quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana vivem em clima de terror no Pará..

Mãe Jucilene Carvalho leu o documento dos povos tradicionais de matriz africana na reunião do CONSEP/ SEGUP-PA.
Em menos de um ano foram seis assassinatos de Pais de Santo na zona metropolitana de Belém, e as comunidades relatam que são obrigadas a conviver com invasões de terreiros, roubos constantes e outras violências cujo único objetivo é aniquilar as práticas tradicionais de matriz africana.
Em agosto de 2016, as autoridades tradicionais protocolaram este oficio ao CONSEP/ SEGUP-PA.

Belém, 10 de agosto de 2016



A Sua Excelências,
Conselheiros e Conselheiras do
CONSEP/PA - Conselho de Segurança Pública do Estado do Pará

Assunto: Denúncias, recomendações e requerimentos sobre casos de violência letal e outras contra povos de religião de matriz africana na área metropolitana de Belém e outros municípios do Pará.






Senhores Conselheiros e Senhoras Conselheiras,

Honradas e honrados em cumprimentar, e, em atenção o assunto acima referenciado, estamos expondo algumas situações fáticas e ao final tecer algumas recomendações através dos Conselheiros e conselheiras da Sociedade Civil neste CONSEP:

Desde o final de 2015 temos observado uma franca e extrema violência letal contra sacerdotes de religiões de matriz africana, conforme abaixo em notícias originadas da imprensa paraense:

No ultimo domingo (07.08.16) as comunidades de matrizes africanas tiveram mais uma noticia que deixou a todos e todas abaladas. O Assassinato de BABA ODÉ SIGBONILE (Pai Mário Cavalcante, no Icuí-Guajará). As primeiras notícias nos deixaram cada vez mais preocupados com as recorrências e os requintes de crueldade na execução de tais crimes. Por exemplo: Sobre o assassinato de BABA ODÉ SIGBONILE. - o motivo é racismo, ele era ameaçado por vizinhos por discordarem de suas praticas tradicionais e religiosas. Também as primeiras notícias nos dão conta de que o IML esteve no local, mas a policia civil chegou muito, mas muito tempo depois. O Boletim de Ocorrência é bastante pobre de informações e irá depender de uma investigação profunda para se conseguir descobrir a autoria do crime. A materialidade, por sua vez nos dá conta de que ele tentou se defender, no entanto foram 12 facadas com faca do tipo peixeira mais ou menos com 25 a 30 centímetros. Também foram retiradas partes de suas mãos e ainda uma parte de sua pele do braço. Antes de ser assassinado, é sabido que o seu terreiro já havia sido invadido por assaltantes que roubaram todos que estavam em uma celebração em cerimônia religiosa.

No velório (dia 08), no terreiro dele, houve ameaças de pessoas em moto (possíveis acusados) que não escondem que querem que o Terreiro saia daquele local, no entanto as pessoas acionaram a PM que lhes deu proteção. Os familiares ainda relatam que seu terreiro foi vítima de roubos sequenciais, chegando ao ponto de levarem todos os equipamentos domésticos, excetuando uma cama e um armário.

Tanto em redes sociais, quanto na imprensa paraense, as autoridades e lideranças de matriz africana tem relatado muitos outros casos de violência, e essa violência sistemática deve ser investigada e combatida.

Diante de tais fatos, nos manifestamos nos seguintes termos:

  1. A conclusão óbvia é que o alvo dos assassinos dos pais de santo são as práticas tradicionais de matriz (origem) africana, é o racismo que move a violência contra nós;
  2. Infelizmente a polícia civil não investiga os reais motivos dos assassinatos de pais e mães de santo, o racismo mata e o racismo institucional não investiga;
  3. Em menos de um ano já são seis assassinatos de autoridades de terreiros de matriz africana na zona metropolitana de Belém;
  4. Se seis padres católicos ou seis pastores de qualquer seita cristã fossem assassinados em série em tão pouco tempo, esta cidade já estaria um reboliço, não é mesmo? Entretanto percebemos um descaso institucional com a vida de pais e mães de santo;
  5. No Pará, o racismo institucional reduz a violência (racista) contra terreiros à briga de vizinhos ou 'ao problema do tráfico';
  6. O que nos leva a crer que para a polícia paraense, a vida de pais e mães de santo vale tão pouco que nem vale a pena investigar os assassinatos dos quais somos vítimas;
  7. Aqui afirmamos que os conflitos com os terreiros não são somente briga de vizinhos, são crimes de motivação por ódio racista;
  8. O que nos leva a pergunta: O Estado do Pará está garantindo direitos constitucionais de liberdade de culto, se ao menos não garante o direito à vida de pais de santo?
  9. As ameaças contra as praticas tradicionais de matriz africana fazem com que os terreiros paraenses vivam em clima de medo e repressão, seja do tráfico, de milícias, de seguidores fanáticos de seitas fanáticas que acham que podem obrigar e oprimir a todos e todas; e por omissão da policia investigativa e da policia ostensiva – que nem protege da violência e tampouco investiga com seriedade os casos que nos vitimizam;
  10. Alguns membros da policia militar e da polícia civil são de religião de origem Cristã e alguns se intitulam nas redes sociais como "soldados de Deus" e aqui reafirmamos que o Estado é Laico (ou deveria ser) e não deve e nem pode seus órgãos e funcionários públicos misturarem suas crenças com suas obrigações públicas.

