa municipal, principalmente nos municípios onde o fundamentalismo cristão tomou conta de executivo e do legislativo, as culturas tradicionais de matriz africana, assim como as culturas quilombolas, serão prejudicadas pelo racismo institucional que prevalece nesses lugares.

A questão é como reverter  esse quadro negativo e garantir a participação de lideranças tradicionais de povos de matriz africana (povos de terreiro) e de lideranças de comunidaddes quilombolas, em municípios onde o racismo institucional mantém essas populações na invisibilidade?
Sem um dispositivo regimental de cota de participação, e nem um outro qualquer que possa permitir que nas etapas estaduais se aceite a participação de delegados de culturas excluídas nas etapas municipais, a proposta foi de que a própria ministra Marta Suplicy se manifeste para que as comissões organizadoras e as delegações das etapas municipais e estaduais tenham entre seus membros os representantes das culturas afro-brasileiras e das culturas tradicionais quilombolas e de matriz africana, ou de terreiro, se preferirem.

Mas essa discussão de garantia de participação não se encerra nas delegações estaduais para a III CNC, e na avaliação dos conselheiros toda essa situação desfavorável também é fruto da invisibilidade das culturas negras no próprio pleno do Conselho Nacional de Políticas Culturais. Afinal, foi o desconhecimento do racismo no contexto de produção das manifestações artísticas e culturais afro-brasileiras, por parte dos conselheiros, o que criou esta situação.
Por esse motivo, o colegiado aprovou a proposta de inclusão de seis cadeiras de conselheiros para o CNPC, uma é para um representante da SEPPIR, é governamental e só depende de vontade política do MinC, as outras vem do desmembramento da única cadeira de "Culturas Afro-brasileiras" em outras cinco representações" 1. Expressões artístcas culturais afro-brasileiras (artistas das diversas linguagens como: artes visuais, arte digital, teatro, dança, música, literatura, arquitetura e outras, que se manifestam pela poética de afirmação dos valores civilizatórios afro-brasileiros); 2. Culturas de Comunidades Quilombolas; 3. Culturas de Povos Tradicionais de Matriz Africana (povos de terreiros); 4. Capoeira; e 5. Cultura Hip-hop, e, considerando que a criação de conselheiros representantes das linguagens artísticas de tradição eurocêntrica foi um ato do executivo, a inclusão desses conselheiros também só depende da vontade política do ministério,

Fotos: Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar - Instituto Nangetu, Ponto de Mídia Livre; e Pai Lula Dantas/ Ponto de Cultura Associação do Culto Afro Itabunense.
Vídeo: Pai Lula Dantas/ Ponto de Cultura Associação do Culto Afro Itabunense.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

domingo, 26 de maio de 2013

Disputas partidárias em Belém podem prejudicar participação social na conferência de cultura.

Na tarde da sexta-feria, dia 24 de maio, fomos chamados até o gabinete da presidência da fundação para a instalação da comissão que foi designada para elaborar a minuta do Edital que convoca e define regras para escolhas de representantes da sociedade civil para o Conselho Municipal de políticas culturais - CMPC, como dispõe a Lei Valmir Bispo dos Santos .

Dois fatos que ocorreram durante a reunião merecem uma maior atenção:
  1. A coordenação do Fórum Municipal de Cultura/ FMC questionou a escolha da FUMBEL quanto à representação da sociedade civil (1 vaga para o DMC, 1 para o Fórum Estadual Setorial de Culturas Afro-brasileiras, e 1 para o Sindicato dos Músicios Profissionais do Estado do Pará), e requereu para si as três vagas de representação e participação da sociedade civil na elaboração do Edital de eleição do Comselho Municipal de Políticas Culturais;
  2. A Prefeitura Municipal de Belém, através do assessor jurídico da FUMBEL, ameaçou não realizar a conferência municipal de cultura em tempo hábil para enviar delegados para as conferências estadual e nacional, e ainda disse que nada impedia que a PMB fizesse a sua própria conferencia independente das demais etapas da II CNC.
1. O dono da bola, ou quem é sociedade civil?
Nós, do Fórum Estadual Setorial de Culturas Afro-brasileiras, formado em 2012 como exigência do MinC para eleger delegados setoriais para o Fórum Nacional de Culturas Afro-brasileiras que escolheu os Conselheiros titulares e suplentes para o Colegiado Setorial de Culturas Afro-brasileiras do Conselho Nacional de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, nos consideramos legítimos representantes de uma parcela da  sociedade civil e da militância cultural, e por esse motivo nós nos reunimos em 27 de abril de 2013 e decidimos nos apresentar e nos qualificar junto à FUMBEL, e argumentamos a especificidade do universo da produção cultural afro-brasileira, composta por povos e comunidades tradicionais e culturas de periferias urbanas, e da histórica exclusão dessas culturas do financiamento estatal, para requerer uma  vaga de participação social nesse processo.
Fomos recebidos em audiência pela presidente da FUMBEL, Heliana Jatene, em 16 de maio de 2013, momento em que foi possível aprofundar a diálogo com a gestão municipal e apresentar as formas de muito particulares de organizaação dos produtores culturais negros que fazem parte do nosso fórum, os argumentos que temos para incluir essas organizações entre aquelas que podem se qualificar para apresentar candidatos para o CMPC, e discutimos também como o racismo nos exclui dao financiamento da política cultural e outras questões que nos levavam a almejar uma vaga nessa comissão e em todo o processo futuro de implantação e adequação da Lei Valmir à realidade de produção cultural em Belém.
Disemos que toda essa discussão, se teve mesmo espaço dentro do FMC, não foi absorvida e nem percebida no discurso de defesa geral da cultura, e que por isso não nos sentíamos contemplados pelas propostas e representaçnao do FMC.
Ninguém desmerece o FMC no acompanhamento do processo de criação da Lei , mas atualmente o que se percebe no discurso do Valcir Santos e do Marquinho do PT, coordenadores do FMC, é que eles se utilizam desse argumento de que os membros do FMC são (os únicos?) protagonistas atuantes desde o início do processo, para dizer que devem serr os únicos representantes da sociedade. Posição que pelo exposto acima, discordamos.
Podemos dizer, ainda, nenhum desses dois atuais coordenadores do FMC que fizeram a interlocução na reunião de instalação da comissão, estavam na categoria "sociedade" da militância cultural quando do inicio desse processo, pois o Marquinho era vereador (portanto ocupando o cargo de parlamentar, o parlamentar que apresentou o projeto de Lei), e o Valcir se integra ao movimento cultural apenas após a morte do irmão, Valmir, há pouco mais de um ano.
Ou seja, se formos utilizar os argumentos do FMC para caracterizar os seus coordenadores, pessoalmente eles não estão no acompanhamento social desde o início do processo e também não cumprem com os requisitos que querem impor como critério de escolha das organizações sociais que indicam representantes sociais para a FUMBEL
Além do mais, dá pra perceber que a disputa por essas indicações tem, no fundo, um cunho partidário, pois mais parece um jogo de forças entre a gestão municipal e os partidos de oposição, e enquanto eles brigam unicamente por poder, quem defende os interesses da sociedade vai ficando à margem do processo.
Mas qualquer das organizações sociais poderia (e deveria) se qualificar nesse processo, pois apesar do FMC se considerar 'o dono da bola', o jogo é de toda a sociedade, independente de fazer parte deste ou daquele fórum.

