domingo, 22 de junho de 2014

Propostas para o Conselho Municipal de Política Cultural de Belém/PA.

Cada candidato tem de apresentar uma plataforma de propostas de política cultural para o CMPC, estas aqui foram elaboradas em rodas de conversa da rede [aparelho]-: e do instituto Nangetu, eu apenas fiz algumas atualizações e apresento como as propostas da minha candidatura como conselheiro de Artes Visuais do CMPC de Belém/PA.
  • Reformular a Lei Valmir para garantir a presença da diversidade cultural de Belém no CMPC, em especial atendendo ao que já está em tramitação no CNPC/MINC, a saber: o desmembramento da única cadeira de "Culturas Afro-brasileiras" em outras cinco representações:

1. Expressões artísticas culturais afro-brasileiras (afirmação dos valores civilizatórios afro-brasileiros na cultura);
2. Culturas de Povos Tradicionais de Matriz Africana (povos de terreiros);
3. Capoeira;
4. Cultura Hip-hop (culturas de juventude negra de periferia); e
5. Culturas de Comunidades Quilombolas
  • Fomentar debates sobre a visualidade amazônica com mestres das culturas tradicionais e populares, principalmente para valorizar o diálogo das artes visuais com a produção de visualidade das Culturas Tradicionais e Populares amazônicas.
  • Fomentar em cada distrito ou bairro, a criação e funcionamento de Centros de referência da diversidade cultural, garantindo a presença das culturas tradicionais de terreiros de matriz africana com bibliotecas, brinquedotecas, videotecas, discotecas especializadas em culturas afro-amazônicas, assim como espaço para formação, produção e difusão das culturas afro-brasileiras e para a formação, produção e difusão em audiovisual, artes visuais, teatro, dança, artesanato, moda e outras linguagens desde que com caráter étnico afro-amazônico;
  • Criar política de incentivo à criação e funcionamento de rádios e TVs comunitárias, e outras formas de mídias comunitárias, para divulgação e valorização da diversidade cultural, em especial as culturas dose Povos Tradicionais que são as de menor espaço na dita grande mídia.
  • Promover o intercâmbio entre artistas e produtores culturais de Belém com outras cidades da Pan-Amazônia.
  • Incentivar e fomentar a formação de redes de movimentos culturais, primando pela participação em associação colaborativa e solidária;
  • Ampliar os incentivos e fomentos à troca de experiência horizontal entre produtores culturais e artistas, através de circuito de eventos temporários – rodas de conversas e residências que promovam a convivência e que valorize, reúna e faça circular horizontalmente os agentes das artes pelos distritos de Belém, pelas regiões do Pará e em todo o território nacional.
  • Criar e fomentar iniciativas de comunicação comunitária, principalmente rádios, e em cada distrito administrativo de Belém, para a produção e veiculação de informações específicas da produção artística e das manifestações culturais, com o protagonismo desses agentes da cultura.
  • Incentivar e fomentar o intercâmbio dos artistas visuais de Belém com experiências artísticas e culturais de outros países da América Latina e Caribe, aproximando a experiência artística de Belém com outras experiências pós-coloniais.
  • Incentivar e fomentar a implantação e o funcionamento de laboratórios livres de produção multimídia, que tenha participação da juventude, ou seja: construir centros de referência da cultura de bairros para, entre outras ações, disponibilizar a jovens artistas os equipamentos de xilogravura, serigrafia, de cerâmica, de experimentação em pintura, de fotografia, de vídeo, de outras mídias eletrônicas – de preferência com software livre – para criar o estimulo à experimentação artística, ao registro da produção cultural, e à difusão da produção dos artistas belenenses.
  • Garantir que a prefeitura crie a infraestrutura necessária, e programas de formação e manutenção de espaços,  para a produção de mídia e construção da memória da produção artística e cultural pelos próprios agentes da cultura.
  • Privilegiar as áreas economicamente periféricas e de menor IDH, para os investimentos em infra-estrutura de equipamentos culturais.
  • Privilegiar as áreas economicamente periféricas para os investimentos em eventos culturais.
  • Promover, incentivar e fomentar a interação e produção coletiva, e a associação colaborativa e solidária entre artistas;
  • Garantir a aplicação do DECRETO Nº 8.243, DE 23 DE MAIO DE 2014, que Institui a Política Nacional de Participação Social - PNPS e o Sistema Nacional de Participação Social - SNPS, na cultura de Belém.

sábado, 17 de maio de 2014

Debate: O PLANO SETORIAL DE CULTURAS AFRO BRASILEIRAS e a implantação do sistema municipal de cultura de Macapá.