Para os povos de matriz africana, é bom ressaltar, que se foi crime de racismo religioso, ou como querem alguns, fruto da incontrolável violência urbana, nos sentimos totalmente desamparados, seja na área preventiva e ostensiva (PM) seja na área investigativa e de responsabilização penal (Policia Militar, Ministério Público e Poder Judiciário)

Desta forma, consideramos que algumas medidas são cruciais para a redução dos índices de violência contra os povos tradicionais de matriz africana no Pará:


  1. Imediata inclusão de matéria referente ao respeito às tradições de matriz africana nos cursos de formação de policiais civis e militares, para que o sistema de segurança pública saiba como lidar com povos tradicionais;
  2. A imediata construção de GT neste CONSEP que possa mapear as queixas de violência contra terreiros de comunidadestradicionais de matriz africana, e que também venha a levantar todos os casos, inclusive os acima mencionado. Que esse GT terha a participação de representação de, pelo menos, um membro de cada um das seis matrizes africanas identificadas no Pará, para que possam fornecer um mapa e outras informações relevantes no sentido de proteção de templos e casas de cultos religiosos, assim como a salvaguarda do patrimônio cultural Afro-Amazônico com o devido respeito às práticas e manutenção do sagrado das diversas matrizes africanas presentes na Amazônia;
  3. O imediato aprofundamento da investigação de todos os casos acima mencionados, e ainda o de BABA ODÉ SIGBONILE (Pai Mário Cavalcante);
  4. Que se dê ciência a Corregedoria da Polícia Civil e a Promotoria de Controle Externo das atividades policiais para investigação de possível omissão em todos esses casos relatados;
  5. Que a Delegacia de Crimes anti discriminatória e a Delegacia de Homicídios, além de CIOP e Polícia Militar e outras divisões sejam devidamente capacitadas, de preferência com acadêmicos que lidam diretamente com a questão e com as lideranças dos terreiros para saber lidar com o RACISMO RELIGIOSO, evitando a todo custo o RACISMO INSTITUCIONAL.
  6. Que a Ouvidoria do sistema de segurança publica seja cientificada de todos os procedimentos adotados pelos órgãos deste CONSEP e acompanhe os casos acima relatados;
  7. Que os comandos da Policia Militar e da policia Civil monitorem seus integrantes nas redes sociais e de plano, caso seja verificado qualquer abuso e comentários que violem direitos humanos e pratiquem RACISMO INSTITUCIONAL sejam investigados e processados administrativamente conforme os ditames da lei e que sejam capacitados mais ainda na área de Direitos Humanos;


Ao final, gostaríamos que este CONSEP intermediasse uma reunião direta com o Governador do Estado do Pará, Senhor Simão Jatene para nos ouvir em diversas demandas em outras políticas públicas totalmente rarefeitas para nós, nos trazendo invisibilidade, repulsa e ódio e a falta de apoio institucional para sermos incluídos em importantes políticas públicas já em andamento e que acaba colaborando com tudo isso.

Certos de sua compreensão e colaboração com essa política de proteção à vida e promoção dos Direitos Humanos em nosso Estado, despedimo-nos renovando votos de apreço e admiração.