O risco de Belém não fazer a Conferência Municipal de Cultura.
Nessa reunião eu escutei o assessor jurídico da FUMBEL dizer que não dará tempo de concluir o processo eleitoral do conselho em tempo de fazer a conferencia municipal, que tem de ser convocada até 29 de junho para acontecer até 14 de julho, eles dizem que a Lei vinculou o conselho à conferencia e que não dá pra fazer as duas coisas dentro do prazo da convocação do MINC.
Se assim for feito, a Prefeitura Municipal de Belém  vai excluir os agentes e produtores de arte e cultura de Belém do processo de dialogo que é nacional, e vai fazer isso na base....
Enfim, nós, sociedade, podemos convocar as etapas da conferencia, e precisamos ao menos do MinC nesse processo, inclusive por que, sem a anuência do estado do Pará e do municipio de Belém, quem vai bancar o transporte da delegação paraense pra III CNC?
Se conincidiu o período de implantação do consleho com o periodo da conferencia, podemos  até programar de eleger os conselheiros durante a conferencia municipal.
O que não é possível, é que os interesses (partdários?) dos gestores da prefeitura de Belém, tentem se utilizar da Lei que integra o município no SNC - Sistema Nacional de Cultura, para promover a exclusão dos artistas e agentes culturais de Belém do processo de diálogo nacional.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Parte deles está surda e não nos ouve, mas parte deles...


Estive numa plenária do Fórum Municipal de Cultura que ocorreu nesta terça-feira no auditório do MinC, fui lá explicar e debater as estratégias e os encaminhamentos que decidimos em conjunto no Fórum Estadual Setorial de Culturas Afro-brasileiras.
Do que pude perceber, é evidente que tanto a coordenação do fórum quanto a maioria dos seus membros não compreende as especificidades do contexto de produção dos agentes das culturas afro-brasileiras, e nem tampouco as características das relações socio-culturais dos povos e comunidades tradicionais. Para eles nós ainda deveríamos ter nos comportado como ONG da sociedade civil e ter somado com as demais organizações daquele fórum.
Entertanto considero que estreitar laços de aproximação,  antendo a distância necessária, vai ser proveitoso para ambas as partes.

domingo, 10 de março de 2013

A cidade (também) é nossa!


Os registros da ação fazem parte da exposição coletiva "Nós de Aruanda - artistas de terreiro", em cartaz na Galeria Theodoro Braga/ CENTUR de 8 a 22 de março de 2013.

Rebatizado do elevado - agora se chama elevado do Exu de Mãe Celina
Proposição de Arthur Leandro, realização coletiva.
Ritual poético de re-batismo do elevado Daniel Berg em Belém/PA.

Nós também temos o direito à memória da cidade, e a história desta encruza das avenidas Pedro Álvares Cabral e Júlio César conta muito mais que ela é a encruza do Exu de Mãe Celina do que um lugar que reverencie o Daniel Berg.
O que fizemos foi mandar o Berg procurar o verdadeiro lugar dele para evidencir aquilo que se queria manter no submundo dessa política de esquecimento, ou de apagamento dos rastros dos povos de terreiro na cidade de Belém, ou, ainda, manter viva a memória que o fundamentalismo cristão queria deixar no subterrâneo.... e trouxemos à tona a memória social de Belém ao tomar este lugar de assalto e num ato poético e ritualístico devolver a posse e a memória do lugar a quem de direito, o Exu de Mãe Celina...


E aproveitamos a primeira segunda-feira deste março que se comemora a resistência de luta de Mãe Doca por liberdade religiosa para provocar a cidade a debater questões como esta, qual é o lugar dos Povos Tradicionais de Terreiros na espaço público de Belém? E se Mãe Doca foi presa por diversas vezes em nome do seu direito humano de consciência religiosa, talvez nossa geração precise arriscar ser presa para conquistar a cidadania, os espaços políticos e o direito à memória....

Neste ritual a principal memória talvez tenha sido a olfativa..... com a fluída defumação que trouxe lembranças que pode preencher lacunas que nos distanciavam dessa encruza...