19/05/2014, segunda-feira.
Local: Auditório do Museu da Fortaleza de São José de Macapá/ Amapá.
Debate:
O PLANO SETORIAL DE CULTURAS AFRO BRASILEIRAS e a implantação do sistema municipal de cultura de Macapá.
9h - Composição da Mesa de debates: 
1. Lindivaldo Leite Junior, diretor de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira da Fundação Cultural Palmares - MinC
2. Representante da FUNCULT.
3. Representante da IMPROIR.
4. Táta Kinamboji (Arthur Leandro) - Representante do Colegiado Setorial de Culturas Afro-brasileiras no Conselho Nacional de Política Cultural/ CNPC-MinC.
5. Paulo Axé, Conselheiro Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR/ SEPPIR
14:30 - Grupos de Trabalho.
17h - Apresentação de propostas e encaminhamentos.

Proposição: Colegiado Setorial de Culturas Afro-Brasileiras do CNPC/MinC
Organizações da sociedade civil envolvidas:
Associação Beneficente Ylê da Oxum Apará/ ABYOA + Federação dos Cultos Afro-religiosos de Umbanda e Mina Nagô do Estado do Amapá/ FECARUMINA + Instituto Rumpilê + Articulação Amazônica de Povos Tradicionais de Matriz Africana/ ARATRAMA-AP + Centro Cultural e Educacional Nina Souza/ CENS + Liga Independente das Religiões Afro-ameríndias/ LIRA + Federação dos Cultos Afro-brasileiros FECAB-AP + Federação Espírita e dos Cultos Afro-brasileiros do Amapá/ FECAP + Centro de Cultura Afro-Brasileira + Instituto Afro-ameríndio + Fórum de Juventude Negra do Amapá FOJUNE-AP + Movimento Afro Jovem do Amapá/ MOAJA + COLETIVO PRETITUDE + Federação Amapaense de Hip-Hop/ FAHH + Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas/ CONAQ-AP.
Instituições públicas envolvidas:
Ministério da Cultura + Fundação Cultural Palmares + Fundação Municipal de Cultura de Macapá/ FUNCULT + Instituto Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – IMPROIR + Secretaria de Estado da Cultura/ SECULT-AP + Museu Fortaleza São José de Macapá.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PALAVRA DA MINISTRA DA CULTURA NÃO VALE NADA!!!!!!!!

Bernardo Machado, secretário Geral do CNPC/ MinC, compareceu na reunião do colegiado setorial de culturas afro-brasileiras na tarde do dia 14 de maio de 2014 apenas para dizer que, pela quinta vez, teremos de novamente expor argumentos para convencer o Ministério da Cultura da necessidade das quatro cadeiras de conselheiros afro-brasileiros no Conselho Nacional de Política Cultural - CNPC/ MinC.


Ou seja, ele foi dizer que a decisão de recomendar as cadeiras de conselheiros que o plenário do CNPC não vale nada. E foi dizer também que a palavra da Ministra Marta Suplicy, que determinou a criação dessas cadeiras em audiência com os conselheiros da setorial de culturas afro na tarde do primeiro dia III Conferência Nacional de Cultura em novembro de 2013, também não vale nada

Conclusão: O MinC é um Império do Racismo Institucional e PALAVRA DA MINISTRA DA CULTURA NÃO VALE NADA!!!!!!!!

Ver mais neste link.

Carta Aberta a Ilma. Sra. Martha Suplicy ou Palavra de Ministra Não Vale Nada?

Carta Aberta a Ilma. Sra. Martha Suplicy ou
Palavra de Ministra Não Vale Nada?

A proposta da criação das cadeiras no CNPC, amplamente debatida e articulada pelo Colegiado Setorial de Cultura Afro-Brasileira nasce a partir da primeira reunião do Colegiado realizada em Brasília no dia 20/06/2013, depois é aprovada pelo Conselho Nacional de Política Cultural em sua 19ª Reunião Ordinária realizada em 31/07/2013 com a recomendação de ampliação da representação das culturas afro-brasileiras no Conselho Nacional de Política Cultural, nos conselhos estaduais e municipais de cultura e demais instâncias de participação e controle social do Sistema Nacional de Cultura e por fim é garantida pela Ilma. Ministra da Cultura Marta Suplicy em reunião realizada com este colegiado no dia 27/11/2013.