Atenciosamente,

Autoridades e lideranças tradicionais de Matriz Africana


  1. Mametu Nangetu
  2. Mãe Nalva de Oxum
  3. Gàniyákú Jokolosy
  4. Mãe Jucilene Carvalho
  5. Mãe Inez Rodrigues
  6. Táta Kinamboji uá Nzambi (Arthur Leandro)
  7. Toy Vodunnom Marcelo de Averekete
  8. Babá Edson Catendê
  9. Pai Fernando Rodrigues
  10. Babá ObaYItan (Luciano Canosa Teixeira).
  11. Toy Hunji Williames de Boçu Jara
  12. Toy Vodunnom Luis de Dangbê
  13. Mãe Tuca Bonfim
  14. Ekdji de Oxalá Leonor Araújo
  15. Babalorixá José Erivaldo de Oxum
  16. Babá Omioryan (Emanuell Nazaré dos Santos Souza)
  17. Maria da Paz de Miranda Alves
  18. Yalorixa Socorro Odé Raim
  19. Babakekere Valdir de Oxala
  20. Babalorixá Obá Telyassu
  21. Babá Ofarode
  22. Babá Éloci de Oxum
  23. Odeimofaromin Verónica d'Oyá
  24. Pai Tico de Bessen
  25. Pai Denilson de Oxalá
  26. Mãe Silvana de Oxóssi
  27. Pai Jeferson D´Ogum
  28. Pai Francisco Rodrigues Alves Filho
  29. Yá Guassanirê (Telma Maria da Silva Fernandes⁠⁠⁠⁠)
  30. Iya Nare
  31. Pai Joveliano de Ogum
  32. Vodussu Hunjai (Arlindo Junior de Oxosi)
  33. Babalorixá Omyndelewa
  34. Ekedy Janete dos Santos Oliveira
  35. Hunkpamé Otolú Zime
  36. Tat'etu N'DiangaMoxi
  37. Mametu Muagilê
  38. Doté Odé Aganile
  39. Márcia Damiana Souza
  40. Felipe Rodrigues Martins – Kalewomigan
  41. Pai Eder Cantuario da Cunha
  42. Mametu Kamboaci
  43. Ekeji Denísia Martins
  44. Baba Gimole (Leonardo Monteiro Ribeiro)
  45. Ode Igui Lomim
  46. Pai Wender
  47. Pai Jose Itaparandi
  48. Vodunsu Alaguebê Alex Correa
  49. Babá Tayando (Luiz Augusto Loureiro cunha)
  50. Makota Celinha (Célia Gonçalves Souza )
  51. Nochê Olobedenci - Mãe Aleteia de Abê
  52. Toy Vodunnon Hutiakinodomokun - Pai Leonardo de Gbadé
  53. Mãe Nina de Iemanjá
  54. Pai Marcelo Soares
  55. Pai Marcio Motta
  56. Babá Olufonnin Pai Marcos José Ribeiro Santos
  57. Doné Jacqueline D'Osum Omindàyé
  58. Mãe Gil d'Oxum
  59. Doné Izabel d'Acorodan
  60. Babá Besenade
  61. Pai Marcelo de Jaguarema
  62. Yá Egbe Feloni
  63. Muzenza Muikenu ia Nkosi
  64. Juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò
  65. Doté Obá Tunjialè Hunkpámé Ádàén Zógòdò
  66. Toy Clebsom de Lissá
  67. Pai Jaime
  68. Babá Wuromidanji
  69. Pai Gilmar de Oxossi
  70. Babalorixá Nayogbaji
  71. Mãe Ana Carla de Oxalá
  72. Mãe Bel de Oxum
  73. Mãe Arlete Godinho
  74. Pai Musa
  75. Tatá de Inkissy Taocy
  76. Babá Odecilakwe (Daniel Cristiano Santis Castro)
  77. Pai Pedro Neto
  78. Ogan Jairo Morais da Silva
  79. Pai Daniel de Oxalá (Daniel Carneiro)
  80. Babá Ode Onigbosinan Welbe Santos
  81. Yá Nijatemi
  82. Mãe Ana da Oxum - Ana França
  83. Egbe Igbagbo Olorun
  84. Babá Onindahu - José Valdir da Silva Santos
  85. Babá Gehossu Aizan - Luiz Alberto Saraiva da Silva
  86. Pai. Robson Wagner Costa
  87. Egbomi Oluforonin - Maria Helena Azevedo
  88. Toy Alexandro Ty Ogundejà
  89. Mãe Rosângela Cézar
  90. Mãe Rosanira da Casa de Cuica
  91. Tata Kalite
  92. Nvula (Kelly Rocha)
  93. Kota Ndanda Kizanga
  94. Tata Nsaba Muxingunzu
  95. Kota Rifula kiasanju
  96. Tata Xikarangoma Kiatuluka
  97. Tata Kivonda Ualakaji
  98. Ogã Milson Oniletó
  99. Mãe Rosangela de Abemanja
  100. Toy Vodunnom Huevi
  101. Yalorixá Toninha de Obaluayê
  102. Pai Ricardo de Xango
  103. Pai Naldo
  104. Mãe Raizo e Ere
  105. Babá ode ominexa - Everton Valverde dos Santos