Fotos de Arthur Leandro, Deiza Melo e Kátia Simone Araújo.

 texto de Kátia Hadad sovre este trabalho.
Eu dormi, perdi a hora, mas acontece, que estive na noite anterior na procura do Arthur Leandro, nos preparativos, e a história de ser preso, foi muito bem colocado...
Na época de Mãe Celina era assim: era ela enfrentando os intolerantes, a polícia e tudo o mais, nossos inimigos eram outros. Vendo as fotos me emocionei, conheci Mãe Celina de perto, minhas filhas estudaram na ESCOLINHA DA MÃE CELINA, todo o seu maternal, sim porque ela fundou uma escolinha pra atender as necessidades de mães de terreiro que moravam na Sacramenta, nosso bairro, convivemos com ela, eu e minha saudosa mãe.
O que vicês fizeram é uma justa homenagem a esta mulher Guerreira de Yansã com Ogum, que em sua epóca fez nome e história nos enfrentamentos pela afirmação de sua fé.
Foi Celina Soares da Costa a primeira mãe de santo em Belém do Pará, a sair do conforto de seu Terreiro localizado no bairro da Sacramenta, (precisamente na Trav. Mucajá Pass. Bom Sossego n.5 onde hoje é um prédio de Kit nets, mas, ainda moram vizinhos dela que podem confirmar tal coragem na década de 70), com suas roupas e fios de contas religiosos e ir pra encruzilhada reverenciar Exú Tiriri, o guardião de sua casa e de sua vida.
Que seu Tiriri ilumine os nossos caminhos nesta árdua jornada que enfrentamos todos os dias, que ilumine você, Arthur Leandro, um homem de uma sensibilidade inigualável, pois, reconhecer a legitimidade do que Mãe Celina fazia através da memória de suas práticas, é ser grande literalmente como você é, em seus valores e aptidões artísticas e mais ,no exercício de respeito ao diferente, pois, você é de Candomblé Angola e Mãe Celina foi Umbanda e Mina Nagô.
Mãe Celina é falecida em 3 de dezembro de 2003 e enterrada no Cemitério São Jorge no dia 4 de Dezembro - dia de Santa Bárbara que no Sincretismo figura Yansã, o que na época só reforçou o conceito de sua coragem e valentia para quem teve o privilégio de conhecer e conviver com ela; e agora vc Arthur traz no reviver de nossa memória uma lenda , um mito para a reverência de muitos e para o conhecimento e curiosidade de todos.
Laroiê seu Tiriri, Salve Mãe Celina, Salve Mãe Doca, Salve todos nós que temos missões espirituais a cumprir, Salve Arthur Leandro, Salve o Mês de MARÇO, MÊS DA MULHER, MÊS DAS COMEMORAÇÕES DAS LEIS MUNICIPA E ESTADUAL, 18 DE MARÇO DIA MUNICIPAL E ESTADUAL DA UMBANDA E DA RELIGIÃO AFRO BRASILEIRA. MAEZU.
Mametu Kátia Hadad


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Resenha: FARFALHANDO A CARTOGRAFIA DA COR NEGREIRA.

FARFALHANDO A CARTOGRAFIA DA COR NEGREIRA
Por Socorro Patelo
Resenha do livro Cartografia social dos afrorreligiosos em Belém do Pará.
-->
VALLE, Camila do (Org.) et all. 
Ed: Rio de Janeiro, Belém: Casa 8, IPHAN, 2012. 190p .
        De início pensei em encontrar mapas, pensando em cartografia como arte de compor mapas, no caso mapeamento social dos afrorreligiosos de Belém. Mas me deparei com um quadro social descritivo das diversas comunidades religiosas de origem africana, que, de uma forma anti literária, traduzem suas experiências místicas e o conflito entre o mundo de seus deuses e o mundo político dos brasileiros, onde estão inseridos.
Reunidos em terreiros – palavra portuguesa para área de terra – que em yoruba é egbe; ou casa (ilé, ou ilé axé, casa de axé), ou como dizem os pertencentes à nação Angola (manso, Abassá, inso ou cazuá Ngunzo-Ngunzo); ou o chamado barracão, onde eles colocam em xeque os discursos historicamente estabelecidos como lógicos, que se pretende fixar e explicar objetivamente.
Quando os povos africanos vieram para o Brasil, a intenção é que perdessem tudo: liberdade, família, língua, nação, tribo a que pertenciam e tudo o mais que poderia identifica-los como pessoas. A tragédia social que viveram teve a fé em suas divindades, como único sustentáculo e força de preservação de humanidade e valores civilizatórios. Foi a fé que manteve (e mantém) suas identidades, ainda que, com o decorrer do tempo tenha havido sincretismo, mudanças em suas práticas, através da mútua influência das várias nações, dos vários dialetos que falavam, assim como de outros povos oprimidos, como os povos indígenas.
A desconstrução de suas identidades levou-os à construção de uma identidade religiosa e cultural (africana) formada das diversas nações (Umbanda, Mina Jeje Nagô, Angola, Keto Jeje Savatu e a Pajelança). Eles se reconstroem nos terreiros, dando significados às suas próprias vidas, na cena de seus signos sagrados, sua música e sua dança (uma espécie de dança de roda de Angola, que em banto era semba, ou samba, na língua quicongo e na língua umbundu, significava "agitado"),assim como em seus adereços (colares, pulseiras, tiaras etc.).
Em cada detalhe, esses povos também se reconstroem em uma África brasileira e amazônida. A terra de origem tem o caráter mágico no papel de um elemento crítico e valorativo. O mágico é a dimensão da origem. Eles são africanos, ainda que tanto tempo tenha se passado. Sua origem não foi perdida com a tentativa de desconstrução social. No interior dos terreiros, eles detêm um conhecimento que não lhes pertencem e que é passado às gerações posteriores através da oralidade e da memória. É Ifá (o oráculo) quem profetiza e dá as orientações e desejos dos orixás (entre os Yorubas) ou Jinkisis (entre os de Angola), pois tudo tem um segredo divino. “Tudo tem fundamento e tudo tem um tempo.” Nada há de natural na natureza. Ela é ao mesmo tempo cultural, natural e divina.
Mas para a socierdade brasileira o caráter de suas comunidades foi lapidado nos preconceitos, na intolerância social, na repressão, na incompreensão e nas violências que sofreram e que ainda hoje sofrem como demonstram seus depoimentos. Ainda assim, preservam suas tradições. Mesmo que a complexidade de suas relações e diferenças ritualísticas manifestados nas várias nações e segmentos, eles se adequam às circunstâncias políticosociais, buscando cidadania, liberdade de expressão, liberdade religiosa, o direito de oferecer suas oferendas aos seus orixás, de confortar doentes em hospitais, de cultuar os ancestrais nos cemitérios.
O mapeamento tem por base a visualização dessas diversas nações e seu fortalecimento como religião, buscando minimizar os distanciamentos que impedem a aceitação de culturas diferentes, combatendo a discriminação religiosa, melhorando a relação entre suas próprias comunidades e ainda, buscando interação com população. Na visibilidade social e política, eles tem procurado sair do anonimato a que foram relegados para mostrar que, como toda religião verdadeira, também buscam a paz, a harmonia social, promovem trabalhos sociais, inclusive filantrópicos e merecem o respeito dos demais.
Os depoimentos contidos no livro são importantes como objeto de estudos, seja na área de direitos humanos, posto que seus personagens clamem serem justiçados e verdadeiramente legalizados; seja na área da política democrática, sinônimo de igualdade; seja nas dimensões culturais da antropologia, pesquisando-se a relação identidade e alteridade; seja porque contém rico material para o campo de pesquisa da psicologia social e os fenômenos de grupos – algozes e/ou vítimas – de racismo, fanatismo, linchamentos, perseguições, etc., podendo abranger estudos da sociologia, da ciência política, da pedagogia (vide Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido) e da filosofia, que reflete sobre toda atividade humana, na busca de seu significado.
O grupo de afrorreligiosos é como “Macunaíma” de Mário de Andrade, que nasceu “preto retinto e filho do medo e da noite”. Na atualidade, o medo que os acuava está se expondo à sociedade, para que esta possa conhecer a riqueza desse grupo que manifesta sua visibilidade. Para compreendê-los é preciso imergir em sua cultura, desfazendo o ofuscamento social secular.
Com essa cartografia, eles esperam que Marx tenha razão, e que “tudo que é sólido se desmanche no ar”, fazendo ruir o sólido império do preconceito e da discriminação que os situa na exclusão social prejudicial aos seus direitos humanos mais fundamentais de igualdade e de liberdade.
São Paulo/SP, fevereiro de 2013.