(Em anexo encaminhamos cópia da publicação do Diário Oficial da União com a Recomendação No. 6, de 31 de julho de 2013.)

Nos, membros do Colegiado Setorial de Culturas Afro-Brasileira, reunidos em reunião ordinária nos dias 13 e 14/05/2014 em Brasília fazemos a seguinte pergunta: Palavra de Ministra Vale?

As vésperas da 23ª. reunião ordinária do CNPC Minc, nada foi resolvido. O Ministério da Cultura convidará representantes da Capoeira, do Hip Hop e dos Povos Tradicionais de Matriz Africana para falarem no plenário.

Não foi isso que nos garantiram. Nos garantiram a criação das cadeiras de Capoeira, Cultura Hip Hop e Povos Tradicionais de Matriz Africana.

O Minc justifica a não garantia da palavra da Ministra pela necessidade de estudo sobre a viabilidade econômica da criação das cadeiras, pela construção de exposição de motivos, pelo crescimento do numero de representações no CNPC, o que levaria ao seu inchaço.

Outra questão também garantida e foi a implementação de pelo menos um Pontão de Cultura de Matriz Africana em cada região. Não o lançamento de editais de premiação. Palavra de Ministra Vale?

Este mandato do Colegiado Setorial de Culturas Afro-Brasileiras do CNPC/Minc só se encontrará ordinariamente mais uma vez até o fim do seu mandato.

Na abertura da III Conferência Nacional de Cultura a Ilma. Sra. Ministra da Cultura afirmou: “A base da cultura brasileira é negra”. Palavra de Ministra Vale?

O Ministério da Cultura só foi criado em 1985, pelo Decreto 91.144 de 15 de março daquele ano. Reconhecia-se, assim, a autonomia e a importância desta área fundamental, até então tratada em conjunto com a educação.

Considerando a re-estruturação do Conselho Nacional de Política Cultural, remodelado desde 2005, é somente no final de 2012 que, à duras penas e com tantas outras dificuldades regionais, constituiu-se e elegeu-se o PRIMEIRO Colegiado Setorial de Culturas Afro-Brasileiras do CNPC, que foi composto por 25 representantes de quatro das cinco regiões administrativas do Brasil.

Porque será que o Estado brasileiro só instaurou uma única representação das diversas culturas afro-brasileiras no Ministério da Cultura, apenas 26 anos depois de sua criação?

Porque o ônus das dificuldades [financeiras e de execução] dos CNPC, pelo menos desde 2005 a 2013, e colocado no colo das Culturas Afro-Brasileiras?

Será que a palavra e comprometimento da Ministra com o movimento social cultural afro-brasileiro não será cumprido?

Colegiado Setorial de Culturas Afro-Brasileiras do Conselho Nacional de Políticas Culturais do Ministério da Cultura


Arthur Leandro / Tata Kinamboji (PA)
Paulo Cesar Pereira de Oliveira (SP)

Região Norte
Mametu Nangetu (PA)
Muagilê N’Zambi (PA)
Janete de Oliveira (PA)
Emanuel dos Santos Souza (PA)
Tatá Dianvula (PA)

Região Nordeste
Mãe Neide (AL)
Cláudia Cristina Puentes (AL)
Pai Lula Dantas (BA)
Mãe Beth de Oxum (PE)
Edvaldo Pena da Silva - Ibuaroji (BA)
Mãe Lucia Goes Brito (BA)
Pai Gilson (AL)
Rodrigo Petinati (AL)

Região Sul
Valmir Ferreira / Baba Diba (RS)
Elza Vieira da Rosa (RS)

Região Sudeste
Mãe Márcia de Osun (RJ)
Alexandre Braga (MG)
Pedro Neto (SP)
Jana Guinond (RJ)
Flávio Costa (RJ)
Sandra Campos (SP)
Eduardo Brasil (SP)




quarta-feira, 7 de maio de 2014

Catálogo da exposição "Nós de Aruanda - artistas de terreiro" 2014.

Catalogo da Exposição Nós de Aruanda, artistas de terreiro 2014, para baixar clique aqui.