Terreiros

  1. TERREIRO DE MÃE HERONDINA – Belém/PA
  2. SEARA DE UMBANDA MAMAE OXUM – Ananindeua/PA
  3. MANSU NANGETU MANSUBANDO KEKE NETA – Belém/PA
  4. ILÊ IYABA OMI – Belém/PA
  5. FUNDERE OYA JOKOLOSY – Belém/PA
  6. ILÊ ÌYÁ OMI ASE OFÁ KARÊ – Belém/PA
  7. CASA DAS MINAS TOY AVEREKETE NI KUALA MUKONGO – Belém/PA
  8. YLE ASE OBA OKUTA AYRA YNLE – Benevides/PA
  9. ILÈ ASÈ D'OSOGUIÃ - João Pessoa-PB
  10. CASA DE MINA ARAKAMAZI CABOCLO TURiASSU – Belém/PA
  11. ILE ASÉ OSUN ODENITÁ - João Pessoa/PB
  12. ILE ÀSÉ OYA MESAN NASSO OKA – Belém/PA
  13. ILE AXE DY ODE RAIM – Belém/PA
  14. TERREIRO DE MINA SÃO JOSÉ DE RIBAMAR – Belém/PA
  15. ILE IYA OMI ASE IFA – Belém/PA
  16. TEMPLO PAI JOSÉ DE ANGOLA - João Pessoa/PB
  17. TERREIRO DE UMBANDA OGUM GUERREIRO E KATINA DA SILVA – Embu das Artes/SP
  18. TEMPLO RELIGIOSO CULTURAL E SOCIAL AFRO-BRASILEIRO YÁ GUASSANIRÊ KYNYBOJY RRUAN – Belém/PA
  19. ILE AXÉ OMIOLLOKUN – Belém/PA
  20. TERREIRO SÃO RAIMUNDO NONATO – Belém/PA
  21. YLE ASÉ OMYM ADÉ OSUN – Belém/PA
  22. TERREIRO DE UMBANDA CABOCLO SETE FLECHAS – Castanhal/PA
  23. MANSU NDIANGAMOXI – Belém/PA
  24. TERREIRO ESTRELA GUIA ALDEIA TUPYNAMBÁ – Belém/PA
  25. RUNDEMBO NGUNZO TY BAMBURUSEMA – Belém/PA
  26. TERREIRO DE MINA NAGÔ TOYA HERONDINA – Belém/PA
  27. RUNDEMBO NGUNZO WÁ KATENDE – Belém/PA
  28. ILE AXÉ NIJATELEMY – Belém/PA
  29. ILÉ WOPO OLOJUKUAN – Belo Hoprizonte/ MG
  30. ILÊ AXÉ IBI OLUFONNINM – Macapá/AP
  31. ILE ASE OBA IZO - São Luís/MA
  32. ILE ASE OTA OLE- Passo do Lumiar/MA
  33. CASA FANTI ASHANTI – São Luís/MA
  34. CASA DE NAGÔ – São Luís/MA
  35. SEARA DE UMBANDA OGUM BEIRA MAR – Belém/PA
  36. CASA DE MINA NAGÔ SANTO ANTÔNIO DE PADUA – Belém/PA
  37. ILÊ ASHÉ ABÊ MANJÁ TOY GBADÉ – Belém/PA
  38. COMUNIDADE RELIGIOSA ENCANTO DE IEMANJÁ-CREY – Macapá/AP
  39. CASA DE MINA NAGÔ RAINHA IANSÃ – Belém/PA
  40. KWÉ AXÉ OSUM OPARÁ - Santa Rita/PB
  41. TEMPLO DE JUREMA ZÉ PELINTRA - Santa Rita/PB
  42. ILÊ AXÉ BESSEN DAN – João Pessoa/PB
  43. CASA DAS MATAS DO REIS MALUNGUINHO – PE
  44. ILÊ IYEMONJÁ OGUNTÉ – PE
  45. ABASSÁ TY MINA DJEJE-NAGÔ TY TOY LISSÁ Y TOY JARINA
  46. TERREIRO DE MINA JEJE NAGÔ DE CABOCLO BOIADEIRO – Belem/PA
  47. YLE AXÉ OXUM E OXOSSI – Ananindeua/PA
  48. ILE ASE OBA OTA INA – Ananindeua/PA
  49. TERREIRO DE MINA NAGÔ MORADA DE OXOSSI – Belém/PA
  50. AXÉ DE OXUM ALADEMIM - PB
  51. CASADE CARIDADE DE UMBANDA OGUM E IANSÃ DO ORIENTE – PA
  52. TERREIRO DE MINA NAGÔ NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO – PA
  53. ABASSA DE AXE MUTALAJUNSSA – Macapá/AP
  54. TERREIRO DE MINA CABOCLO JURUÁ – Marituba/PA
  55. ILE ASE PALEPA MARIWO SESU - São Paulo/ SP
  56. RECANTO DO CABOCLO PENA AZUL - Ananindeua /PA
  57. ILE ASE NAGÔ IBOALAMA – Ananindeua/PA
  58. SEARA DE UMBANDA MAMÃE OXUM MENINA – Ananindeua/PA
  59. COMUNIDADE FÉ EM DEUS – Ananindeua/PA
  60. ILE ASE NAGÔ DE XANGÔ AIRÁ E IYANSAN – Marituba/PA
  61. RECANTO ENCANTADO DE DONA JUSSARA - Marituba/PA
  62. ABASSA AFRO RELIGIOSO DE LÉGUA BOJIE E ROSA MINEIRA – Mosqueiro, Belém/PA
  63. TOCAIA DE CABOCLO PENA VERDE E DONA JARINA - Mosqueiro, Belém/PA.
  64. ABASSÁ TY MINA DJEJE-NAGÔ TY OGUNDEJÀY JOSÉ DE TUPINAMBÁ – Castanhal/PA
  65. TERREIRO DE MINA ITA TAQUARA – PA
  66. CABANA DE JUREMA - Mosqueiro, Belém/PA
  67. YLE ASE YIDAN TALESU – PA
  68. TERREIRO DE MINA-NAGO DE BOA FÉ – Ananindeua/PA
  69. CASA DE QUIMBANDA LUCIFERIANA TRANCA RUAS DAS ALMAS – PA
  70. YLÊ ASÉ AJAKA OJÚ AYÊ – PA
  71. NZO IA MUKONGO UA NZAMBE – Belém/PA
  72. CASA GRANDE DE MINA JEJE NAGÔ TOY LISSÁ E ABEMANJÁ HUEVI
  73. CASA DE CANDOMBLÉ YLÊ AXÉ MIAN DE AZOANY
  74. ILE AXE DE MINA NAGÔ CASA DE ZÉ
  75. ILE AXÉ OYA IBEJI OBA OYO – Marituba/PA
  76. ILE AXE ALAGBEDE OLODUMARE – Paço do Lumiar/ MA