Socorro Patello
Profa. de Filosofia aposentada/ UFPA

A Prática e a Teoria no Cineclubismo Brasileiro

Participantes presenciais da Pré-jornada Nacional de Cinecubes, em Santa Maria/ RS - julho de 2012.

-->
A Prática e a Teoria no Cineclubismo Brasileiro
por Gilvan Veiga Dockhorn

Escrevo de imediato que este texto é um conjunto de pensamentos que me ocorreu após leitura atenta do artigo Fique são ou A horizontalidade rasteira - Desinformação eilusão de Felipe Macedo publicizado na lista CNC Diálogo.
Escrevo também que ao contrário do referido artigo não pretendo - por total ausência de competência ou sapiência mesmo - “esclarecer os menos informados, sobre as diversas ficções que estão prevalecendo neste momento praticamente caótico do nosso movimento”. Um dia, quem sabe, chegarei lá…
Mas antes de tudo, saúdo a possibilidade do debate e discussão oriundas do artigo provocativo que Felipe Macedo postou. Sua farta produção tem feito avançar questões importantes no estudo do cineclubismo como a adoção do Dia do Público e temas como o Primeiro Cineclube e por consequencia o Centenário do Cineclubismo. O esforço teórico deve ser reconhecido e discutir essa produção é uma demonstração de reconhecimento e respeito ao autor, mesmo que o conteúdo do artigo não trate seus possíveis interlocutores de forma respeitosa.
Contudo, expor idéias e teses inclui estar aberto à crítica e a refutação, mais ainda em se tratando o artigo de um conjunto de análises e posições que podem ser consideradas, no mínimo, polêmicas e não consensuais.

Discutindo a Tese do Catastrofismo Cineclubista
Não me parece correta a afirmação que dá argumento e sustenta uma das teses centrais do artigo de Felipe Macedo, a saber, que o “movimento cineclubista brasileiro está passando por uma crise bastante séria” muito menos que esta suposta crise seja “talvez terminal”.
Talvez tomado pelas previções e profecias de final do mundo muito em voga em 2012, Felipe Macedo também tenha se empolgado à ponto de decretar o final do movimento cineclubista brasileiro para os próximos tempos.
Porém devo fazer justiça, há muitos anos Felipe Macedo vem decretando o final do movimento cineclubista organizado, quem sabe um dia acerte, mas não será agora.
A tese de crise terminal é frágil. Primeiro porque teria dificuldade, e creio que muitos com capacidade intelectual mediana e sinapses normais assim o teriam, em identificar e dar características uniformes à prática cineclubista e as diversas formas de atuação e organização cineclubistas espalhadas pelo país. E são muitas mesmo…
Como que para apontar os responsáveis por essa suposta crise terminal, Felipe Macedo classifica os cineclubistas em quatro grupos, e os listo abaixo conforme o artigo define

1) “os isentos de responsabilidade”;
2) “os dedicados a acabar com o cineclubismo associativo e democrático”;
3) “os entusiasmados mas ingênuos e inexperientes”,
4) “a maioria silenciosa”.