Curadoria Grupo de Estudos Afro-Amazônico & Grupo de Estudos e Pesquisa Roda de Axé da Universidade Federal do Pará/ GEAM & GEP Roda de Axé/ UFPA. 
Pesquisadores: Alan Patrick da Costa Fonseca/// Alef Monteiro de Souza/// Amadeu Lima de Deus/// Arthur Leandro/// Aurilene Pereira Ferreira/// Eleanor Gomes Palhano/// Isabela do Lago /// Joao Simões Cardoso Filho/// Jocimara Fideles Alves/// Katia Simone Alves de Araujo/// Lorena Alves Mendes/// Marilu Marcia Campelo/// Mírian Aparecida Tesserolli/// Raimundo Jorge Nascimento de Jesus/// Shirley Muryel Ferreira Albuquerque/// Sttefane da Costa Trindade/// Walter Hugo Diaz Pinaya/// Zélia Amador de Deus.

sábado, 26 de abril de 2014

MinC age com descaso com as culturas tradicionais de terreiros de matriz africana?

 
SEPPIR chamou os ministérios parceiros para balanço do Plano de Desenvolvimento Sustentável de Povos Tradicionais de Matriz Africana.
Nesta semana de 22 a 25 de abril de 2014, estive na SEPPIR em um Grupo de Trabalho que reuniu representantes de vários ministérios para apresentar as ações de cada um dos parceiros para a efetivação das políticas públicas para a sustentabilidade dos povos e comunidades tradicionais de terreiros de matriz africana, na escuta e questionamentos estavam autoridades e lideranças de povos tradicionais de terreiros de matriz africana de vários estados do Brasil.
Foi um balanço do I Plano de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, seguido de um intenso debate que fez parte da programação da Oficina “Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana”, na tarde da quinta-feira, 24. Representantes da SEPPIR, do MinC, da Fundação Cultural Palmares, da Secretaria de Direitos Humanos, da Embrapa, do Iphan e dos ministérios da Educação, Saúde, Meio Ambiente, Planejamento, Orçamento e Gestão, Desenvolvimento Social e Combate à Fome, avaliaram as iniciativas voltadas à consecução de metas propostas no documento. Ver mais aqui 
Quando Daniel Castro, apresentou o balanço das ações da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC/MinC), ele disse que aquela secretaria anunciará durante a TEIA da Diversidade, que acontece de 19 a 24 de maio próximo, um edital de ponto de cultura especifico para povos e comunidades tradicionais de terreiros de matriz africana. Notícia muito bem recebida pelos presentes, porém quando ele foi esmiuçar o edital deixou escapar que o edital atendia também outros grupos de culturas negras brasileiras.

Este detalhe quase despercebido me acendeu a “luz vermelha” que anuncia que mais uma vez podemos ter o racismo provocando o descaso do MinC para com as culturas tradicionais, e que isso mais uma vez desviaria o foco para outras ações diferentes daquilo que está previsto para o Plano de Desenvolvimento Sustentável para os Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana.
Pedi a palavra e pedi que fosse explicada como se daria essa participação, e lembrei de casos recentes onde as políticas traçadas para atender as manifestações de culturas tradicionais haviam sido desviadas para outros universos da indústria cultural. Daniel respondeu dizendo que o edital atenderia outros dois grupos das culturas afro-brasileiras mas que elas não concorreriam entre si.
Menos mal, mas...
Recordei que estive na avaliação do Edital Cultural 2014, que selecionou propostas artísticas e culturais para o período da Copa do Mundo, e um caso em especial me chamou a atenção nesse processo... Um caso em que um pesquisador apresenta o resultado de sua pesquisa como uma proposta de ‘manifestações tradicionais”, ou manifestação de culturas tradicionais, e o MinC habilitou tal proposta e a colocou para seleção junto com as demais propostas que vinham de comunidades tradicionais.
Este é apenas um caso que acidentalmente eu tive acesso, mas é um caso que revela o descaso com que o Ministério da Cultura trata as culturas de povos e comunidades tradicionais, e, para mim, é também um indicador de que é preciso investigar mais aprofundadamente se os demais projetos aprovados nessa categoria vem realmente de demandas de culturas tradicionais. 
Da mesma forma, é preciso cobrar compromisso do Ministério da Cultura com a proteção e salvaguarda dessas culturas, e isso também significa cortar o financiamento de projetos culturais de pesquisadores que se inscrevem descaradamente como se o resultado de suas pesquisas se tratasse de uma manifestação tradicional.

Apenas se os gestores tiverem o compromisso com as culturas tradicionais é que se poderá reverter esse quadro em que o ministério da cultura permite que grupos declaradamente não pertencentes à comunidades tradicionais se inscrevam como tal.


Arthur Leandro/ Táta Kinamboji uá Nzambi        
Titular do Conselho Nacional de Política Cultural, representando o Colegiado Setorial de Culturas Afro-brasileiras
Professor da FAV – UFPA/ Kisikar’Ngomba ria Nzumbarandá ria Mansu Nangetu.