Organizações de Povos Tradicionais de Matriz Africana

  1. Instituto Nangetu de Tradição Afro-religiosa e Desenvolvimento Social - Pará
  2. ACIYOMI - Associacao Afro-Religiosa e Cultural Ile Iyaba Omi - Pará
  3. ARFUOJY - Associação Afro-religiosa e Cultural Funderê Oya Jokolosy - Pará
  4. REATA -Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
  5. AFAMUKONGO - Associação de Filhos e Amigos do Caçador - Pará
  6. FOPAFRO – Fórum Permanente Afro-religioso - Pará
  7. Movimento Atitude Afro - Pará
  8. ICNAB-PA - Instituto Cultural Nago Afro-brasileiro - Pará
  9. FONSANPOTMA – Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional de Povos Tradicionais de Matriz Africana
  10. RENAFRO - Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde
  11. Casa de Cultura IAO - Paraíba
  12. Associação Flexeiro do Pará
  13. Associação de Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e Afro Brasileira Katina da Silva – São Paulo
  14. IBAMCA – Instituto Bamburusema de Cultura Afro-Amazônica.
  15. ACAOÃ - Associação Afro-brasileira de Oxaguian - Pará
  16. UNIMAZ - União das Comunidades Tradicionais Afro-Amazônica
  17. CENARAB - Centro Nacional de Africanidade e Resistência
  18. CONEN - Coordenação Nacional das Entidades Negras
  19. ACBANTU - Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu
  20. CENS - Instituto Cultural e Educacional Nina Souza – Amapá
  21. IRU - Instituto Religioso Umbandista – Pará
  22. LIRA - Liga das Instituições Religiosas Afro-amerindias do Amapá
  23. IABIC - Instituto Afro Brasileiro Imaculada Conceição - Pará
  24. INTECAB - Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro Brasileira
  25. Movimento de Direitos Humanos dos Povos e Comunidades Tradicionais – Rio de Janeiro
  26. Quilombo Cultural Malunguinho - Pernambuco
  27. Afro Educação de São Lourenço da Mata – Pernambuco
  28. AMORODE – Associação Afro Religiosa e Cultural Morada de Oxossi
  29. Fórum da Juventude Afro-Amazônica
  30. Associação Cultural Afro-brasileira de Ode – Ananindeua/PA
  31. AAROO – Associação Afro-Religiosa Omo Odé – Pará
  32. Kizomba Nacional: Articulação pela vida das juventudes dos povos tradicionais de matriz africana e terreiro


Organizações do Movimento Negro

  1. Movimento MOCAMBO - Pará
  2. Círculo Palmarino – Pará
  3. Cia de Teatro e Dança Bambare Arte e Cultura Negra – Belém/PA
  4. Grupo de Mulheres Negras Nzinga Mbandi
  5. Associação de Mulheres Negras Acotirene
  6. Fórum Nacional de Mulheres Negras
  7. Instituto Ganga Zumba – Vitória/ES
  8. Movimento Negro Organizado da Paraíba
  9. Rede Nacional de Negras e Negro LGBT
  10. CEDENPA - Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará
  11. GEAM - Grupo de Estudos Afro Amazônico (NAEB) da UFPA
  12. Agentes de Pastoral Negros - APNs
  13. EDUCAFRO - Frei David Santos OFM – São Paulo/SP
  14. Coletivo Casa Preta – Belém/PA
  15. Produtora Negro Axe - São Luis/MA
  16. Centro de Cultura Negra do Maranhão - São Luís/MA
  17. MOCAMBO CULTURAL – Porto Velho/ RO
  18. INSTITUTO MURA PACHECO QUARITERÊ/ IMPQ – Porto Velho/RO
  19. AMAZÔNIA NEGRA/RO
  20. Comissão de Defesa da Igualdade Racial Etnia e Direitos dos Quilombolas da OAB/PA - Jorge Lopes de Farias, Presidente da CDIREDQ OAB/PA
  21. Coletivo Tela Firme – Pará
  22. CONAQ - Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas
  23. PASTORAL AFRO-BRASILEIRA - Pe. Jurandyr Azevedo Araujo
  24. Centro de Referência Pan-africanista - Beco da Cota Cultural – São Luis/MA








sábado, 16 de julho de 2016

Rio 2016, de João de Castro.




Brasil da Copa do Mundo
Das Olímpiadas também
Falta Saúde, Educação
Segurança! Nem tem!...
O Povo não tá calado
Tampouco dizendo amém

O Rio em calamidade
Mais tem uma prioridade
AS OLIMPIADAS SEM DUVIDAS
E preparar a cidade
Mesmo que os prédios caiam
Essa é a realidade…

Constroe-se aqui, cai acolá!...
Todos viram a CICLOVIA
Imaginem como não está
Estrada e Rodovia
São um bando de HIPOCRITAS
Que há muito tempo não se via

Na cidade “Maravilhosa”
Lá o povo ta morrendo
No Setor Educação
Ninguém lá ta recebendo
Segurança nem se fala!…
A Bandidagem tá vencendo

AS OLIMPIADES BEM AÍ...
ISSO TEM QUE ACONTECER
Não importa, resto é resto
Mesmo que venha padecer
Tudo pura isanidade
E isso ninguém quer ver!?…

*O FOGO um dos elementos
Deste Planeta falado
As Argolas União
Tudo com significados
No entanto a Vida Humana
No “Rio 2016” fica de lado…

No Rio a “ZICA” presente
Tudo pode se alastrar
Cientistas até falaram
Mais ninguém quis escutar
O negócio é OLIMPIADES
Isso não pode faltar

O RIO É CALAMIDADE
Pelo Governo decretado
E a bagatela de 3 bilhões
Pelo Temer liberado
O NEGOCIO É OLIMPIADES
Não importa o outro lado

O Brasil nesse momento
Com uma crise incontrolada
Uma “Torre de Babel”
Política esculhambada
Mais! O NEGOCIO É OLIMPIADA
Que não se importa com nada

Será que já analizamos
Com esse “Fogo” viajando?!...
Os absurdos dos gastos
Com poucos se preocupando
Até “Cachê!” Prá quem corre???!!!…
Não estou acreditando…

É uma falência olímpica
Que está acontecendo
“OLIMPIADES!” Tem que acontecer!
Não importa o que está havendo
Essa é a situação
E ninguém ta percebendo!?