Me parece complexo, discutível e superficial essa imposição classificatória, mas enfim, deve ser um elemento democrático que me escapa.
Ainda tento me inserir e inserir meus companheiros de Cineclube Abelin Nas Nuvens em uma destas categorias… E perguntaria, em qual destas você está Felipe?
Obviamente, se me parece difícil dar concretude monolítica ao “movimento cineclubista brasileiro” mais difícil ainda identificar uma crise, e mais ainda determinar ou sentenciar que esta é terminal no cineclubismo brasileiro. E mesmo se crise houvesse, me parece que muito árdua é a tarefa de encontrar os salvadores do cineclubismo brasileiro, mesmo que candidatos não faltem.
Seria interessante ampliar o leque de análise e perceber a conjuntura em que se insere não apenas o cineclubismo organizado ou modalidades de expressão/interação cultural e simbólica em contextos associativos, mas todos os movimentos sociais desde o advento do verdadeiro “Estado de Bem Estar Social Tardio” com os mandatos de Lula e de Dilma.
Por certo a partir do primeiro governo Lula (2003) avançou a participação do Estado na cultura em contraposição ao Estado mínimo dos períodos Collor, Itamar e Fernando Henrique. Se efetivou um novo modelo de gestão cultural com o ministro Gilberto Gil através de canais de interlocução entre a sociedade civil e o MinC (também época de rearticulação do movimento cineclubista). Novas definições conceituais para a cultura tendo por base sua dimensão antropológica acabaram por instituír um conjunto de políticas públicas diferenciadas. Sem mencionar o fato da criação efetiva de um Ministério da Cultura até então inexistente.
Por outro lado, vários militantes da cultura foram alçados à cargos governamentais e o governo criou estratégias para envolver os movimentos pela cultura em sua plataforma política. Isso acabou, no mínimo, engessando ou cooptando os movimentos sociais.
Incrivelmente essa discussão não é realizada ou é exposta ligeiramente, parecendo ao leitor que o cineclubismo age de moto próprio, sem nenhuma relação com os processos sociais, culturais, econômicos e politicos em curso. Ou seja, o momento atual do cineclubismo, das ações dos cineclubes e do CNC estão descontextualizados, logo, se as coisas não ocorrem, ou não se desenvolvem como supostamente deveriam, o problema é exclusivamente da enganosa direção da entidade nacional dos cineclubes ou de sua despolitizada base, inerte e inoperante.
Uma leitura do velho Marx ajudaria, pois à muito mencionou que os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.
Creio que ao sentenciar o apocalipse de uma atividade centenária e uma organização com mais de 50 anos seria adequado ser feita menção ao processo que desarticulou grande parte dos movimentos sociais, o neoliberalismo que chegou ao Brasil nos anos de 1990, alterou as estruturas, o cenário e os movimentos politicos (precarização das relações de trabalho, privatização do patrimônio estatal, abertura dos mercados internos ao capital internacional, recolonização imperialista, imposição do pensamento único…), mudou não somente as formas de luta, mas essencialmente a disposição para a luta.
No início do século XXI, as políticas de redistribuição de renda e inversão de prioridades nas políticas governamentais (assistencialistas para alguns) fizeram com que, salvo raras exceções, os movimentos sociais passassem do embate à adesão. A participação nos projetos governamentais e a dependência econômica aos governos fez com que as críticas às estruturas da sociedade capitalista cedessem lugar à um certo tipo de pacto de silêncio, com isso adentramos em um período explícito de acomodação, dependência e brados por um Estado burguês honesto.
Mesmo assim as lutas não cessaram e o ativismo seguiu.
A preocupação com a questão da autonomia foi tamanha que criamos um grupo de trabalho na última Jornada Nacional de Cineclubes em Moreno/PE para debatermos a autosustentabilidade da prática cineclubista.
Nesse cenário generalizado de desorientação política, estão inseridos o cineclubismo organizado e sua entidade nacional.