Informações contidas no projeto utilizado como exemplo de descaso do MinC com as culturas tradicionais.
1.       A questão não é a avaliação da proposta em si, mas o pertencimento ao grupo desejado.... E como se dá o envolvimento do propositor com comunidades tradicionais de terreiros e se esse envolvimento garante a inscrição desse projeto no grupo “manifestação tradicional”.
2.       A inscrição da proposta foi no Grupo G do Edital Cultural 2014, grupo que reúne as propostas oriundas de Manifestações Tradicionais.
3.       Na argumentação do projeto, o proponente diz que os tambores são tradicionais na África Negra, e são mesmos, mas mesmo que no grupo tenham membros de comunidades tradicionais, nada garante que a música oriunda do projeto seja “produzidas pela comunidade”, como reza o Edital.
4.       Quando nós, membros de comunidades tradicionais, requisitamos que os editais, inclusive estes de apresentações culturais em grandes eventos, garantisse a participação das culturas tradicionais, é sabido que esse grupo G do edital estaria destinado a abarcar e dar vez para o protagonismo de povos tradicionais (Povos Tradicionais de Terreiros de Matriz Africana, Povos Ciganos, Povos Indígenas, Comunidades Quilombolas, Comunidades Ribeirinhas, Comunidades de Fundo de pasto, e outras identificadas no brasil).
5.       No item 20 do formulário, o item em que apresenta o proponente, este se identifica como pesquisador e em nenhum momento faz alguma declaração de pertencimento a povo ou à comunidade tradicional, ele diz que: “é músico, compositor, poeta, e agitador cultural com atuação na cena”. Continua se apresentando com os shows realizados e prêmios recebidos, e finda dizendo que o próprio é quem idealiza e forma o Grupo para o qual ele inscreve o projeto, dizendo que esse coletivo é voltado para a pesquisa dos ritmos afro-brasileiros.
6.       Na página principal do link com informações do Grupo, tem informações que o identificam como “um grupo percussivo, de raiz africana no sangue, na cultura e na espiritualidade, que se reuniu pra agregar as manifestações dos tambores...”  E continua dizendo que acima de tudo, é uma homenagem dos músicos à ancestralidade africana.
7.       O proponente não se diz com pertencimento a povo ou comunidade tradicional afro-brasileira, pois é a música que tem raiz africana e ele fazer homenagem à ancestralidade não garante o pertencimento aos grupos de territórios tradicionais negros.
8.       Ou seja, temos um propositor que não diz que é membro da comunidade tradicional tal e tal que aprendeu com o mestre isso e aquilo, o que ele mesmo diz é que ele é pesquisador, que é artista, e que tem prêmios nisso e naquilo, e que ele idealiza e forma o grupo que realiza o trabalho, informação que eu recebi quase como um projeto autoral do artista onde os demais membros (mesmo aqueles que se declaram de comunidades tradicionais de terreiros) parecem ter participação secundária para tão imperioso propósito do artista propositor.

O Edital, em relação ao Grupo G, que se refere às Manifestações tradicionais, diz que:
1.       OBJETO E OBJETIVO
a.       1.4.11. Manifestações tradicionais: expressões artísticas e culturais que nascem do conhecimento, dos costumes e das tradições de um povo, expressa nos seus saberes, fazeres, práticas e artes produzidas pela comunidade e pelos cultores tradicionais, tais como: músicas, cantos, danças, encenações, festas, literaturas, medicinas tradicionais, culinárias tradicionais, jogos, brincadeiras e artesanatos.
b.      3.10. Grupo G - Manifestações Tradicionais: Serão selecionados, em âmbito nacional, no mínimo, 27 (vinte de sete) trabalhos artístico-culturais para circulação de manifestações características das culturas populares e tradicionais, referências dos Estados, para realizar apresentações nas cidades-sede da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014.
c.       3.10.1. Será selecionado, no mínimo, um trabalho artístico-cultural de cada Estado do Brasil.
d.      3.10.2. Os candidatos deste Grupo Cultural podem representar manifestações tradicionais de quaisquer localidades do Brasil, mas deverão indicar, no ato da inscrição, qual o Estado de origem da manifestação tradicional que pretendem representar durante a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014.
e.      3.10.3. Os trabalhos artístico-culturais de circulação poderão agregar apresentações de mais de um grupo.
f.        3.10.4. No intuito de promover intercâmbio entre manifestações tradicionais de cada Unidade Federativa do país, a circulação das apresentações obedecerá ao disposto na tabela abaixo:
g.       GRUPO G - MANIFESTAÇÕES TRADICIONAIS ESTADO DE ORIGEM DA MANIFESTAÇÃO TRADICIONAL CIDADE-SEDE DE APRESENTAÇÃO (ver tabela no Edital)
h.      3.10.5. Todos os trabalhos artístico-culturais deste Grupo Cultural devem assegurar, no mínimo, 5 (cinco) apresentações nas cidades-sede  da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, observadas as condições estabelecidas no subitem 2.19.