Lembram o legado da COPA?!...
Do que não foi construído
O que construíram caiu
Por falta de ser ouvido
As OLIMPIADAS será diferente?
Oxente! Aqui duvido!!!…

Tantas obras tantas obras
Pelo Brasil inacabadas
O pior de tudo isso
Foram superfaturadas
Até Viaduto caiu depois
Deixou as pessoas frustadas

No Rio o Caos instalado
Afirma o governador
O Prefeito dizendo não
Mas o Decreto da Dor
Que deixa tudo bem claro
O fator destruidor…

Parece que ninguém ver
No Rio tudo acontecendo
Segurança, Educação
Na Saúde! O Povo morrendo
“OLIMPIADE!” Vai acontecer...
E todo mundo ta vendo!…

Tantas medalhas virão
Todos alegres sorrindo
Numa OLIMPIADA MORTIFERA
E muitos dizendo bem vindo
Pra mim todos hipócritas
O que estão aplaudindo?!

Chega a hora das Medalhas
Ali vão distribuir
Bronze, Prata e Ouro
É forma de se construir?
com uma cidade no Caos
Isso sim é destruir…

Medalha de Ouro pra Saúde
Que no Rio não funciona
Educação e Segurança também NÃO
No Rio tudo se abandona
Um Prefeito inconseqüente
Mas o Povão ninguém engana

A Baía da Guanabara
Totalmente poluída
Que vergonha Rio de Janeiro
Ainda te sentes atraída?!...
“Cidade Maravilhosa”
Parece não ter saída

É Ciclovia caindo
Uma falta de gestão
BANDIDOS tomando conta
Um caos na EDUCAÇÃO
Segurança e Saúde
OLIMPIADES! Desunião

Cai por terra a filosofia?
Que Olimpiades é UNIÃO?
Pois no Rio de Janeiro
Falta Saúde e Educação
Muito mais a Segurança
A real situação

As Argolas representam
Um Símbolo Universal
De Paz, Amor, União
E nesse momento um Mal
Em um País sem controle
Uma situação desigual

A Copa deixou legado
OLIMPIADE vai também
Constróe-se cai acolá
É esse o Vai e Vem
Isso é realidade
E se vai dizer Amém!?

Tudo complexo e confuso
Em um País em conflitos
Coloca em riscos tudo
Deixando todos aflitos
É onde o homem chega
Desafia seus finitos…

Toca-se alegrias fúteis
E não se chega ao nada
Mexe-se com coisas sérias
Em uma árdua jornada
Coloca-se tudo em risco
Numa OLIMPIADA sonhada

Estava terminando os versos
E de repente escutei
Forças Armadas nas ruas
Quase não acreditei
Repete-se “Eco 92”
É a força da Lei.

Mais logo no dia seguinte
Que a olimpíada acabar
Volta tudo ao normal
Bandidos vão atacar...
E a “Cidade Maravilhosa”
Não tem o que comemorar

Um bando de desportistas
Totalmente despolitizados
Não importa nossa crise
Por todo nossos estados
Farsistas estão mandando
Todos caracterizados…

Olimpiades ta aí
E já tudo acontecendo!
Não importa crise aqui
Quase ninguém percebendo?
Mais adianta gritar
Pois tem muita gente vendo…

Nossa linguagem em Cordel
Procurando todos alertar
Em busca da vida mesmo
Com o objetivo lutar
OLIMPIADES AQUI NÃO
Nada pra se apresentar…

Da ECO 92
Não posso esquecer de falar
Aconteceu a mesma coisa
Do Rio se “Sitiar”*
Limparam as Ruas de tudo
Pra de Meio Ambiente falar

Pra eles a “SUB-RAÇA”
Sujavam o Rio de Janeiro
Mendigos, Adolescentes
Recolhidos primeiro
Ninguém descia dos Morros
Isso foi verdadeiro…

Todos juntos em galpões
Lá todos foram colocados
Comida lá era jogada
Estavam aprisionados
Presidentes pousavam Estardistas
Esses foram os resultados

Agradeço, agradeço
Pela sua atenção
Lendo esses escritos
Em uma boa ação
Por certo critica séria
Essa é minha intenção.

* Fogo, ar, terra e água

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Luiza Helena Bairros presente!.

Rendo homenagens à Luiza Helena de Bairros, (ex)ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que faleceu em Porto Alegre nesta terça-feira (12 de julho de 2016) em virtude de um câncer de pulmão. Ela foi ministra do governo de Dilma Rousseff entre os anos de 2011 e 2014. Durante sua passagem pelo governo federal, foi responsável por criar o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), cujo objetivo é implementar políticas públicas voltadas a proporcionar à população negra igualdade de oportunidades e instâncias de combate à discriminação e à intolerância. A principal forma de atuação do Sinapir, conforme defendia Luiza Bairros, é por meio da articulação com municípios e governo estaduais, através da criação de órgão regionais para a promoção da igualdade racial.
Uma das principais personalidades brasileiras da luta contra o racismo, Luiza passou os últimos anos em viagens pelo país realizando palestras e trabalhando intensamente na articulação do movimento negro, atividade que desempenhava há mais de 40 anos. Gaúcha de Porto Alegre (RS), Luiza Bairros se mudou para a Bahia em agosto de 1979, após ter contato com o Movimento Negro Unificado durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, meses antes, em Fortaleza. Luiza Bairros era mestre em ciências sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutora em sociologia pela Michigan State University. Ela se graduou em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e era especialista em Planejamento Regional pela Universidade Federal do Ceará.