A partir dessa contextualização poderemos ter um panorama mais próximo do real a respeito da prática e atuação política dos cineclubes nos últimos tempos.
Um exercício interessante seria observar e realizar uma análise atenta os dados provenientes da campanha de recadastramento do CNC (dados parciais apresentados na Pré Jornada Nacional de 2012 em Santa Maria/RS e divulgados nas listas) para perceber que muitos cineclubes são para além de “uma atividade mais ou menos periódica de exibição”. Se configuram como a única possibilidade de comunidades terem acesso à produção audiovisual e ao mesmo tempo se constituem nos únicos locais de socialização que não operam na lógica do mercado.
Entre os 455 cineclubes e entidades regionais filiados, temos 70% na região historicamente mais desfavorecida do país – em termos de projetos de desenvolvimento – o norte/nordeste. Se tivesse observado os dados perceberia Felipe que 68% dos cineclubes se localizam no interior dos estados e que, em números absolutos, o Pará tem 44% dos seus municípios com cineclubes.
Possivelmente o interesse destes cineclubes estejam distantes da idealização política que se pretende. Possivelmente, os cineclubes dialoguem mais com questões práticas de sua atvidade, como a questão de acervo, garantia de espaço de exibição, equipamento, manutenção das sessões, debate sobre direitos autorais, organização em rede, formação de público e apropriação da linguagem cinematográfica.
Esses temas povoam as necessidades imediatas dos cineclubes, antes da tarefa histórica (segundo os teóricos) que os cineclubes deveriam desempenhar, ou seja, ainda se luta pela sobrevivência da própria atividade e isso são formas de luta e manifestação da politização dos cineclubes em tempos onde prevalecem os projetos individuais e o entretenimento estéril.
Isso só sabe quem está na luta, quem arruma salas (em sua maioria improvisadas), organiza ciclos, debates, oficinas de formação, mostras, busca mecanismos de divulgação, se preocupa com os caixas de som estouradas, cabos rompidos e dvds que travam, corre atrás de verbas e passa um boa parte de seus dias ligado à efetivação das sessões.
Pode parecer pouco ou prática alienada para quem espera que os cineclubes assumam a vanguarda revolucionária e invertam o desigual modelo audiovisual brasileiro (coisa que até aqui não foi realizado nem mesmo em etapas exuberantes do cineclubismo organizado), mas é muito para quem historicamente foi excluído de todos os processos de acesso, fruição e produção de bens culturais imateriais.
O público destes cineclubes não se constitui apenas como platéia ou massa ignorante a ser alfabetizada, é muita presunção desqualificar o processo em curso ou as atividades que não chegam às listas, blogs ou não sirvam de base para trabalhos acadêmicos.
Concomitante à tarefa de pensar a dinamização da entidade representativa dos cineclubes (o CNC), temos de refletir sobre as formas de existência dos cineclubes e as imensas dificuldades que se apresentam em garantir a periodicidade de suas ações.
Basta ver que são raros, menos de 2%, os cineclubes que mantém a prática de cobrança de taxa de manutenção pois em sua maioria o público não tem condições para tal. Com todas as limitações que possam ser creditadas, os programas governamentais e as parcerias com instituições (universidades, escolas, associações comunitárias e sindicatos) garantem o funcionamento da quase totalidade dos cineclubes no país.
Também é presunçosa a observação do cineclubismo brasileiro da estrita (e estreita) perspectiva de uma lista de debates e informação; o cineclubismo brasileiro não se resume à participações na lista CNC Diálogo mesmo que esta tenha 1260 assinantes (sendo que nem todos estão vinculados à cineclubes em atividade).
Tão limitada quanto à participação nas listas (uma das críticas feitas no artigo) é se basear nela para cravar que o cineclubismo nada produz à altura dos teóricos cineclubistas (ou cineclubistas de caneta e papel).
Estas posições nos mostram uma prepotência digna das vetustas intelectualidades esquerdistas brasileiras que não percebem luta quando não são protagonistas desta ou mesmo quando não são chamadas à liderar tais lutas.
Felipe Macedo afirma em seu artigo que temos um movimento desorganizado que é ignorado pelo Estado e sociedade. Não chego a discordar de todo, mas ousaria dizer que talvez o cineclubismo contemporâneo tenha mudado ao longo dos anos e que possivelmente, o Estado e a sociedade tenham se alterado o suficiente para que contextos associativos não tenham a menor influência em políticas públicas ou programas governamentais.
Não apenas o cineclubismo, mas sindicatos (vide a greve dos professores e técnicos administrativos das universidades federais), associações e movimentos sociais diversos (como o MST) pouco tem influenciado nas decisões de Estado.
Não percebo o cineclubismo isolado, atomizado ou muito menos que esteja vivendo uma das “entresafras históricas em que o cineclubismo some para o opinião pública e a sociedade, mantendo-se apenas como atividades singulares e irregulares”.
Não teria a pretensão de afirmar para onde caminha o cineclubismo, mas posso garantir que o CNC, como entidade representativa dos cineclubes organizados, irá para onde sua base assim desejar, para o bem e para o mal.
Em que pese algumas tendências, acredito que a palavra cineclube ainda seja suficientemente ampla para designar o conjunto de atividades que vão desde uma sessão de exibição de conteúdo audiovisual até os espaços que se pretendem devolver ao público suas condições de apropriação dos sentidos da produção cultural. Aqui lembro das acaloradas discussões na Jornada Nacional de Santa Maria em 2006 quando da possibilidade de definição de um conceito único de cineclube para fins de regulamentação da atividade pela Ancine.
E se se identifica que a entidade nacional dos cineclubes está com dificuldades (o que não seria novidade pois já esteve em outros momentos e em outras décadas, chegando mesmo a acabar) o mesmo não se pode dizer dos cineclubes, estes estão à pleno. A entidade em nenhum momento pode estar acima da prática e da atividade cineclubista.
Creio que uma análise construtiva e propositiva teria de identificar as peculiaridades do cineclubismo no Brasil que não apenas o distinguem de outras experiências no mundo como não cabem em uma designação única; seria possível falar em cineclubismo do Brasil? Ou o correto seria mencionar as mais diversas experiências do cineclubismo brasileiro.
Possivelmente estas caracterísiticas multiculturais dos cineclubes definam um tanto das dificuldades de uma instituição nacional que pretenda representá-los. Basta ver que a direção do CNC é composta de 26 membros de 16 estados diferentes e o Conselho de Representantes do CNC por 13 membros de 10 estados diferentes.
Ao todo, 39 membros de todas as regiões do país, do Acre ao Rio Grande do Sul, de Pernambuco à Goiânia, ou seja, para garantir a necessária representatividade e legitimidade, a estrutura do CNC deixou de ser funcional. Temos de pensar em como equalizar a representação e a operacionalidade da entidade.


Equívocos intensionais

Passo a debater alguns temas tratados no artigo que, com a trajetória do autor, não podem ser observados como simples equívocos.

· Personalização e Omissão de personagens:
Se o artigo pretende informar a grande massa de desinformados retirando-os do verdadeiro limbo em que vivem, seria importante que as várias passagens onde acusações e ilações são feitas sejam credidatas aos responsáveis. Que informação é essa que ignora os agentes e os atores dos processos.
Assim perguntaria, quem são os que querem destruir o cineclubismo? Quem quer dar um golpe e ocupar ilegitimamente a direção do CNC? Porque querem dar um golpe nessa entidade? Quem são as duas pessoas que foram a direção do CNC durante todo processo de rearticulação do movimento (2004-2010) e que impediram a democratização da entidade? Por acaso o autor do artigo esqueceu-se, convenientemente, que também fez parte da direção do CNC nesse mesmo periodo e que durante um bom tempo acumulou a função de direção com a de presidente de federação estadual?
Algumas informações faço questão de desvelar, como quando menciona o fato de “houve quem, (os de sempre) sugerisse que se aproveitasse a oportunidade para mudar os estatutos do CNC”, poderia dizer explicitamente, eu, Gilvan Dockhorn, quem alertou para o fato de que qualquer mudança estatutária (especificamente tratávamos da alteração no prazo do mandato da nova diretoria, pois havia a sugestão nas listas de um mandato tampão) somente poderia ser feito em uma Assembléia Geral, maior instância decisória do CNC.
O artigo, ao não nominar ninguém, lança suspeitas e desconfiança sobre todos, jogando todos em um lixo de desonestidade.
Por outro lado, se o essencial em um artigo de elucidação dos ignorantes foi sonegado, minguando nomes, abunda o personalismo.
Vejamos: o marco politico da decadência do CNC e dependência em relação ao Estado foi “o afastamento do autor da coordenação das oficinas e do manual do cineclubismo”. Ao mencionar a Pré-Jornada Nacional de Cineclubes, realizada em 2012 em Santa Maria/RS, novamente o “eu que não fui convidado” surge. Em resposta à uma mensagem na lista “não sei se me convidarão para esta reunião” em referência à Assembléia Geral Extraordinária. Como se o autor fosse um neófito em questões estatutárias e não soubesse que todos os cineclubes filiados tem direito de participar das atividades do CNC (basta acionar o cineclube em que está vinculado e se habilitar a representá-lo).
Mas mesmo que o cineclube não esteja filiado ou em dia com suas anuidades, ou mesmo que o interessado sequer seja cineclubista, ainda assim todas as atividades do CNC são abertas à participação.
E eu me pergunto aqui sorvendo meu mate, se nossos meios de divulgação são mensagens via email para a lista CNC Diálogo e para as listas regionais convidando ou convocando todos os cineclubes, cineclubistas e interassados, por que UM cineclubista, deveria receber convite personalizado? Porque UM cineclubista mereceria um tratamento diferenciado. Obviamente esta deferência se justificaria se este UM fosse O elemento de salvação do cineclubismo brasileiro…
Desculpe-me Felipe, mas se esperas um convite especial, em papel timbrado e com o apelo de participação, sinto muito, isso não me parece condizer com a tua enfática defesa da democracia.