Marco Legal dos povos e comunidades tradicionais:
1.       O Brasil é signatário da convenção 169 da OIT (ver em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5051.htm e no anexo 1 deste parecer), e esta convenção reza que cada um dos países que a assinaram, dentre outras coisas, que, em relação aos povos tradicionais:
a.       promovam a plena efetividade dos direitos sociais, econômicos e culturais desses povos, respeitando a sua identidade social e cultural, os seus costumes e tradições, e as suas instituições;
b.      deverão ser reconhecidos e protegidos os valores e práticas sociais, culturais religiosos e espirituais próprios dos povos mencionados e dever-se-á levar na devida consideração a natureza dos problemas que lhes sejam apresentados, tanto coletiva como individualmente;
c.       deverá ser respeitada a integridade dos valores, práticas e instituições desses povos;
d.      deverão ser adotadas, com a participação e cooperação dos povos interessados, medidas voltadas a aliviar as dificuldades que esses povos experimentam ao enfrentarem novas condições de vida e de trabalho.
2.       No Brasil, a convenção 169 da OIT é regulamentada pelo Decreto 6040 de 2007 (ver em  http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm e no Anexo 2) , e neste decreto se estabelece, dentre outras coisas, que:
a.       Art. 3 -  Para os fins deste Decreto e do seu Anexo compreende-se por: I - Povos e Comunidades Tradicionais: grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição;


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Moju/PA - Faleceu Mestre Jorge do Banjo de Ouro.

mestre jorge

Na manhã desta segunda-feira, 21 de abril de 2014, Mestre Jorge faleceu no quilombo de África e Laranjituba, município de Moju/PA.
Mestre Jorge e o Banjo de Ouro
Lavrador, seringueiro e músico, desde jovem atua na luta contra a discriminação racial e pela valorização da cultura negra na região de Acará e Moju. É um dos responsáveis pela criação do grupo Experimental de manifestações culturais quilombola do baixo Caeté-Africa e Laranjituba. Este é Jorge Trindade, mais conhecido como Mestre Jorge, que se apresenta no próximo dia 04 de fevereiro, no Teatro do Centur, a partir das 20h, com o show “Banjo de Ouro”. O evento tem como objetivo o fortalecimento da cultura afro-quilombola. Na ocasião vários grupos afro-descendentes participarão do evento, entre eles o Grupo Tradicional Quilombola Kizomba (Mojú), Grupo de Capoeira de África e Laranjituba (Moju), Grupo Mixilhão do Icatú (Moju), Grupo Sancari e o Grupo Sentapeia. Outros músicos da região também estarão no palco junto ao Mestre Jorge. mestre jorge 3 Mestre Jorge - Sua militância em defesa do povo afro-quilombola se inicia na década de 1940, quando integra a Frente do grupo música de raiz que criara com seus irmãos, em Acará sua terra natal. Com o grupo participa de eventos de música de raiz, toadas de boi, valsa, bolero, dentre outros. Em 1950, na região ribeirinha do Rio Moju, onde fixou residência, com o apoio de uma série de amigos, inaugura o grupo de expressão cultural de música de raiz, com a proposta de trabalhar pela valorização social do negro através da cultura e da arte, principalmente no que se refere à música sua principal paixão. No primeiro ano de funcionamento, o grupo promoveu eventos onde carimbó, xóte, samba-de-cacete de autoria própria, eram apresentados e faziam a diversão de centenas de pessoas. Jorge, além de cantar sempre procurou meios de promover a iniciação de jovens à cultura popular em geral, objetivando a formação de artistas populares e colaboradores. Em 1952, inicia as rodadas de mestres oralidade, onde foi o principal contador de estórias. Em 1957, participa de grupo musical formado no intuito de realizar a diversão das famílias da região em morara em Moju. mestre jorge 2"O Som de um Mestre" A Vida e Obra de Mestre Jorge" Texto original no Portal da Cultura em 04/02/2010