"Hoje é um dia triste para todos do movimento negro e daqueles que lutam pela igualdade racial no Brasil. A morte da querida Luiza Bairros, ex-ministra da Promoção da Igualdade Racial em meu primeiro governo, deixa a todos nós muito consternados. Luiza foi uma incansável militante da causa negra e da democracia brasileira. Sua obra permanece viva e continua sendo um símbolo da luta contra o preconceito e em favor das melhores causas da vida política nacional" - Dilma Rousseff

"Perdi uma mãe, uma amiga, uma companheira, uma referência para toda vida, a mais ousada e primorosa combinação de inteligência, disciplina, generosidade e coerência que o movimento negro produziu nos últimos 40 anos" - Felipe Freitas

“Faleceu na manhã de hoje, 12 de Julho de 2016, minha grande amiga, companheira de muitas lutas, Luiza Bairros. Meu coração está contrito de dor com a perda, mas certa de que esta grande mulher cumpriu seu papel na história da luta dos oprimidos, especialmente da população negra, neste país e no mundo. Que descanse em paz!” - Silvany Euclenio

“Acordei assustada hoje. Tinha tanta coisa dentro de mim, mas tinha um aperto. A gente sempre pensa nos mais proximos. Em seguida soube Luiza Bairros arrumara as malas e com a autonomia das preta acreditou que podia e foi para a grande viagem no grande rio. Que mulher atrevida achou mesmo que este rebanho enorme está pronto para não ouvir mais aquela voz meio rouca baixa. Centrada ponderada. Meu Nzambi . Matamba receba ai esta rainha. Vai cansada das batalhas com a luta incessante ao racismo. A gente se encontra na luta porque você está presente.” - Kota Mulanji/ Regina Nogueira

“LUTO na LUTA! Compromisso com a LUTA PRETA! Valeu Luísa! Valeu Ministra!” - Vilma Piedade

“Perdemos uma grande aliada na luta contra o racismo é no combate ao racismo contra as tradições de Matriz Africana.” - Mãe Nalva de Oxum

“Acho que é a 1a vez que o falecimento de uma (ex) ministra me abalou emocionalmente, estou muito triste com a morte de Luiza Helena Bairros” Táta Kinamboji/ Arthur Leandro

“A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que fizeram parte de minha vida terrena, sem tirá-las do meu coração, sorrir às pessoas que não gostam de mim, para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam calar-me para ouvir, aprender com meus erros, afinal, eu posso ser sempre melhor! Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar, a abrir minhas janelas para o mundo. E não temer o futuro... A lutar contra as injustiças, sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo. Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar. Vá companheira LUIZA BARRIOS, tenho certeza que DEUS já acolheu a sua ALMA e esta confortando os seus familiares, amigos e todo o povo negro que você tão bem defendeu e representou. Vá em PAZ missão cumprida!” - Mestre Pernambuco


“Muito obrigada por sua luta pela igualdade racial no Brasil. Mulher negra, intelectual, militante honesta, vibrante. Obrigado. O OLODUM deseja luz para você neste novo plano“ João Jorge

“Minha amiga e amada Luiza Bairros, que o Olorum a receba com as honras que ela merece” - Leonor Araújo

“Sentimos todos pois saudou em muitas construções e fez a diferença em suas falas e atitudes no movimento social. Lamentável. Só nos resta dar prosseguimento à sua luta que é nossa também” Mãe Ligia Borges, de Exu.

“Luiza era um.exemplo de quadro politico do movimento negro. Tinha grandes divergencias com.ela principalmente qdo ela comandava a Seppir. A sua inteligencia e respeito, coisa rara no universo da politica, eram demonstrados com os frequentes convites feitos a mim para seminarios e outras discussoes na secretaria. Isto sem contar com as suas colaborações com a minha coluna Quilombo na Revista Forum. Participei de varios debates com a ministra. Sorriso constante, personalidade forte e inteligencia ímpar. Certa vez comentei com ela que o racismo institucional era expresso no fato dela ser a pessoa que, no ministerio da Dilma, tinha o melhor curriculo (inclusive mais que a própria presidenta). E apesar disso ocupar o ministerio com menor orçamento. Ela me respondeu laconicamente: "pois é". Saudades muitas da querida Luiza. Pessoa cujas discussoes me faziam crescer politica e intelectualmente” - Dennis Oliveira

“Lamentável acordar com essa triste notícia. LUIZA BAIRROS que OLORUN te receba com todas as honras e muita festa no Orun minha querida”- Jorge Cruz

“Muito triste. Uma grande perda para todos/as nós!” - Cristian Ribas



























quarta-feira, 25 de maio de 2016

Roda de Conversa, as poéticas de Matrizes Africanas na Amazônia.

Mais informações no blog da  COPIR: Programação com temática étnico-racial na Feira do...


Roda de Conversa: poéticas de Matrizes Africanas na Amazônia.
Apresentação: Táta Kinamboji (Profº Arthur Leandro), equipe do Projeto Azuelar.