· Isolamento em listas:
Precisa ser dito que listas regionais foram criadas pela antiga equipe operacional da Ação Governamental Cine+Cultura.
Membros da direção do CNC fazem parte das listas dos seus respectivos estados de atuação e alguns membros da direção do CNC (presidente, vice presidente, secretário geral e diretor de comunicação) fazem parte de todas as lista.
Ninguém da direção do CNC tem acesso ou o poder de administração destas, somos membros apenas e não temos a possibilidade de incluir ou excluir ninguém. Assim, não há isolamento imposto pela direção do CNC que “emagrece” o debate sobre a situação política da entidade nacional.
Se vivemos a época da “cintura fina” dos debates não se pode creditar ao acesso – ou melhor, a falta dele – em listas que, segundo o próprio autor, dialogam com “cines” (ou “pontos de cultura com vocação digital”) criados pelo governo, despolitizados, que são meros exibibidores e que talvez nem mesmo “tenham uma atividade periódica”, ou seja, não estão à altura da tradição cineclubista.Sugiro pedir inclusão àqueles que podem realmente atendê-lo. Mas me parece incoerente solicitar inclusão em uma lista que apenas dialogo com estes “cines”. Como se diz aqui no Rio Grande do Sul, “pra que queimar pólvora em ximango?”.

· Da Assembléia Geral Extraordinária:
Grave é a alegação que está sendo convocada uma “Jornada exclusivamente eleitoral”.
Tal afirmação não condiz com a trajetória e a dedicação à defesa da legalidade e lisura dos processos estatutários desempenhada pelo autor.
Sendo extraordinária já denota o caráter de urgência e como tal suas limitações em mobilizar ou garantir subsídios à todos os participantes. Vivemos um impasse e temos o compromisso de dar respostas à esse impasse; se fosse de simples resolução teríamos realizado a Jornada Nacional…
A Assembléia Geral Extraordinária foi a solução, última, senão única, para resolver o embrólio jurídico e politico.
E daí os equívocos intencionais, pois o mesmo Felipe Macedo que cobra legalidade agora, sugeriu lá do gélido Canadá – e teve sua proposta aceita – uma ação que agora afirma ser ilegal ou “pequena gambiarra legal” para resolver uma situação limite.
Diga-se ainda, estranho sugerir uma proposta via internet, esta ser debatida e aceita e ainda assim afirmar a falta de lisura e democracia no processo…

· Crise na direção do CNC:

Como dito anteriormente, Felipe Macedo não menciona o fato de ter sido dirigente do CNC até pouco tempo atrás (2010).
O mesmo que cobra entrega, dedicação e desprendimento no desempenho das atividades da direção omite o fato de ter sido convidado, e não ter aceito, o cargo para assessorar a atual gestão. Possivelmente, se tivesse aceito, seguramente muitos de nossos erros teriam sido evitados e hoje a situação da entidade estaria muito melhor...
E é bom lembrar que um pouco do que é a direção e a base do movimento se deve também à direções e bases anteriores, o que somos é em parte o que nos legaram. Cortar a perspectiva histórica às vezes é bem conveniente.
Historicamente a direção do CNC se desintegra ao longo dos seus dois anos de gestão, isso é explicável primeiro pelo número de integrantes, depois pelo fato de que não há nenhum tipo de subsídios, temos de contar com festivais parceiros, por isso os raros encontros presenciais.
Isso explica a grande inovação que foram os encontros via web.
Sempre é bom lembrar que o cineclubismo é uma parte de nossas vidas, importante, fundamental, contudo, não é nossas vidas; para além do cineclube que atuamos e da condição provisória de dirigentes da entidade representativa dos cineclubes, temos questões de trabalho, relações afetivas, de saúde, mudanças drásticas e tal. Não condeno quem não pode cumprir seu mandato e suas designações, cada um tem suas razões e contribuíram na medida do possível.