Serviço:
Local: Estander da SEDUC
Dia: 28 de Maio
Horário: 13:30 às 15:30

1º Bloco de Entrevista
Projeto Educativo “Afro-amazônicos e seus símbolos”
Convidada: Tainah Jorge.
Tainah Jorge é filha de santo de Mãe Esther de Jarina, Terreiro Seara da Oxossi, da nação Tambor de Mina. É estudante de ciências sociais na UNAMA e cumpre estágio no serviço educativo do Museu Paraense Emílio Goeldi, e foi trabalhando no serviço educativo do museu que ela propôs a construção do circuito “Afro-amazônicos e seus símbolos”, que faz parte do seu projeto de pesquisa. Ela explica que a meta desse projeto é estimular o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, de acordo com a Lei Federal 10.369/03, e é um circuito para mostrar a estudantes do ensino médio as relações entre culturas afro religiosas e espécies de plantas do acervo do Parque Zoobotânico. O projeto do Serviço de Educação foi construído em parceria com comunidades de terreiro de matriz africana em Belém.

2º Bloco de Entrevista
Projeto “Nós de Aruanda-Artistas de Terreiro”
Convidados: Mãe Nalva de Oxum, Mametu Muagile, Mametu Nangetu, Professora Dra Marilu Campelo, e Weverton Ruan Rodrigues.
Nós de Aruanda, artistas de terreiro, é um projeto do Grupo de Estudos Afro-Amazônico (NEAB)/ UFPA, e do Grupo de Estudos e Pesquisa Roda de Axé/ CNPq. Em 2016 se realizou a 4a exposição com poéticas de matriz africana na Amazônia, e é sobre essa experiência de arte fundada na matriz cultural oriunda da África negra. que vamos colocar em debate.

3º Bloco de Entrevista
Projeto “BLOCK PRINT – Estamparia Afro”
Convidado: Glauce Santos e Jean Ribeiro.
A estamparia por carimbos de madeira, ou blocos de madeira, conhecida como Wood Block Printing, foi o processo precursor da produção industrial em grande escala. O método de gravação da matriz de madeira é o mesmo da xilogravura, com algumas particularidades relacionadas aos materiais, como corantes e têxteis a serem utilizados. Tornou-se possível a reprodução de um desenho mais elaborado e com bons resultados formais, favorecendo a gravação de matrizes voltadas, exclusivamente, para a estamparia corrida. A técnica é utilizada na estamparia africana, e difundida em projeto de pesquisa e oficinas educativas de Glauce Santos e Jean Ribeiro.

4º Bloco de Entrevista
O desafio da educação afrocentrada em arte,
Convidada: Isabela do Lago.
Muito se têm pensado sobre a importância do conhecimento em história e cultura africana e afro-brasileira nas salas de aula, sobretudo na educação básica, com o intuito de fundamentar origens da cultura negra e sua afirmação identitária para a superação do racismo e reparação dos problemas sociais ocasionados pelo mesmo. Isabela traz uma proposta afrocentrada para o ensino-aprendizagem da arte em formato didático, para fácil aplicabilidade na sala de aula, onde encontraremos suporte poético na leitura de obras que compõem o acervo do projeto “Nós de Aruanda- artistas de terreiro fazer um glossário explicando os termos” entre as edições de 2013 a 2015 da mostra em Belém do Pará.

“Eu nunca vi machado cego fazer casa pra morar”, por Pedro Neto.

“Eu nunca vi machado cego fazer casa pra morar”
Nossa cultura transversal e dialógica - povos tradicionais de matriz africana – nos ensinam alguns princípios fundamentais que dizem respeito ao bom convívio entre nós e os outros. O mundo apressado, capitalista com esse Estado burocrata que insiste em nos criminalizar, não entendeu e pelo jeito não vai entender tão cedo que estão nestes princípios elementos vitais para nossa manutenção e existência. Perder ou deixar de ganhar políticas que contenham minimamente estes princípios nos matam, nos fazem apodrecer por dentro.
Olhamos isso, construímos estratégias de enfrentamento e combate ao racismo. Nos olhamos, nos reconhecemos uns nos outros. A estratégia adotada por nós que culminou na apresentação, aprovação no Colegiado Setorial de Cultura Afro-Brasileira e no Pleno do CNPC/Minc sobre o Plano Nacional para Culturas Afro-Brasileiras nos dias 09, 10 e 11/05/2016 foi vitoriosa. Até que ponto?
Nos últimos cinco anos, num pacto nacional lideranças tradicionais de matriz africana de todo Brasil pautou o debate acerca do racismo institucional; ampliou as representações da cultura negra no Conselho Nacional de Políticas Culturais para a capoeira, para o hip hop, para a cultura alimentar, para os povos tradicionais de matriz africana, para os quilombos; ampliou a participação de lideranças negras em diversos colegiados setoriais; construiu um plano exequível para as culturas negras.
Para isso pagamos um alto preço, não financeiro, mas sim no enfraquecimento de nossos princípios. Uma névoa, anunciada, cobriu nossos olhos. Arthur Leandro, como é que deixei você ser alijado da decisão que você mesmo ajudou a construir o caminho? Não sei! Disse que faria, e não fiz. Por enquanto ficarei com uma frase sua: “Tempo é Rei de Angola”.
Não farei ata, não farei artigo, não farei moção ou recomendação. Continuemos a fazer o que nunca deixamos de ser, em nossas bases estão nossas trincheiras.
‪#‎MincResite‬ Não ao Minc da arte branca, eurocêntrica e machista. Nos cuidemos para não cair na armadilha da cultura de elite versus cultura popular.
Como nos ensina Mãe Beth de Osun: “Tá na hora do pau comer”.‪#‎nadaatemer‬

Texto publicado no Facebook pot Pedro Neto