A Necessidade da Assembléia Geral Extraordinária em Vitória
Não vou adentrar aqui na acusação de incapacidade do CNC de organizar Jornadas e Encontros presenciais, seria um desrespeito aos colegas da Bahia que tanto se esforçam ainda para a realização da Jornada Nacional de Cineclubes, ou dos organizadores da Pré Jornada Nacional de Cineclubes de 2012 em Santa Maria/RS.
Considero a tual composição do Conselho de Representantes como a mais representativa de todos os tempos e original em sua forma de escolha, basta lembrar-mos das questões envolvendo os representantes do Pará, impossibilitado de realizar um único encontro presencial ou uma única reunião virtual.
Se definimos que seria possível organizar a Jornada Nacional até março de 2013, foi exatamente porque acreditamos na possibilidade e nas negociações que estavam (e estão) em curso.
A realização da Jornada Nacional na Bahia (no interior como consta no projeto) será uma enorme conquista, como também o serão a proposta da Distribuidora Cineclubista e a operacionalização da Filmoteca Carlos Vieira, contudo, até a concretização destes projetos temos de resolver a questão jurídico/política do CNC.
O que me parece razoável é que seria mais adequado uma direção com representatividade limitada (em que situação uma direção representaria a totalidade de seus quadros?) do que uma direção sem representatividade alguma.
Se, como defende Felipe Macedo, para não cair na ilegalidade, a direção do CNC deveria realizar eleições até dezembro de 2012, esta somente seria possível – dado a impossibilidade de realização da Jornada Nacional – em uma Assembléia Geral Extraordinária. Então pergunto, se fosse em dezembro, a convocação seria menos “frágil”?
O fato é que os cartórios não aceitam e não reconhecem a atual diretoria do CNC como legal após março de 2013. Esperamos até o limite para que a organização da Jornada Nacional definisse a situação. O limite estatutário foi janeiro de 2013, respeitando os 60 dias prévios para exatamente termos tempo hábil de convocarmos uma Assembléia Geral Extraordinária. Não havia outra solução, a não ser atitude ilegais e imorais.
Mas pergunto, onde se afirma a convocação de uma JORNADA exclusivamente eleitoral? E onde está a defesa de uma eleição indireta?
A convocação por parte da diretoria de uma Assembléia Geral Extraordinária não consta nos estatutos do CNC? Desde quando essa ação é um ato antidemocrático?
A polêmica decisão de adiar a Jornada e, ato contínuo extender o mandato da gestão atual, somente são casos únicos (e não tenho certeza disso) por conta do processo de consulta às bases, tudo foi tratado abertamente.
Se formos adentrar nas questões de falta de representatividade, perguntaria, quantos delegados de cineclubes participaram ativamente das decisões nas Jornadas de Santa Maria (2006), Belo Horizonte (2008) e Moreno (2010)?
E a nova gestão que assumirá em 29 de março em Vitória terá seu mandato curto ou longo conforme decisão da plenária.
Deve-se ser dito que o CNC está inteiramente regularizado, com as contas em dia apesar da quase completa ausência de recursos públicos.

A miopia do olhar externo
É bom lembrar, que se historicamente o CNC estabeleceu, senão uma estrutura, posturas centralizadores, tal modelo foi definido em gestões que tiveram a participação direta de Felipe Macedo. Creio que avançamos muito nesse sentido e o CNC se renovou.
Percebo a horizontalidade ou como queiram definir nas formas de encaminhamento dos debates, embates e decisões, questões que foram abertamente tratadas demonstrando inclusive dissensos internos.
Lembro que assim que a atual gestão assumiu, tivemos um entrevero com a representação da região Centro-Oeste, logo depois, uma grande discussão com o Coletivo Fora do Eixo, na etapa seguinte embates sucessivos com a Secretária do Audiovisual, depois as formas de encaminhamento da composição do Conselho de Representantes.
Todas foram publicizadas assim como os resumos das reuniões da diretoria, todas as correspondências oficiais do CNC, os relatórios da gestão, o parecer do Conselho de Representantes e as definições da Pré-Jornada Nacional de 2012.
Foram realizados os Seminários Cineclubismo, Cinema e Educação, e já mencionada Pré-Jornada Nacional de Cineclubes, histórica por conta da transmissão integral pela web.
Alegar que “é ficcional a contagem de membros do CNC” é demonstração de olhar míope.
Certamente a maioria dos cineclubes estão inadimplentes, afrontando o art.13 do estatuto do CNC, contudo, em todas as Assembléias Gerais das últimas Jornadas (e aqui me refiro à Santa Maria em 2006, Belo Horizonte em 2008 e Moreno em 2010) se decretou a isenção de tal taxa na medida em que se reconhecia as dificuldades enfrentadas pelos cineclubes.
O CNC conta atualmente com 455 cineclubes e entidades regionais filiadas e somente por desconhecimento ou má fé é possível alegar que estes reconhecidos apenas pelos “e-mails recebidos”, temos um cadastro completo com informações que poderiam alterar os argumentos descritos por Felipe Macedo.
Alternativa Sem Perspectiva: Como Realizar uma ampla Jornada Nacional de Cineclubes?
Se a situação do movimento cineclubista é definitiva e terminal, não há o que ser feito,o que não tem solução, solucionado está! Basta agir como a ONU: apontar culpados e contar os mortos!
Não creio nisso. O suposto paciente moribundo está melhor do que desenhado no artigo de Felipe Macedo.
Concretamente, sem auxílio de recursos públicos qualquer iniciativa de Jornada Nacional nos moldes propostos no artigo de Felipe Macedo é inviável.
Mais de um delegado por cineclube, chegaríamos à 1.000 delegados. Mais dias de debates (cinco seria o ideal) com os deslocamentos teríamos uma semana de encontro. A criação de uma comissão não resolveria a questão de recursos para o deslocamento, volto a perguntar, sem auxílio público, de onde sairia o recurso?
Alimentação e hospedagem: em outra mensagem Felipe Macedo sugere a utilização de sacos de dormir e a o uso de merenda escolar. Com o verdeiro temor que a Lei de Responsabilidade Fiscal impõe, qual prefeitura, secretário de educação ou cultura aceitaria isso? Quem está produzindo peças de ficção?
Devemos nos mobilizar para a Assembléia Geral Extraordinária em Vitória/ES. Nela poderemos pensar juntos formas de garantir, e aí concordo com o artigo, uma Comissão Nacional de Apoio para a organização da Jornada concomitante à uma nova nominata para o CNC.
Te convido Felipe Macedo, a participar da organização dos eventos.
Assim, entendo que a grande contradição do artigo de Felipe Macedo é esperar que esta mesma base cineclubista dividida em “isentos de responsabilidade”;“dedicados a acabar com o cineclubismo associativo e democrático”; “entusiasmados e ingênuos inexperientes” e “maioria silenciosa” possa organizar um evento nacional, com representatividade, com compromisso politico com a organização do público e dinamizar o movimento. Como diria o velho bolchevique “Que Fazer?”.

Gilvan Veiga Dockhorn
Cineclube Abelin Nas Nuvens
Silveira Martins/Santa Maria, fevereiro, 2013